QUINTO ANO DO NÚCLEO DE IMPRENSA DE LOUSADA
Um dos principais destaques da cultura lousadense dos últimos anos, o Núcleo de Imprensa de Lousada (NIL), foi fundado em outubro de 2020. A comemoração dos 50 anos da revolução de 25 de Abril de 1974 tem impulsionado esta valência situada na Biblioteca Municipal. O NIL é um espaço museológico que reúne história da imprensa de Lousada e proporciona aos visitantes o contacto com a rica tradição do jornalismo local. Também convida à prática de técnicas de tipografia e das artes gráficas. Numa época em que o digital e o efémero predominam, aquelas formas lentas e criativas de informar e recriar, são catalisadores de fascínio a quem visita este local de conhecimento e de práxis.
No tempo da censura e da impressão clandestina, as tipografias desempenharam um papel importante na luta pela democracia. A imprensa resistente, tornou-se heroína para muitos, mas também foi motivo para a prisão arbitrária de muitos. Essa componente histórica está patente no NIL, juntamente com equipamentos e artefactos de antigas tipografias, que provocam a curiosidade e fascínio nos inúmeros visitantes do NIL.
Para gáudio de miúdos e graúdos, os visitantes são convidados a experimentar as antiquíssimas técnicas gráficas, de impressores, revisores e outros artistas de tipografia.
Para Manuel Nunes, o vereador responsável por este serviço, “a criação do Núcleo de Imprensa de Lousada (NIL) veio preencher uma lacuna museológica que existia na região, em concreto um espaço exclusivamente dedicado à imprensa”. Deste modo, a implementação do NIL, nas instalações na Biblioteca Municipal de Lousada após obras de requalificação, “possibilitou a agregação de um conjunto de sinergias entre a Câmara Municipal de Lousada e o Museu Nacional da Imprensa (MNI) no sentido de colocar à disposição da comunidade deste território equipamentos, ações, iniciativas, eventos e projetos focados no papel da imprensa”.
O autarca lousadense frisa que isso acontece “não apenas através da sua característica mais óbvia – a imprensa e os jornais locais –, mas também por via da componente tecnológica e técnica associada aos modelos de impressão pré-digitais”.
Para além do “desafio de reinventar a exposição permanente e criar atrativos que captassem novos públicos, revelou-se um estímulo a criação de conteúdos pedagógicos e de visitação que tornassem cada ida ao NIL uma experiência única”, sublinha Manuel Nunes.
Enfatiza igualmente, “a criação de um programa de oficinas e atividades ancorou públicos e abriu portas ao envolvimento de novas franjas da população, quer de Lousada, quer de concelhos vizinhos”.
Cinco anos volvidos desde a sua abertura, “o NIL estabeleceu um espaço próprio no seio das estruturas museológicas da região, convocando experiências singulares e dando corpo a um dos mais importantes espaços de visitação no seio do conceito de estrutura museológica polinucleada que se está a estabelecer em Lousada”, declarou o vereador, que aproveitou para revelar que “a breve trecho, será integrada a Escola-museu dos Centenários (Casais)”.
O ano de 2025 “trará mais iniciativas ao NIL e uma renovação das propostas de visitação e, por isso, novos e mais públicos”, promete o autarca. Para além disso, “será reforçada a parceria com o Museu Nacional da Imprensa o que possibilitará trazer ao NIL novas exposições, oficinas e atividades pedagógicas”, acrescentou. Será também um ano “que se orienta para a celebração dos 50 anos da Revolução de Abril, pelo que muitas das iniciativas que serão concretizadas se enquadram nas celebrações em curso, agregando especialmente a comunidade educativa”, concluiu Manuel Nunes.

Lousada, terra de tipógrafos
Durante o século XX, a tipografia do Jornal de Lousada (que funcionava onde é hoje o Restaurante Brazão) e a tipografia Heraldo (na esquina da rua de Santo Santo António com a rua dos Bombeiros) ficaram célebres. Nestas duas casas formaram-se muitos profissionais de tipografia e da imprensa lousadense. Uns eram compositores, que se ocupavam a compor os trabalhos na fase de montagem. Depois destes entravam em ação os revisores. Depois do aval destes e do diretor ou editor, o trabalho final era realizado pelos impressores. Muito importantes embora subalternos na hierarquia da tipografia, os ajudantes eram imprescindíveis. Na fotografia que ilustra este trabalho vê-se um rapaz, ao fundo, precisamente o ajudante do impressor, que se está a ocupar da máquina de impressão.
O tipógrafo António Vieira Ribeiro, de 70 anos, começou na Heraldo, em 1966, com 12 anos de idade. “Era ajudante e aprendiz de composição manual”, e recorda que “o primeiro salário foi de sete escudos e cinquenta centavos, que gastei em amêndoas na loja do Campos Alves, no outro lado da rua, esquina do atual edifício Edinor”.
Desde então conheceu quase toda a classe de tipógrafos que Lousada teve. Lembra-se por exemplo “do Miguel «Trabalhador» Ribeiro da Silva, do Manuel «Santinho» Alves, do Reinaldo «Heraldo» Magalhães, e dos mais recentes Jorge «Páscoa» Afonso e do Jorge «Bagaço» Ferreira, entre outros”. Quanto à particularidade das alcunhas, António Vieira diz que era prática comum atribuir nomes informais aos tipógrafos, como se fossem nomes artísticos. Também ele teve o seu: «Cesteiro».













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