A Casa Nobre No Concelho de Lousada

Outros Dados Históricos (Volume II) | Casa do Cárcere III – (1ª Parte)

A Casa do Cárcere situa-se na freguesia de Nespereira, no lugar que lhe dá o nome, e pertence à família Carneiro Leão (Casa de Figueiró). O Dr. Afonso Pinto Coelho Soares de Moura Quintela faleceu, solteiro (4/8/1939), e deixou-a a seu sobrinho António Basílio Carneiro Leão.

Filho do Dr. Luís Pinto Coelho Soares de Moura (Visconde de Lousada) e de D. Maria da Conceição Coelho de Meireles (Casa de Fervença), neto do Dr. José Maria Coelho Soares de Moura (Casa do Cáscere) e de Carolina Cândida Pinto de Meireles (Casa de Serradelo) e bisneto de José Leopoldo de Magalhães Barbosa, proprietário da Casa do Vilar (Lodares), e de Maria Joana Pinto Soares de Moura, nascida em Lodares (Casa da Lama). Há, pois, uma estreita ligação a inúmeras casas nobres de Lousada e de concelhos limítrofes, decorrente do casamento entre famílias nobres, sinalizando poder, influência, riqueza e estatuto.

Fachadas Este e Norte – Planta em L.

Casa com planta do tipo L e capela no topo direito da fachada principal. Mas nem sempre apresentou esta tipologia. Em 1881 foi aumentada e a atual capela foi construída de raiz.1 Em 1990 e 2002 voltou a ser objeto de restauro. No portal de entrada, da primitiva casa, vê-se a seguinte inscrição: 1656. Noutro portal do pátio interior, junto das cavalariças, encontra-se a seguinte data: 1851. Na grade da varanda lê-se 1881.

A sua construção foi iniciada «em 1656, conforme se pode verificar na parte superior do portão de entrada, através da data nele esculpida. A fachada principal até junto do portão foi construída no Século XVIII, este portão era a entrada para a capela ali existente. Em 1881, a casa foi de novo ampliada a partir do escadario. A antiga capela passa a garagem e a arrecadação após a reconstrução da nova.» (Nunes, s/d, s/p). Num prazo de 1656, uma certidão passada ao Reverendo Manuel José Pinto de Sousa, há uma alusão ao que pode ter sido a primitiva casa do Cáscere: «(…) e logo depois comessamos a apegaçam na maneira seguinte = vendo e apegando as casas com todo e mais casal = item casa da cozinha e cortes e casa da eira tudo junto que sam de cumprido dês e de largo oito braças com suas anteportas // A casa da torre digo a casa torre tem de comprido sinco e de largura duas braças // A cosinha terreira que esta pregada a torre para a banda do Norte tem de comprido tres e de largo huma braça e meya.» (A D P, Secção Notarial, Livro n.º 7, 1811, p. 604 e Magalhães, 2002, p. 46-53). Contas feitas, sabendo nós que uma braça corresponde a 2,2 m, facilmente chegamos à conclusão de que a casa principal deste Casal tinha a área de 31, 9 m2 e que a casa da cozinha, cortes e casa da eira, tinham, por sua vez, de área: 176 m,2 e que em meados do séc. XVII o atual corpo Norte era considerado «(…) a casa torre (…).» (A D P, Secção Notarial, Livro n.º 7, 1811, p. 604).

A primeira capela, erigida no século XVIII, em 1811 estava em ruínas (ADP, Secção Notarial, Livro n.º 7, 1811, p. 604 e Magalhães, 2002, p. 46-53), pois num prazo de 1811 que faz o Mosteiro de Stº Estêvão de Vilela ao Casal do Cárcere assim se lê: «Media-se mais outra parte desta quinta, que consta de eira, e ortas, e palheiro, capella hoje arruinada, (…).» (ADP, Secção Notarial, Livro nº 7, 1811, p. 604 e Magalhães, 2002, p. 46 a 53).

Em 1881 a casa volta a ser aumentada e a antiga capela deixa de ter a função para a qual foi edificada, passando a funcionar como garagem e arrecadação, e é ereta a atual capela de Nossa Senhora do Amparo.

A Casa do Cárcere fica no centro de um frondoso bosque, rodeada de um jardim, merecedor de contemplação. Acede-se por um melancólico caminho de terra batida que nos conduz a um terreiro onde nos deparámos com a sua frontaria. Encerra um fortim – espaço retangular com 60 cm de largura, em granito (paredes e teto).2 A porta é de madeira, espessa e chapeada. Há um furo, na parede, que permite ver de dentro para fora e fazer fogo para o exterior. Foi edificado para a defesa de ataques perpetrados pela quadrilha do Zé do Telhado.

Casa do Cárcere. Fonte: Reviver Lousada.

1 – Informação do proprietário da Casa do Cárcere.
2 – Informação do proprietário da Casa do Cárcere.

Bibliografia

  • MAGALHÃES, Pedro – A Casa do Cáscere 1479-1859. (Policopiada). Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Coimbra. 2002.
  • Oppidum, Revista de Arqueologia, História e Património, n.º 1, 2006, p. 96.
  • Presidentes da Câmara Municipal de Lousada desde 1838 até 1900. Lousada: Ed. do Arq. Municipal de Lousada, 2003.

Fontes Primárias/Documentais

  • ACC – Escritura, 1656, fl. 1 a 15v.
  • ADP, Secção Notarial, Po-4, Livro n.º 7, 1811, fl. 604.
  • ACC – «Lembranças…», elaborado por José Maria Coelho Soares de Moura

José Carlos Silva
Professor / Historiador

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