JOSÉ MANUEL DE BABO MAGALHÃES, 52 ANOS
Natural de Nogueira, José Magalhães destaca-se pela produção de melões, que já lhe valeu diversos prémios. Fundou a Associação de Produtores de Melão Casca de Carvalho do Vale do Sousa, mas “os produtores são cada vez menos”, lamenta. Os jovens estão afastados desta atividade e a demora do Governo em aprovar a marca registada e região denominada deste fruto é um entrave ao desenvolvimento do setor. Há cerca de um ano que José Magalhães lidera a COPAGRI – Cooperativa Agrícola de Lousada. Há 34 anos que acompanha de perto esta entidade e decidiu em 2023 lançar-se na sua liderança, tendo sido eleito. Deste ano de atividade faz um balanço positivo, mas sublinha que “ainda há muito para fazer”.
O pai de José Magalhães, já cultivava melões, mas o filho deu um impulso muito forte à produção, de tal modo que é uma referência regional e nacional do setor. “Aos 20 anos comecei a selecionar variedades, com muito empenho a polinizar as flores das plantas”, com isso começou uma carreira que lhe valeu prémios e o prestígio entre os apreciadores deste fruto. “Há imigrantes que não passam sem procurar-me para comprar os meus melões. E quando vão embora, levam para os amigos nesses países. Há inclusive um industrial de Paços de Ferreira, com fábrica de móveis em Paris, que leva melões e manda para lá, através de uma transportadora, mais 40 melões da minha produção”, diz o produtor com satisfação.
Já ganhou mais de dez prémios na Agrival, a prestigiada feira agrícola da região, mas José Magalhães mostra-se um pouco desanimado: “os produtores vão desaparecendo. Os que há começam a ficar idosos, porque os mais novos não querem saber disto. É um trabalho que dá muito que fazer, sobretudo capar os melões, ou seja, podar a planta. É um trabalho muito minucioso, são precisas quatro podas por ano e sempre de joelhos”, refere.
A Associação de Produtores de Melão de Casca de Carvalho, com sede em Lousada, está à espera há vários anos que o Ministério da Agricultura certifique esta variedade tão típica do melão. “Há três variedades neste país”, afirma José Magalhães. A espécie Ponderado é predominante do Vale do Sousa; o Robusto é da zona de Barcelos e Famalicão. E por último há o Melão Fino, que é de Braga. Diferenciam-se pela cor da polpa, mas todos são apimentados e têm textura de casca de carvalho.
Há cerca de um ano foi eleito presidente da COPAGRI. “Sou sócio desta cooperativa há 34 anos e desde o primeiro ano que venho às assembleias e reuniões”, recorda.
O balanço de um ano à frente da cooperativa lousadense é por si feito da seguinte forma: “estou orgulhoso do que já fizemos e muito temos para fazer. Não quero falar da anterior direção, o que fez e o que não fez, mas uma coisa é certa, estamos focados e empenhados em levar por diante a COPAGRI para um futuro risonho”.
RECUPERAR CRÉDITO MAL PARADO
A sua ligação a esta entidade começou em 1992 quando iniciou um projeto agrário, “tinha eu 18 anos e entrei para sócio e nunca mais faltei. Em 1994, com 20 anos, o professor Luís Pinto convidou-me para a lista dele e desde então fiz parte das listas, quase todas, às eleições da COPAGRI.
Os principais desafios que se colocam à entidade a que preside são várias: “criar uma imagem inovadora e atrativa, para concorrer com os imensos hipermercados que há em Lousada; uma das formas para o fazer é colocar produtos frescos, colhidos no próprio dia, diretamente dos nossos produtores; outra forma de revitalizar a cooperativa é beneficiar os cooperantes e sócios, dando-lhes descontos especiais e exclusivos, para os diferenciar dos clientes comuns”.
Outro aspeto que consome muita da atenção da nova direção “é a recuperação do crédito mal parado, que era avultado quando tomamos conta da cooperativa e não vamos descansar até resolver isso, de forma amigável, com os devedores”.
Para 2025 há uma aposta “no serviço técnico aos produtores, para apoiar as produções existentes e acima de tudo para incentivar novas e diferenciadas produções agrícolas; há muitos terrenos de cultivo abandonados, quintas cheias de silvas e queremos apoiar o aparecimento de novas produções, com produtos atrativos, como fez Felgueiras, por exemplo, que incentiva a produção de kiwis, espargos, frutos vermelhos, etc”.
Com foco na resiliência e na inovação, José Manuel Magalhães está apostado na revitalização de um setor produtivo que “quanto mais forte for, mais forte torna a sua cooperativa”.














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