por | 27 Dez, 2024 | Economia, Sociedade

Mais fábricas vão fechar a curto prazo

CONFEÇÕES FAZEM TREMER MERCADO DO TRABALHO

Em dois ou três dias, Lousada assistiu ao encerramento de três fábricas têxteis, deixando cerca de 400 trabalhadores no desemprego. As fábricas SN1 e SN2, na localidade de Casais, e Leuman, em Macieira, deixaram de produzir, sem adiantar nenhuma explicação aos funcionários. O impacto foi tal que as forças vivas, nomeadamente políticas, meteram mãos à obra, para atenuar a crise. A Câmara Municipal de Lousada prontificou-se para ajudar os trabalhadores têxteis despedidos a tratarem dos papéis para o acesso ao subsídio de desemprego. Também o PSD, por intermédio de Leonel Vieira veio a público dizer que está em contacto com o governo e que os trabalhadores não vão ficar desamparados.

Várias pessoas ligadas ao setor das confeções em Lousada dizem que “o futuro não é atraente” e mais fábricas devem encerrar, disse ao nosso jornal o experiente empresário, já aposentado, Joaquim Valinhas. Este profundo conhecedor do setor diz que a dificuldade no setor “não é nova e tem a ver com a deslocalização de grandes marcas para outros mercados onde a mão de obra é mais barata”. Afere que “a própria China, que há alguns anos não tinha qualidade de produção, já está em patamares muito bons, já não existe muito aquele estigma em relação o que é Made in China e isso é um fator que joga contra nós”.

Para Joaquim Valinhas, “o Estado deve estar atento e acautelar apoios a novas fábricas, pois pode haver situações de oportunismo e injustiça com benefício de fundos públicos”. A inexistência de uma Associação Industrial em Lousada “não ajuda ao setor, pois seria importante uma entidade que promova o debate, faça lobbie e incentive negociações para a vinda de indústrias e para diversificar a indústria local”.

De igual modo, o reconhecido empresário do setor e dono de uma das fábricas mais antigas de Lousada, a Grantex, disse-nos que “apesar da crise que parece estar a acontecer, nós estamos superlotados de encomendas até meados do próximo ano”. A experiência de Lino Ribeiro diz que “a inovação é fundamental para sobreviver e por isso preocupo-me em estar atualizado em relação à maquinaria nova, aos processos novos de produção, enfim, o segredo está acima de tudo no espírito positivo, na confiança”. Diz quem sabe, pois “nestes 52 anos de atividade já passei por algumas crises e a solução é sempre nunca desistir e fazer mais e melhor”.

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