por | 23 Dez, 2025 | Uncategorized

Nos últimos meses, os cidadãos de Lousada têm sido confrontados com um debate intenso  em torno do acesso aos cuidados de saúde no concelho. Entre anúncios públicos,  declarações políticas e protocolos assinados, importa distinguir a propaganda daquilo que,  na prática, serve – ou não – os utentes do Serviço Nacional de Saúde. Foi anunciado, com algum entusiasmo, a criação de um Centro de Atendimento Clínico  (CAC) no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Lousada. À primeira vista, a medida  parece positiva. Contudo, uma análise mais atenta revela limitações sérias que impedem este serviço de responder às reais necessidades da população de Lousada.

O acesso ao CAC é restrito, – funcionará: nos dias úteis, das 20h00 às 24h00, e aos fins de  semana e feriados, das 08h00 às 24h00, – condicionado ao encaminhamento pela Linha  SNS 24 ou pelo Serviço de Urgência da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa, e limitado a utentes classificados como pouco urgentes ou não urgentes, – utentes  classificados com as cores Verde (pouco urgente) ou Azul (não urgente -. Não cobrem de  forma adequada as necessidades da população, nem garantem uma resposta contínua.

Mais grave ainda é o facto de, fora deste enquadramento, os utentes do SNS, continuam a  serem obrigados a pagar consultas no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Lousada,  como se se tratasse de um hospital privado. Esta realidade contraria o princípio fundamental de universalidade e gratuitidade do SNS.

Não estamos perante uma verdadeira solução para os problemas de acesso à saúde em  Lousada, mas antes perante uma resposta limitada, insuficiente e, em certa medida,  enganadora. Enquanto isso, muitos lousadenses continuam a ser obrigados a deslocar-se  a Penafiel ou Amarante, enfrentando longos tempos de espera e dificuldades acrescidas  de transporte. Defender a saúde pública é defender a dignidade das pessoas. Lousada precisa de  respostas estruturais, duradouras e verdadeiramente públicas – e não de soluções avulsas  que falham a quem mais precisa.

A CDU-Lousada reafirma que não deixará de fazer ouvir a sua voz enquanto não forem  devidamente defendidos os interesses dos utentes do SNS, que corresponda às reais  necessidades da população do concelho. A CDU não pode, ainda, deixar de estranhar que, durante o debate do Orçamento do Estado  para o próximo ano, não tenha existido qualquer intervenção política por parte dos partidos  representados na Câmara Municipal de Lousada no sentido de assegurar verbas para a  construção de uma Unidade de Cuidados Continuados, destinada a acolher os doentes do  concelho de Lousada e de localidades limítrofes, evitando-se o sofrimento acrescido de  quem tanto contribuiu para o desenvolvimento do concelho e deslocações longínquas e  desnecessárias dos familiares dos doentes.

Lousada, 23 de Dezembro de 2025

Alberto Torres Ex-Candidato da CDU à Câmara Municipal de Lousada

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