por | 8 Mai, 2025 | Espaço Cidadania, Sociedade

O motorista da cultura e do desporto

JOSÉ FERNANDO COSTA MOURA

Já perdeu a conta às viagens que realizou ao serviço da Cultura e do Desporto, mas o que nunca perdeu foi o gosto de conduzir e de viajar. Este antigo motorista da Câmara Municipal de Lousada e de outras entidades locais, percorreu grande parte da Europa e quase todo o país transportando ranchos folclóricos, clubes de futebol, atletas jovens para  jogos europeus, e muitas coletividades. Entre estas está a antiga Banda Musical de Lousada (que agora se chama Banda Filarmónica de Lousada).

Nasceu em Vilar do Torno, há 73 anos e desde muito cedo lançou-se no mundo do trabalho. “Muito novo, fui trabalhar para a firma Mário Navega, em Campanhã (Porto), onde estive pouco tempo, porque pouco depois apareceu uma oportunidade para ganhar mais dinheiro na fábrica de tintas de Candal (Gaia)”, conta José Fernando.
A tropa interrompeu a vida profissional do jovem, mas deu-lhe outras possibilidades. Em 1978, já encartado para conduzir veículos, entrou para a Câmara  Municipal. “Mas não fui logo para motorista nem manobrador de máquinas. Primeiro fui cantoneiro e depois calceteiro. Ao mesmo tempo substituía o Nunes e o Casimiro nas férias, a conduzir o mini autocarro que havia na altura”, recorda.

Aos poucos foi-se habituando às viagens de transporte de grupos desportivos e recreativos. Em meia dúzia de anos conheceu campos de futebol, festivais, feiras, torneios e outros eventos, espalhados pelo país. “Primeiro, conduzia um autocarro vermelho, que era do rancho de Santa Eulália de Barrosas. Era muito difícil de conduzir. Tinha portas de fole e uma direção muito pesada. Era do tempo do professor Trigo, vereador da Cultura e Educação. Quantas vezes ele me ajudou a fazer girar o enorme volante, em manobras apertadas”, afirma com saudade.

Além do país, também conheceu muitas estradas e destinos no estrangeiro. A primeira viagem para fora de Portugal aconteceu a Renteria (País Basco, Espanha), com a Banda Musical de Lousada. “Já foi com o autocarro verde, melhor que o anterior”, salienta. “Por essa altura, em 1982, levei uma excursão de jovens à Expo Sevilha. Também com jovens de Lousada, mas para uns jogos da juventude, fui depois à Alemanha. Mas foi a França que fui mais vezes, quase três vezes por ano, com ranchos, grupos de cavaquinhos e de cantares, com a Banda Musical, etc”.

A longa carreira de motorista nunca lhe causou dissabores que recorde. Assinala apenas que “uma vez na tal viagem a Sevilha, por lapso na contagem, uma jovem ficou para trás na estação de serviço de Badajoz, mas um autocarro de uma outra excursão trouxe-a até nós mais adiante”.

NUNCA TEVE UM ACIDENTE

Orgulha-se de nunca ter tido um acidente com transporte de passageiros. E recorda que “a única vez que não cheguei com o autocarro ao destino foi por avaria irreparável no tubo de direção dum autocarro DAF. Não guardo boas recordações desse autocarro. Não tinha janelas nem ar condicionado ou ar forçado, como se dizia na altura. No tempo de calor, tínhamos que ir com as portas abertas para circular algum ar”, diz a rir.

Ainda sobre veículos, diz que apesar de antigo, gostou de conduzir um Scania de dois andares, um autocarro que esteve ao serviço da banda musical mas também fazia outros transportes. De boa memória foi também um ªiveco do Esternato Nossa Senhora do Carmo, da Senhora Aparecida.

Transportar jovens “era mais complicado, pois eram mais irrequietos e um pouco desobedientes. Eu gostava mais era de transportar adultos em geral e a banda musical em especial”, sublinha o motorista.

Recorda que certo final do dia, já noite, durante um transporte de alunos de Lousada, ao chegar a Silvares, num local ermo, o alvoroço era tanto que José Fernando Moura teve necessidade de tomar medidas para acabar com aquilo. “Ocorreu-me pôr fora do autocarro, os dois jovens que estavam a causar distúrbios, num local sem luz e com monte de ambos os lados da estrada, embora a poucos metros de casas”, relata. Foi em desespero, mas nunca mais fez isso, para evitar eventuais problemas profissionais para si. “Depois veio a lei que obrigava a ter vigilantes nos autocarros e então os motoristas deixaram de ter problemas de gerir o comportamento no autocarro”, acrescenta.

Na memória ficam os convívios e as amizades, os locais visitados e os espetáculos presenciados. Muita cultura e desporto tem na sua bagagem. Está reformado, mas ainda faz uns serviços, com mini autocarros e transporte de mercadorias, nomeadamente o veículo de apoio da Banda Filarmónica de Lousada.

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