Há lugares que crescem em silêncio. Casais, em Lousada, é um desses sítios onde o ritmo de vida ainda se mede pelo som das portas que se abrem de manhã, pelos passos das crianças que vão para a escola e pelo cumprimento breve – mas sempre sincero – entre vizinhos que se conhecem há décadas. Porém, por entre esta tranquilidade rural, há um incómodo persistente, quase invisível para quem passa de fugida, mas evidente para quem vive aqui: a falta de acessibilidades.
Fala-se muito de desenvolvimento, inovação e modernidade, mas para muitos habitantes de Casais esses conceitos não passam de palavras bonitas que não chegam a provar o caminho estreito que liga a freguesia ao resto do concelho, ou Freguesia de Nespereira, onde está agregada. O problema não é novo. A estrada que deveria servir de ligação segura transforma-se, vezes demais, num percurso de paciência e preocupação. Passeios descontínuos, zonas sem iluminação, curvas apertadas e bermas que mais parecem uma sugestão do que uma estrutura são o dia-a-dia de quem circula a pé, de carro ou de bicicleta.
A verdade é simples: não se trata de luxo, trata-se de segurança. E segurança não deveria ser negociável.
Os moradores têm razão quando pedem “ mais e melhores acessibilidades”. Não é um capricho local. É uma reivindicação alinhada com aquilo que qualquer concelho moderno deseja – mobilidade digna, infraestruturas que sirvam as pessoas, e não que as afastem, e um território equilibrado onde todas as freguesias contam.
Porque contar não é aparecer num mapa, é ter condições para viver com qualidade.
O que se pede para Casais não é diferente do que se pede para qualquer comunidade com futuro: estradas cuidadas, passeios contínuos e rotundas onde façam sentido, e um olhar estratégico sobre o aumento de trânsito e do número de habitantes. O crescimento traz consigo responsabilidades – e ignorá-las apenas coloca mais peso nos ombros de quem ali vive todos os dias.
Talvez esta crónica sirva como lembrete, ou como aviso, ou simplesmente como voz escrita de quem tantas vezes não é ouvido. Casais merece acessibilidades à altura da sua gente: trabalhadora, resiliente e profundamente enraizada. Quando a estrada melhora, a vida também melhora – e essa é uma verdade que não precisa de estudos, apenas de vontade.
No fim tudo se resume a isto: falar de acessibilidades é falar de pessoas. E Casais, Lousada, tem-nas. Falta que as tenham em conta.
Nuno Ferreira













Comentários