por | 17 Out, 2025 | Autárquicas 2025

Mapa autárquico lousadense está “feito em dois oitos”

Se a votação para a Câmara Municipal (CM) e para a Assembleia Municipal (AM) não deixou margem para dúvidas quanto ao vencedor (PS), o mesmo já não se verificou na escolha das lideranças das freguesias. No extremo nordeste do concelho registaram-se mudanças que contribuíram para o equilíbrio de forças no mapa autárquico lousadense no que respeita às Juntas de Freguesia: oito para cada lado. Destacou-se a passagem da União de Freguesias de Cernadelo, São Miguel e Santa Margarida, bem como da Junta de Freguesia do Torno, do PS para a Coligação Lousada no Coração.

Novamente autónoma, a freguesia de Barrosas (Santo Estêvão) era «laranja» na anterior união com a vizinha freguesia de Lustosa e, agora independente, ficou «pintada de rosa» com a vitória do PS, através do cabeça de lista local e novo presidente da Junta, Carlos Santos, motorista de 36 anos.

A mudança fez-se sentir também nas restantes freguesias que fazem fronteira com Felgueiras. A União de Freguesias de Cernadelo e Lousada (São Miguel e Santa Margarida) passou para o PSD (em coligação com CDS e IL), após 12 anos de liderança socialista sob a presidência de um dos mais antigos autarcas lousadenses, Eduardo Taveira, que assim deixa a vida autárquica. O novo presidente é o jovem gestor João Pedro Sousa, de 26 anos, que passa a ser o presidente de Junta mais jovem de Lousada.

Mais ao lado, no Torno (Senhora Aparecida), deu-se uma das conquistas mais importantes da Coligação nestas eleições, com a vitória de Luís Carvalho. Desde 1989 que aquela Junta era liderada por socialistas. *

Sem margem larga, mas com grande equilíbrio, foi o resultado em Lustosa — a freguesia com mais candidaturas, entre PS, Coligação, Chega, CDU e o MIL (Movimento Independente de Lustosa). Foi ali que se travou provavelmente a «batalha» eleitoral mais intensa, tendo as eleições ditado a vitória de Agostinha Monteiro, da Coligação liderada pelo PSD, que elegeu quatro representantes para a Assembleia de Freguesia. Contudo, a vitória não foi por maioria absoluta, já que o PS também elegeu quatro membros.

Quem se perfila para assegurar a governabilidade da freguesia é o independente Diogo Silva, que foi eleito e já manifestou disponibilidade para viabilizar o «governo» de Agostinha Monteiro.

Em comunicado, o independente afirmou: “Quero que saibam que vou honrar o voto de cada um que acreditou no Movimento Independente de Lustosa. Não faremos coligação com qualquer partido, mas também não iremos bloquear o desenvolvimento da freguesia. Estaremos na Assembleia com um único propósito: o crescimento de Lustosa e o compromisso de fazer o melhor para que todos tenham condições dignas na nossa terra.”

Assim, não se perspetivam eleições intercalares em Lustosa”.

Num cenário autárquico esmagadoramente masculino, Agostinha Monteiro não foi a única mulher eleita para as freguesias. Além da professora de Lustosa, também Dora Santos, de Boim, vai liderar uma Junta — no seu caso, a União de Freguesias de Cristelos, Boim e Ordem — onde obteve uma vitória expressiva.

Apenas mais três mulheres se apresentaram a votos para a presidência de Junta: Ana Leite (PSD, Vilar do Torno), Cristina Neves (Chega, UF São Pedro de Nogueira e Alvarenga) e Sofia Teixeira (PS, Caíde de Rei), mas nenhuma conseguiu alcançar o objetivo.

Esmagadora foi também a vitória na outra grande união de freguesias do concelho, que engloba Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga. A mudança de ciclo, com a saída do decano autarca lousadense Fausto Oliveira, não alterou o panorama local. A vitória do seu sucessor, Alípio Campos, da Coligação Lousada no Coração, foi a mais expressiva de sempre, deixando muito atrás a candidatura socialista de Joaquim Aires.

Em Figueiras e Covas, o veterano social-democrata Fernando Magalhães não teve dificuldades em renovar a sua presidência, apesar da boa campanha do primo Tiago Martins, candidato pelo PS.

Na zona do Mezio, Diogo Aires, do PSD, também não enfrentou grandes problemas para continuar, superando a candidatura do jovem Ernesto Gonçalves, do PS.

Ainda na área do Mezio, houve disputa renhida na União de Freguesias de Nespereira e Casais. O histórico autarca José Nunes atingiu o limite de mandatos e a Coligação apresentou Rui Leal como cabeça de lista, que acabou por conquistar a Junta. O principal adversário foi Agostinho Peixoto, do PS, que vendeu cara a derrota. Venceu nas mesas de voto de Casais, mas perdeu em Nespereira. Foi o último resultado a ser conhecido na noite eleitoral: a Coligação venceu por 153 votos.

Em Nevogilde, já era esperada a vitória de Joaquim Magalhães. O socialista não enfrentou contestação significativa e assegurou novo mandato. Era aqui que concorria o mais jovem candidato de todos os que se apresentaram a sufrágio em Lousada: Nelson Sousa, de 20 anos. Tal como todos os outros candidatos deste partido nas freguesias lousadenses, não obteve resultado expressivo. Aliás, o Chega não elegeu qualquer elemento para as Assembleias de Freguesia.

De igual modo, também a CDU não se faz representar em nenhuma freguesia, devido aos resultados praticamente residuais que obteve. Com exceção do Movimento Independente de Lustosa, todos os lugares são ocupados por representantes do PS e da Coligação que integra PSD, CDS e Iniciativa Liberal.

No centro do concelho, o PS mantém o poder: em Aveleda, Jorge Cunha foi reconduzido, e em Macieira também não houve surpresa, com a vitória de Paulo Santos. O mesmo se verifica nas duas grandes freguesias do sul do concelho: em Meinedo, registou-se uma vitória folgada do anterior presidente, Nuno Ferreira (PS); e, ao lado, em Caíde de Rei — habitualmente muito disputada — verificou-se desta vez uma vitória tranquila do social-democrata Luís Peixoto.

Terminamos esta viagem pelas freguesias com uma referência a Vilar do Torno e Alentém, onde a saída de António Silva (PS) não impediu a continuidade socialista na Junta, agora com Adriano Ferreira.

* Por lapso, na edição em papel referimos que a Junta de Freguesia do Torno foi sempre socialista, o que não corresponde à verdade. Até 1989, aquela autarquia foi presidida pelos sociais-democratas Carlos Moreira e Júlio Mesquita.

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