MAU COMPORTAMENTO E INDISCIPLINA NAS ESCOLAS – Parte I
As ocorrências de natureza criminal nas escolas aumentaram 6,8% no ano letivo de 2023/2024, sendo este o número mais elevado dos últimos 10 anos, indica o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) divulgado esta semana. Não apenas entre alunos mas também de alunos para com docentes, diretores e pessoal auxiliar. O tema é preocupante e implica várias reflexões e medidas. Da parte d’O Louzadense, há algum tempo que tínhamos destinado para destaque desta edição a indisciplina e mau comportamento nas escolas. Entrevistamos uma antiga presidente de uma associação de pais, Maria de Fátima Dias; um antigo diretor escolar, Orlando Pereira e contamos ainda com o parecer de um psicólogo especialista em temáticas escolares, Rui Lima Pereira. Todos são unânimes quanto à necessidade de intervir rápida e eficazmente para que a problemática não atinja maiores proporções.
A enfermeira Maria de Fátima Dias foi presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas Este de Lousada (Caíde de Rei) durante cerca de 12 anos. Nesse período adquiriu conhecimento nos vários âmbitos escolares nas escolas não apenas locais e regionais como também nacionais.
Questionada se o alheamento dos pais é um motivo que fomenta a indisciplina escolar, diz que “é difícil generalizar sobre o nível de interesse dos pais nos assuntos escolares, pois varia muito de família para família”. No entanto, reconhece que “os pais de hoje enfrentam muitas pressões, como longas horas de trabalho e múltiplas responsabilidades, o que pode dificultar a participação ativa na vida escolar dos filhos”. Entende também que “a tecnologia, embora ofereça ferramentas de comunicação, também pode distrair os pais e diminuir o tempo dedicado ao envolvimento escolar”.
Ao longo desses anos na associação de pais, vivenciou “com todos estes constrangimentos e cheguei à conclusão de que o envolvimento dos pais na vida escolar era e é crucial para o sucesso dos alunos no seu percurso. Claro que há um número elevado de fatores, mas a comunicação eficaz entre a escola e os pais é fundamental para manter os pais informados e envolvidos”. Escolas que promovem “reuniões, eventos e atividades que envolvem os pais tendem a ter um maior envolvência nos assuntos escolares dos seus educados”, acrescenta Maria de Fátima Dias.
A questão do desrespeito e da violência nas escolas “é complexa e multifacetada, embora seja difícil fornecer dados concretos sobre casos específicos, é importante abordar alguns pontos gerais”, esclarece. Segundo esta mãe, acontecem vários “tipos de desrespeito e violência, como a verbal, que envolve ameaças e agressividade verbal; comportamental, faltar às aulas, não seguir regras, desafiar autoridade dos professores”, mas também há casos de violência física, com empurrões, socos e agressão; assim como psicológica, como são os casos de humilhar, intimidar, manipular, entre outros.
Perante isto tudo, cabe questionar quais os fatores que levam a esta situação. Na opinião de Maria de Fátima, “logo no topo está a falta de limites, quer em casa, na escola ou mesmo em sociedade. A influência dos média, a exposição constante que sofremos diariamente nos meios de comunicação social, não ajuda. Problemas sociais, familiares e até mesmo de saúde, podem e vão afetar os comportamentos dos alunos na escola e para com os professores”.
Salienta ainda que “as escolas estão em alerta constante e preparadas para uma intervenção e deteção precoce destas situações, desde o apoio psicológico à intervenção precoce que ajudam e evitam a escalada deste género de problemas”.














Comentários