por | 12 Dez, 2025 | Espaço Cidadania, Sociedade

O aluno premiado em Portugal e no Estrangeiro, Diogo Pinto, de Sousela, é Técnico Especialista em Mecatrónica Industrial e em robótica. Acredita que o futuro passa pela automação, sobretudo em tarefas repetitivas ou de risco, e ambiciona evoluir e criar projetos seus como construir um AGV autónomo. Com o colega de origem italiana Loris Sgroj, ambos formados no CENFIM de Amarante, conquistaram a medalha de ouro em Robótica Industrial no EuroSkills Herning 2025, concurso realizado na Dinamarca. A dupla superou 12 equipas europeias e garantiu o lugar mais alto do pódio para Portugal.

Depois do 12.º ano em Ciências e Tecnologia, Diogo queria seguir Engenharia Informática, mas não conseguiu entrar na universidade. Inscreveu-se então em vários cursos técnicos, incluindo Mecatrónica Industrial, no CENFIM de Amarante, escolha que admite ter sido um acaso: “Candidatei-me porque algumas disciplinas me agradavam, mas nem sabia bem ao que ia.”

Hoje é Técnico Especialista em Mecatrónica Industrial, uma área que combina mecânica e eletrónica aplicada às máquinas: “Conseguimos desenhar peças, perceber reparações e ligar a parte mecânica à eletrónica. Já não existe nada totalmente mecânico.”

Inicialmente, Diogo não tinha fascínio pela indústria, mas durante o curso descobriu a robótica: “Tivemos uma disciplina de robótica industrial. Foi quando começou o fascínio. Programar um robô, definir pontos, carregar num botão e vê-lo fazer tudo… é gratificante.” A programação tornou-se a ponte natural entre o interesse inicial pela informática e a realidade industrial: “Na indústria, tudo tem de ser programável. Cada vez mais precisamos de recorrer à programação.”

O entusiasmo cresceu com a prática: “Onde trabalho, usamos muitos robôs. Somos líderes mundiais em máquinas que aplicam produtos nos pneus, e muitas vezes usamos o robô como PLC para controlar tudo. Já usamos visão artificial e agora até sistemas que aprendem com o tempo.” Para Diogo, o futuro é claro: “Todo o trabalho repetitivo pode ser feito por um robô. É uma área que está sempre a evoluir e na qual eu aposto muito.”

Integrado no mercado de trabalho, Diogo atua sobretudo com marcas como Continental, Michelin e Yokohama. Destaca que a robótica exige constante atualização: “Não podemos dizer ‘só sei fazer isto’ e ficar por aí.” Por isso, além da programação de robôs, investe em visão artificial — tecnologia que, nas suas palavras, “dá olhos ao robô”. Com este sistema, o robô consegue localizar objetos mesmo quando mudam de posição: “Sem visão, ele só vai buscar o cubo se estiver exatamente no sítio programado. Com visão artificial, percebe que já não está no ponto A, está no ponto B.”

PRÉMIO EUROPEU NA DINAMARCA

A trajetória competitiva de Diogo teve como primeiro ponto alto o concurso nacional CENFIM SKILLS, onde venceu à primeira participação. Depois triunfou em competições regionais e nacionais, enfrentando equipas estrangeiras. Pelo meio viveu semanas intensas de treino, simulando o ambiente competitivo, porque, como admite, “quem não treina, não chega lá”. O EUROSKILLS, em Setembro, foi o ponto alto até agora. Mas quer mais. “Foi uma experiência única e aconselho qualquer jovem a ir, se tiver oportunidade. É excecional”, declara Diogo Pinto.

O jovem venceu o prémio de Robótica em dupla com o colega Lóris, italiano a viver em Portugal há oito anos. O próximo grande desafio internacional será o Mundial em Xangai, marcado para setembro do próximo ano, etapa que poderá ainda disputar antes de ultrapassar o limite de idade da categoria.

Acredita que a robotização do quotidiano já está a acontecer: “Ainda não vemos humanoides num café, mas já há robôs a fazer tarefas simples”, como restaurantes em que AGVs entregam refeições autonomamente. Para ele, estes sinais mostram que “estamos a meio caminho de ver robôs integrados no dia-a-dia.”

Considera especialmente útil o uso de robôs em trabalhos de alto risco: “Num desabamento de mina ou numa soldadura subaquática, se um robô falhar perde-se dinheiro, não se perde uma vida.” Sobre o receio de perda de empregos, é pragmático: “O que é válido hoje amanhã pode já não ser. Quem não quiser aprender arrisca-se. Mas mesmo com inteligência artificial continua a ser preciso gente qualificada.”

Diogo deseja também expandir horizontes profissionais: “Ir lá fora é uma experiência que muda a forma de ver as coisas”, diz, acrescentando que o Japão é um dos países que mais o atrai na área da robótica. A relação com o trabalho é movida pelo gosto: “Trabalhar sem gostar do que se faz é meio caminho para correr mal. Eu gosto de experimentar, testar, criar.”

Entre os seus projetos pessoais está construir um AGV de raiz, capaz de mapear o espaço e deslocar-se autonomamente. No quotidiano, há exemplos de automação que já passam despercebidos, como aspiradores autónomos ou sistemas robóticos de farmácia com mecanismos Pick and Place. Na indústria, existem armazéns e processos de carga totalmente automatizados, mostrando como a tecnologia está cada vez mais integrada em tarefas diárias e profissionais. É o futuro…

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