por | 30 Jun, 2025 | Sociedade

Os pombos (também) são uma terapia

COLOMBÓFILOS DE LOUSADA CELEBRAM 50 ANOS EM JULHO

Estima-se que deve haver em Lousada cerca de 20 columbófilos no ativo e outros tantos já retirados das lides desportivas, mas com atividade «caseira». Embora não sendo de Lousada, trabalha cá, um dos principais dinamizadores da atividade é Roberto Máximo. Ele define a columbofilia como “um estilo de vida, que nos ensina sobre os animais, sobre as pessoas, e também sobre nós próprios”.  Mais que as vitórias, “ver um pombo regressar ao pombal depois dele percorrer centenas de quilómetros é algo que emociona e que nunca deixa de nos surpreender”.
O gosto de Roberto pela columbofilia começou ainda em criança, por influência do seu avô, que tinha pombos-correio. “Ele não participava em concursos, mas mantinha os pombos por gosto e tradição. Eu, como neto curioso, fui acompanhando e ganhando carinho por aquelas aves e pela ligação que ele tinha com elas”.
Mais tarde, em 2002, deu os primeiros passos na vertente competitiva, com a ajuda de amigos e vizinhos, “com quem formei uma pequena sociedade columbófila”. Foram anos de aprendizagem, dedicação e muitas experiências partilhadas. No último ano dessa sociedade, “alcançámos o título de campeões de fundo, um marco muito especial para todos nós. Em 2012, encerrámos essa fase em conjunto, e depois de uma pausa, em 2020 decidi iniciar a minha própria aventura a solo”.

Pode parecer estranho, mas um pombo lançado a milhares de quilómetros regressa a casa até mesmo antes do dono lá chegar. “É realmente algo fascinante e que continua a maravilhar quem está dentro ou fora do mundo da columbofilia. O instinto de orientação dos pombos-correio é impressionante. Eles têm uma capacidade natural de se localizar e encontrar o caminho de volta ao pombal, mesmo a partir de distâncias muito grandes e em ambientes completamente desconhecidos”, esclarece Roberto.

Apesar de ser natural de Penafiel, “tenho uma ligação muito próxima a Lousada, tanto pessoal como columbófila. Trabalho há vários anos em Lousada, na área da segurança no hipermercado Continente, e foi precisamente através do meu trabalho ali que conheci duas pessoas muito especiais: Carlos Leal e o seu irmão Jorge Leal”. Estes são colombófilos lousadenses que participam em provas há várias décadas, na equipa que tem nome da sua mãe, Maria Orísia Magalhães. Esta equipa já conquistou tantos prémios nesta modalidade desportiva que já perdeu a conta.

CINQUENTA ANOS DE HISTÓRIA
Na opinião de Carlos Leal, “esta atividade é uma paixão que não tem explicação” e confessou que se sentiu muito abalado recentemente com a perda de uma pomba, que foi atacada por milhafres. “Criamos um carinho muito grande pelos pombos, de tal modo que cuidar deles, prepara-los para as corridas, criá-los e conviver com eles nas diversas rotinas diárias é uma verdadeira terapia para a vida”, explicou o colombófilo lousadense.
Para o penafidelense Roberto Máximo, “o mais importante na columbofilia é a ligação diária que criamos com os pombos e tudo o que isso representa. É uma paixão que exige dedicação, disciplina e sensibilidade. Cuidar das aves, observar os seus comportamentos, preparar os treinos, ajustar a alimentação e acompanhar cada evolução — tudo isso cria uma relação muito especial entre o columbófilo e os seus atletas”.
A columbofilia em Lousada continua viva graças a columbófilos como os irmãos Leal e outros. Apesar da redução de praticantes nos últimos anos, ainda se respira dedicação, conhecimento e espírito competitivo. “É uma terra com tradição, onde ainda se trabalha com seriedade e amor à modalidade”, afirma Roberto.

Roberto Máximo.

Os aficionados lousadenses pelos pombos vão estar em festa. O caso não é para menos, pois celebram 50 anos de existência.
“É uma data bonita, que merece ser comemorada e é uma oportunidade para juntar os sócios e amigos da columbofilia de Lousada”, afirma Jorge Leal, da associação local. O evento vai ter lugar na Quinta da Pousada, em Lodares, no dia 5 de Julho.

AS COMPETIÇÕES MAIS IMPORTANTES

A nível nacional, em Portugal, as provas mais importantes são organizadas pelas Associações Distritais e pela Federação Portuguesa de Columbofilia (FPC). As categorias dividem-se em Velocidade, Meio-Fundo e Fundo, e existem campeonatos locais, distritais e nacionais — sendo que conquistar títulos nestes níveis exige regularidade, qualidade e muito trabalho ao longo da temporada, a que chamam de «campanha».
No plano internacional, destaca-se com grande força o Golden Algarve Race, realizado em Portugal, que é atualmente um dos maiores e mais prestigiados derbies do mundo. Esta prova atrai columbófilos de todos os cantos do planeta, que enviam os seus melhores pombos para competir num único pombal, em igualdade de condições. Os prémios podem ultrapassar os 2 milhões de euros, o que demonstra bem o nível e a importância deste evento no panorama mundial da columbofilia.

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