por | 6 Dez, 2025 | Editorial, Editorial

Editorial 158 | Advento

Normalmente, o uso do termo advento está associado a questões religiosas, mas poderá ser muito mais que isso. É uma época de reflexão, um momento de preparação para algo novo, um rejuvenescer de esperança. O termo em si reflete uma chegada, a vinda de algo, o aproximar de um novo tempo.

De forma mais ou menos religiosa, o findar do ano leva-nos à vivência de um período de considerações e ponderações. Neste momento, analisamos o passado recente e preparamo-nos para um futuro que queremos melhor e mais auspicioso.

Mais do que nunca, esperamos que o futuro seja risonho. Num momento de tantas incertezas, o que esperamos do destino, daqui para frente, é que nos traga todas aquelas “coisas” que em breve mencionaremos nas mensagens de boas festas que iremos enviar aos nossos amigos e familiares.

Em breve, somos chamados novamente a pronunciar a nossa vontade num ato democrático. Desta feita, teremos a possibilidade de decidir qual é o “melhor” português para nos representar, para ir olhando pelos nossos interesses, para ir influenciando as instituições a nosso favor. A imprevisibilidade da eleição deixa também dúvidas sobre o que será o nosso futuro enquanto sociedade.

Haverá a possibilidade de vitória do radicalismo e extremismo, que poderá acentuar a crispação e a desumanização nas relações interpessoais? Será que poderemos ter ainda a possibilidade de, com moderação e experiência, moldarmos a sociedade para que a misericórdia não seja apenas uma palavra? Sentiremos realmente uma grande diferença ou o “vazio” de poderes não permitirá um impacto significativo?

Seja qual for o resultado, uma coisa será certa: continuaremos inseridos num mundo cada vez mais inexplicável. Continuaremos a assistir à degradação da compreensão, do diálogo, dos valores e princípios, prosseguirá a valorização do fútil e supérfluo, o enaltecimento da perceção ao invés da erudição. Sentiremos que a resignação às vezes até parece ser mesmo o melhor caminho.

Um bom advento poderá, no entanto, permitir que cada um possa trilhar o seu próprio percurso, considerando que o impacto da ação de cada um, poderá ajudar a construir um caminho melhor. O dever de cada um começa bem perto nós. O impacto que criamos refletir-se-á e poderá ser, quem sabe, a luz que convidará outros a realizar o seu próprio advento. Somos uma gota no oceano, é certo, mas podemos ser uma gota de água plenamente potável, agradavelmente bebível, e potenciadora de energia galvanizante.

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