A União de Freguesias de Cernadelo e Lousada (São Miguel e Santa Margarida) tem, desde as últimas eleições, o presidente de Junta mais jovem do concelho. Determinado a trazer uma nova forma de trabalhar, marcada pela transparência, rigor e proximidade, João Pedro Sousa depara-se com um início de mandato exigente, marcado por dificuldades financeiras herdadas e pela vontade de reorganizar a gestão da Junta. Em entrevista a O Louzadense, partilha prioridades, desafios e o compromisso assumido com a população.

O Louzadense acompanhou os primeiros passos daquele que é, atualmente, o presidente de Junta mais jovem do concelho, e percebeu de imediato que a juventude, no seu caso, não é sinónimo de inexperiência, mas sim de energia, rigor e sentido de missão. O próprio admite que assumir este cargo é “um orgulho enorme”, mas também uma responsabilidade acrescida. Vê nesta escolha dos eleitores um sinal claro de confiança numa nova geração de autarcas, mais próximos, transparentes e participativos.

A vontade de servir a comunidade, conta ao O Louzadense, foi crescendo com o tempo. Observava ano após ano problemas que permaneciam por resolver e, embora não tivesse planeado candidatar-se tão cedo, acabou por aceitar o desafio depois de um grupo alargado de cidadãos manifestar apoio e acreditar que ele seria a pessoa certa para liderar a União de Freguesias de Cernadelo e Lousada (São Miguel e Santa Margarida). A partir daí, nasceu uma equipa motivada e um projeto estruturado para o território.

Os primeiros dias no cargo foram intensos e reveladores. O novo executivo encontrou uma Junta com dificuldades organizativas e uma situação financeira particularmente delicada, com mais de 26.500 euros em dívidas a fornecedores, muitas delas referentes ainda ao início deste ano. Este cenário obrigou a reajustar prioridades, mas não abalou o entusiasmo: o contacto com a população tem sido, garante, “extremamente positivo e motivador”.

As primeiras medidas concentraram-se em três eixos fundamentais: organização interna, transparência e proximidade. Começou-se por fazer um levantamento rigoroso das contas e contratos, reorganizando procedimentos administrativos para garantir maior eficiência. Em paralelo, assumiu-se o compromisso de comunicar de forma clara a situação real da Junta, reforçando a ideia de uma gestão responsável e aberta à população. Quanto à proximidade, foram logo promovidas reuniões com associações, coletividades e cidadãos, para ouvir preocupações e perceber prioridades urgentes de cada freguesia.

Perante o cenário financeiro encontrado, o executivo tomou ainda uma decisão simbólica e rara: abdicou das remunerações durante três meses, sem retroativos, comprometendo-se a reavaliar a situação no final desse período. “Acreditamos que o exemplo deve partir de quem lidera”, sublinha, explicando ao O Louzadense que, antes de pedir sacrifícios à população, era importante demonstrar sentido de responsabilidade.

Em relação às prioridades imediatas, existem linhas claras para cada freguesia. Em Cernadelo, pretende-se revitalizar e modernizar o Parque do Amial e avançar com arruamentos, começando também a estudar a construção de um novo cemitério. Em São Miguel, o foco está no alargamento da Rua da Igreja e na conclusão das obras de expansão do cemitério. Já em Santa Margarida, surge a requalificação de vias e espaços públicos, bem como a modernização das traseiras da Junta, criando um pequeno parque e um centro de convívio. A nível transversal, porém, a prioridade absoluta é estabilizar financeiramente a Junta, condição essencial para concretizar obras e projetos.

Há também ambições que, reconhece, não poderão avançar de imediato. Alguns equipamentos públicos, requalificações de maior escala e um plano de mobilidade entre as três freguesias terão de aguardar até que as contas estejam equilibradas. “Primeiro, temos de arrumar a casa”, afirma, com a serenidade de quem sabe que o caminho se faz passo a passo.

Questionado pelo O Louzadense sobre a relação com o anterior executivo, mantém uma postura institucional e respeitosa, mas não deixa de notar que a elevada dívida herdada revela falta de planeamento e uma transição pouco responsável. Ainda assim, garante abertura para dialogar sempre que necessário, “porque o interesse da freguesia está acima de tudo”.

A transparência será, assegura, um pilar do mandato. Está prevista a publicação regular de informação financeira, o reforço da comunicação digital e a realização de reuniões abertas, para que cada cidadão possa acompanhar de perto a aplicação dos recursos públicos.

Aos habitantes das três freguesias, deixa uma mensagem de compromisso e de confiança. Reconhece os desafios, mas sublinha que isso só reforça a determinação da nova equipa. A decisão de abdicar das remunerações nos primeiros meses é, para o jovem presidente, um sinal claro de que a mudança começa pelo exemplo. O autarca João Pedro Sousa remata ao O Louzadense: “O futuro da nossa União de Freguesias constrói-se com trabalho, seriedade e união. Contamos com todos nesta caminhada.”

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