O momento prende-se com o combate eleitoral autárquico. O pleito é a 12 de outubro. Logo, toda a
atenção mediática deveria estar focada nas autárquicas. E não é isso que está a suceder. O foco tem
estado nas presidenciais, nas sondagens que colocam o Chega à frente na intenção de voto e na mais
que provável candidatura de André Ventura à Presidência da República e da plausível ida à segunda
volta. Excetuando Lisboa e Porto, os restantes 306 municípios têm fugido ao interesse dos mídias de
âmbito nacional.
E os múltiplos combates autárquicos no Continente e Ilhas?
Anda tudo numa roda-viva: os seus figurantes ostentam uma imensa fragilidade, pois face à mais leve e
inócua critica passam-se dos carretos, isto é, perdem as estribeiras, ficando muito mal na fotografia;
com os nervos à flor da pele, irritadiços, apesar dos sorrisos de circunstância. Este é um período
excelente para resolver pendentes, um ano fêmea, como é costume apelidar-se.
E em que se alicerça todo este frenesim? À liturgia que o poder encerra. Uns querem mantê-lo e os
demais ambicionam conquistá-lo. Daí que seja um espetáculo divertido e muito dinâmico e prenhe de
emoções. Resumindo, ninguém quer perder. Mas há uma poderosa variante: só um é vencedor.
Assim, os detentores, os incumbentes, do trono, e a sua trupe, esfarrapam-se no intuito de manterem as
mordomias inerentes à condição de decisores, pois dependem dos incumbentes para manterem o
status, o privilégio, pertencerem à elite dominante. Por fim, subsiste ainda um grupo que se esfarrapará
para que os incumbentes se mantenham, pois dessa manutenção no poder depende o seu futuro.
Já no que toca aos desafiantes, os candidatos ao trono, os opositores, nada têm a perder se,
porventura, não lograrem vencer. No dia seguinte ao pleito retomarão a rotina habitual do seu quotidiano
de sempre – nada perderam.
Diário, 13 de setembro de 2025
José Carlos Silva













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