Vivemos numa sociedade que teme falar sobre o fim da vida. No entanto, ignorar essa realidade não a torna menos presente. Como enfermeiro especialista em cuidados paliativos, testemunho diariamente o impacto positivo que um acompanhamento adequado pode trazer para doentes e famílias.
Os cuidados paliativos não são apenas para os últimos dias de vida. São uma abordagem que visa aliviar o sofrimento, promover conforto e garantir dignidade a quem enfrenta doenças graves, incuráveis e passíveis de sofrimento. Ainda assim, perduram mitos de que estes cuidados aceleram a morte ou substituem tratamentos curativos. Pelo contrário, estudos demonstram que integrar os cuidados paliativos precocemente melhora a qualidade de vida e, em alguns casos, até prolonga a sobrevida.
A humanização da saúde passa por reconhecermos a necessidade de estarmos atentos aos desejos dos doentes, respeitar as suas escolhas e oferecer o suporte possível a todos os níveis. O sofrimento não é apenas físico, mas também psicológico e espiritual. Negligenciar essas dimensões é deixar que muitas pessoas passem por momentos de padecimento evitáveis.
Precisamos falar mais sobre este tema, garantir acesso a esses cuidados e combater preconceitos. Todos nós, em algum momento, vamos precisar de cuidados que priorizem a dignidade e o bem-estar. Estar preparado para essa conversa não é um sinal de fraqueza, mas de respeito pela vida até ao seu último instante.
Jorge Miguel Pereira
Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área da Pessoa em Situação Paliativa












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