por | 12 Dez, 2025 | Opinião

Há lugares que crescem em silêncio. Casais, em Lousada, é um desses sítios onde o ritmo de vida ainda se mede pelo som das portas que se abrem de manhã, pelos passos das crianças que vão para a escola e pelo cumprimento breve – mas sempre sincero – entre vizinhos que se conhecem há décadas. Porém, por entre esta tranquilidade rural, há um incómodo persistente, quase invisível para quem passa de fugida, mas evidente para quem vive aqui: a falta de acessibilidades.

Fala-se muito de desenvolvimento, inovação e modernidade, mas para muitos habitantes de Casais esses conceitos não passam de palavras bonitas que não chegam a provar o caminho estreito que liga a freguesia ao resto do concelho, ou Freguesia de Nespereira, onde está agregada. O problema não é novo. A estrada que deveria servir de ligação segura transforma-se, vezes demais, num percurso de paciência e preocupação. Passeios descontínuos, zonas sem iluminação, curvas apertadas e bermas que mais parecem uma sugestão do que uma estrutura são o dia-a-dia de quem circula a pé, de carro ou de bicicleta.

A verdade é simples: não se trata de luxo, trata-se de segurança. E segurança não deveria ser negociável.

Os moradores têm razão quando pedem “ mais e melhores acessibilidades”. Não é um capricho local. É uma reivindicação alinhada com aquilo que qualquer concelho moderno deseja – mobilidade digna, infraestruturas que sirvam as pessoas, e não que as afastem, e um território equilibrado onde todas as freguesias contam.

Porque contar não é aparecer num mapa, é ter condições para viver com qualidade.

O que se pede para Casais não é diferente do que se pede para qualquer comunidade com futuro: estradas cuidadas, passeios contínuos e rotundas onde façam sentido, e um olhar estratégico sobre o aumento de trânsito e do número de habitantes. O crescimento traz consigo responsabilidades – e ignorá-las apenas coloca mais peso nos ombros de quem ali vive todos os dias.

Talvez esta crónica sirva como lembrete, ou como aviso, ou simplesmente como voz escrita de quem tantas vezes não é ouvido. Casais merece acessibilidades à altura da sua gente: trabalhadora, resiliente e profundamente enraizada. Quando a estrada melhora, a vida também melhora – e essa é uma verdade que não precisa de estudos, apenas de vontade.

No fim tudo se resume a isto: falar de acessibilidades é falar de pessoas. E Casais, Lousada, tem-nas. Falta que as tenham em conta.

Nuno Ferreira

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Decorreu este fim de semana o VII Campeonato Nacional de «Bombeirinhos de Ferro», que é uma...

A CDU não pode deixar cair no esquecimento um problema que afeta diretamente a qualidade de vida...

PSD Lousada alerta para exclusão do Hospital Padre Américo do PTRR e critica falta de eficácia do projeto LINHAS

Lousada, 21 de maio de 2026 – O PSD Lousada, através da intervenção do seu representante Renato...

Professores Europeus em Lousada

Entre os dias 4 e 8 de maio de 2026, o Agrupamento de Escolas Dr. Mário Fonseca (AE Mário...

​A falta de civismo na deposição de lixo nos contentores é um problema visível em vários locais....

Há animais que quase toda a gente gosta à primeira vista. A joaninha é um deles. Pequena, redonda,...

Sousela é campeão de futebol distrital do INATEL

A Colectividade Recreativa e de Ação Cultural de Sousela (CRACS) venceu a Final Four da fase...

Lousadense Marco Silva é campeão pelo FC Porto

O jovem futebolista lousadense Marco Silva conquistou hoje o título de Campeão Nacional de...

Foi hoje inaugurado, na Escola Secundária de Paços de Ferreira, um projeto inovador e sustentável:...

Lousadense Beatriz Ferreira mobiliza comunidade para apoiar escolas em Cabo Verde

A solidariedade volta a ganhar voz em Lousada pelas mãos de Beatriz Ferreira, jovem lousadense que...

Siga-nos nas redes sociais