CONFEÇÕES FAZEM TREMER MERCADO DO TRABALHO
Em dois ou três dias, Lousada assistiu ao encerramento de três fábricas têxteis, deixando cerca de 400 trabalhadores no desemprego. As fábricas SN1 e SN2, na localidade de Casais, e Leuman, em Macieira, deixaram de produzir, sem adiantar nenhuma explicação aos funcionários. O impacto foi tal que as forças vivas, nomeadamente políticas, meteram mãos à obra, para atenuar a crise. A Câmara Municipal de Lousada prontificou-se para ajudar os trabalhadores têxteis despedidos a tratarem dos papéis para o acesso ao subsídio de desemprego. Também o PSD, por intermédio de Leonel Vieira veio a público dizer que está em contacto com o governo e que os trabalhadores não vão ficar desamparados.
Várias pessoas ligadas ao setor das confeções em Lousada dizem que “o futuro não é atraente” e mais fábricas devem encerrar, disse ao nosso jornal o experiente empresário, já aposentado, Joaquim Valinhas. Este profundo conhecedor do setor diz que a dificuldade no setor “não é nova e tem a ver com a deslocalização de grandes marcas para outros mercados onde a mão de obra é mais barata”. Afere que “a própria China, que há alguns anos não tinha qualidade de produção, já está em patamares muito bons, já não existe muito aquele estigma em relação o que é Made in China e isso é um fator que joga contra nós”.
Para Joaquim Valinhas, “o Estado deve estar atento e acautelar apoios a novas fábricas, pois pode haver situações de oportunismo e injustiça com benefício de fundos públicos”. A inexistência de uma Associação Industrial em Lousada “não ajuda ao setor, pois seria importante uma entidade que promova o debate, faça lobbie e incentive negociações para a vinda de indústrias e para diversificar a indústria local”.
De igual modo, o reconhecido empresário do setor e dono de uma das fábricas mais antigas de Lousada, a Grantex, disse-nos que “apesar da crise que parece estar a acontecer, nós estamos superlotados de encomendas até meados do próximo ano”. A experiência de Lino Ribeiro diz que “a inovação é fundamental para sobreviver e por isso preocupo-me em estar atualizado em relação à maquinaria nova, aos processos novos de produção, enfim, o segredo está acima de tudo no espírito positivo, na confiança”. Diz quem sabe, pois “nestes 52 anos de atividade já passei por algumas crises e a solução é sempre nunca desistir e fazer mais e melhor”.













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