por | 3 Ago, 2025 | Educação, Grande Entrevista

Tornou-se professora quando nada o fazia prever

ERNESTINA SOUSA ESTÁ NO ENSINO HÁ TRÊS DÉCADAS

Na sexta-feira da semana passada Maria Ernestina da Cunha e Sousa foi premiada com a medalha de ouro municipal de Lousada. Professora e diretora escolar, natural de Vila das Aves, Santo Tirso trabalha em Lousada desde outubro de 1995, portanto há quase 30 anos. Além da longevidade, Ernestina Sousa foi distinguida pela dedicação à docência e pelo desempenho na direção do agrupamento de escolas Lousada Norte e no Agrupamento Escolas Dr. Mário Fonseca.

Seguir a via do Ensino não estava nos planos iniciais da vida de Ernestina. A propósito, revela que “o primeiro curso superior, Línguas e Secretariado, era vocacionado para a área das línguas e administração que, na altura me apaixonava”. Nas primeiras buscas de trabalho, entre o envio de currículo para várias e empresas e perceber o que o mercado oferecia, apareceu-lhe a possibilidade de concorrer para uma escola, “facto que me pareceu aliciante. Concorri e fiquei com o lugar”.

Lembra que na época, o diretor da Escola Tomaz Pelayo, em Santo Tirso, era o professor Reis Santos, o qual reformara-se e o lugar foi colocado a concurso a nível de escola. Ernestina concorreu e ficou com o lugar.

“Acabado o ano letivo, nunca mais pensei em mudar para outra profissão e, por isso, avançar com a «Profissionalização em Serviço», na Universidade do Minho, foi o passo seguinte para ingressar na carreira docente”, acrescentou.

“Hoje, ao recordar que a minha primeira experiência de trabalho foi no lugar de um diretor escolar faz-me pensar que talvez haja situações que não surgem por acaso. Para além de formação para melhorar as competências na área da gestão escolar, recordo um dos livros que li, «Servir para Liderar», de James C. Hunter, que suscitou a minha curiosidade e interesse”, revela Ernestina Sousa.

Enquanto diretora do agrupamento escolar Dr. Mário Fonseca “foram muitos os aspetos positivos a destacar porquanto são muitos anos de trabalho numa direção, sempre a trabalhar com equipas com uma qualidade de trabalho elevadíssima e com os elementos dos vários órgãos do agrupamento a trabalhar num clima francamente positivo”, sublinha.

E explica que teve sempre “a sorte de ser rodeada de gente fantástica, com muita vontade de trabalhar, a pensar nos alunos em primeiro lugar”.

Olhando para o que foi feito durante a vência dos seus mandatos, não pode deixar de evidenciar “as atividades que envolveram toda a comunidade educativa que fizeram toda a diferença nos alunos, professores e funcionários, como são exemplo a mobilização de todos os alunos e docentes na visita à Expo 98, numa oportunidade única para a larga maioria dos alunos”.

Também releva especialmente o projeto “À Descoberta de Lousada”, que proporcionou às 26 turmas do Agrupamento o estudo da totalidade das freguesias do concelho, à época, numa investigação teórica e no terreno de grande envergadura, de que resultou um livro e um debate sobre o passado, o presente e futuro do concelho”. E enltece “a organização de um Mercado Europeu, que incluiu um amplo estudo sobre a União Europeia, a simulação de um Parlamento Europeu, a utilização da moeda euro «cunhada» em cartão com as faces originais e o conhecimento da diversidade dos países, culturas e tradições, com bancadas de cada país, num singular exercício de cidadania e de valorização cultural”.

Não esquece também os projetos como “Lustosa a Ler”, “Metas em Família”, ALer+, a internacionalização de boas práticas com os projetos Erasmus e Etwinning, “que permitem abordagens criativas, sobretudo com trocas de experiências com temas como o emprego e as novas tecnologias, a solidariedade intergeracional, defesa do ambiente, bem como partilhas pedagógicas sobre educação, são uma forte aposta na integração interdisciplinar de saberes no currículo”.

DIMINUIR A CARGA HORÁRIA DOS ALUNOS

Há sempre aspetos que não correm bem e nesta vertente, Ernestina fala daqueles projetos ou situações “que saem do nosso controlo e se tornam desagradáveis”. Recorda, como exemplos, “a colocação tardia de docentes para abertura do ano letivo em algumas ocasiões, a necessidade de criar, numa semana, as condições para que todos os alunos pudessem ter aulas online aquando da pandemia”.

Questionada sobre o que, no exercício das suas funções, gostava de ter feito e não foi possível, a docente e diretora declara que “é sempre possível fazer mais e fazer melhor, em cada ano que passa”. Especificando alguns desses aspeto, entende que “dotar as escolas de melhores condições ao nível da tecnologia educativa (equipamentos e internet), ter autonomia para a criação de mais clubes nas escolas, mais autonomia para a gestão de horários e carga curricular de cada ciclo, são situações que gostava de poder ter tido ao meu alcance”.

Sobre o que é premente fazer na escola, numa era em constante ebulição e transformação, diz que “há muita coisa a mudar no ensino: diminuir a carga letiva dos alunos em cada ciclo, reformular as aprendizagens essenciais de cada disciplina ou área disciplinar e adequar as mesmas à faixa etária de cada ano de escolaridade são exemplos, de fundo, que gostaria de ver implementado”.

Sendo a escola um organismo que convive com outros organismos, Ernestina Sousa diz que “a relação com todos os nossos parceiros e colaboradores foi sempre muito boa”. Desde as Associações de Pais, as empresas da região, as entidades na área da saúde, a CPCJ, Bombeiros, Escola Segura, GNR, as entidades como a autarquia, a Dgeste e Dgae, “com todas mantemos uma relação cordial e, em alguns casos de grande proximidade”.

Por último, questionamos a professora o que mais destaca da sua carreira docente e diretiva: “O reconhecimento que tenho recebido dos meus colegas, funcionários e alunos, no final da minha carreira como diretora tem sido marcante e o sentimento de gratidão que tenho para com todos é enorme”.

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