𝗔𝗡𝗔 𝗟𝗨𝗖𝗜𝗔 𝗠𝗔𝗚𝗔𝗟𝗛𝗔𝗘𝗦, 𝘂𝗺𝗮 𝗱𝗶𝘃𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗹𝗰𝗼𝘀 𝗻𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗶𝘀

Esta artista natural de Caíde é um portento em várias artes. Desde criança que sempre que assistia a qualquer manifestação artística tinha uma enorme vontade de copiar, sobretudo no que dizia respeito à música. “Sempre que me perguntavam o que queria ser, a primeira coisa que dizia era que queria ser cantora – e depois, outra coisa qualquer. Por exemplo cantora… ou enfermeira; cantora ou professora; mas também as mais insólitas: se via o Indiana Jones queria ser arqueóloga, ou se via desportos na televisão queria ser jogadora de futebol, ou piloto de fórmula 1. Então, lembro-me de pensar que se fosse actriz, poderia ser tudo, ou quando muito, fazer de conta que sou”.


Apercebeu-se bastante cedo que conseguia imitar com precisão os sons que ouvia. “Como a infância foi em casa dos avós, no campo, precisava de me entreter, muitas vezes sozinha. Então as minhas tardes eram de contemplação, a jogar com a memória. Não tínhamos computadores, nem aparelhagens com aqueles discos que eu gostaria de ouvir, então captava ao máximo algumas músicas que ouvia na rádio, e quando estava sozinha, a única forma que tinha de as voltar a ouvir, era se as cantasse”, lembra Ana Lúcia.

Diz que teve a sorte de ter professores dedicados que lhe deram a conhecer a poesia, a literatura, todo o tipo de música, o teatro, e que a influenciou e estimulou para uma sensibilidade artística que já tinha. “Lembro-me de ter visto um espectáculo da Jangada Teatro, de ficar o tempo todo imóvel e de sair com um pensamento: eu quero fazer isto que eles fazem. Foi algo que em mim fez despertar um admirável mundo novo”, exclama.

Domina várias artes e tem uma inclinação, pela música. “Tenho pensamento musical. É-me natural a busca de harmonia e ritmo, mesmo nas conversas. Não gostaria de encontrar um mundo sem uma delas, mas se fosse sem música… então não encontraria qualquer sentido. Com ela mantenho uma relação apaixonante, viva, de descoberta constante”, expõe a artista. E lembra José Mário Branco, que dizia que na música tinha “uma relação de amantes”.

Há 10 anos já vivia e já tinha iniciado a minha carreira em Lisboa. “Tive sempre imenso trabalho, felizmente”, congratula-se. Dirigiu aulas de teatro no Estabelecimento Prisional de Beja, colaborou com companhias de teatro de Sintra, com quem apresentou dezenas de espectáculos no Olga Cadaval, na Quinta da Regaleira, na Quinta da Ribafria, no Parque da Liberdade, etc. Mais centrada em Lisboa colaborou com companhias como a Cepa Torta, o Teatro do Eléctrico, e artistas independentes, e apresentou-se em salas como o Teatro Meridional, o Villaret, Casino Estoril, entre outros.

“Posso destacar um espectáculo que foi um enorme desafio e que me dava imenso prazer, o Improfado, que é um espectáculo de improviso dos Improváveis onde participei como cantora-improvisadora. Fizemos temporadas no Museu do Fado, CCB, Teatro Tivoli, Museu do Fado, Festival O Gesto Orelhudo, em Águeda, etc.”, destaca, com orgulho.

A vastíssima carreira inclui também o papel de cantautora dos Terraza, “com quem viajei por todo o país com dezenas de concertos e com quem lancei o CD TRZ 122. Participei no disco “O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis”, de Paulo Ribeiro, em 2017, juntamente com Manuel João Vieira, Vitorino e Tim”.

Actualmente é directora do Serviço Educativo do TEIV – Teatro-Estúdio Ildefonso Valério, e actriz residente da companhia Cegada, que programa esse teatro. É uma companhia de referência em Portugal, não só pela pertinência artística, como pelo impacto que tem na comunidade, e serve desde instituições de ensino, sociais, artísticas, culturais, público geral, sempre com salas cheias – que é algo realmente raro de encontrar. “Em paralelo sou vocalista do Quarteto Dela, um quarteto de jazz que apenas se apresenta em português”, acrescenta. Muito mais há para dizer, mas ocuparia muitas páginas do jornal.

Revela que recentemente compreendeu “a falta que fazia estudar música, então, a partir de 2020 fiz o curso de Jazz na EMARTE, em Arroios, durante 4 anos. Tive docentes extraordinários que se tornaram também amigos e colegas de trabalho, como o trompetista Ricardo Pinto, o pianista Rui Caetano, as cantoras Rita Maria, Minji Kim, Nazaré Silva e Catarina dos Santos e o baterista Luís Candeias”.

MESTRADO EM JAZZ NA HOLANDA

Por causa desta experiência, tem actuado em alguns clubes e colaborado com músicos da cena Jazz em Lisboa, algo que me levou ao novo desafio que vou iniciar em Setembro deste ano. Uma novidade vai surgir em breve na sua vida: “Depois de várias fases de audições foi aceite no Mestrado de Música – New York Jazz, do Prince Claus Conservatoire, de Groningen, nos Países Baixos. É uma escola renomada no ensino da música e que me dará a oportunidade de nos próximos dois anos aprender com músicos internacionais e de fazer o primeiro ano lá, e em 2026 iniciar o segundo ano em Nova Iorque. Estou muito feliz, ao mesmo tempo expectante, por esta conquista, particularmente desafiante, que me vai obrigar a largar tudo o que tenho por cá para iniciar um novo rumo da minha vida. A transição que há muito esperava para me dedicar inteiramente à música”. Muitas felicidades!

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