Nos últimos meses, os cidadãos de Lousada têm sido confrontados com um debate intenso em torno do acesso aos cuidados de saúde no concelho. Entre anúncios públicos, declarações políticas e protocolos assinados, importa distinguir a propaganda daquilo que, na prática, serve – ou não – os utentes do Serviço Nacional de Saúde. Foi anunciado, com algum entusiasmo, a criação de um Centro de Atendimento Clínico (CAC) no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Lousada. À primeira vista, a medida parece positiva. Contudo, uma análise mais atenta revela limitações sérias que impedem este serviço de responder às reais necessidades da população de Lousada.
O acesso ao CAC é restrito, – funcionará: nos dias úteis, das 20h00 às 24h00, e aos fins de semana e feriados, das 08h00 às 24h00, – condicionado ao encaminhamento pela Linha SNS 24 ou pelo Serviço de Urgência da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa, e limitado a utentes classificados como pouco urgentes ou não urgentes, – utentes classificados com as cores Verde (pouco urgente) ou Azul (não urgente -. Não cobrem de forma adequada as necessidades da população, nem garantem uma resposta contínua.
Mais grave ainda é o facto de, fora deste enquadramento, os utentes do SNS, continuam a serem obrigados a pagar consultas no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Lousada, como se se tratasse de um hospital privado. Esta realidade contraria o princípio fundamental de universalidade e gratuitidade do SNS.
Não estamos perante uma verdadeira solução para os problemas de acesso à saúde em Lousada, mas antes perante uma resposta limitada, insuficiente e, em certa medida, enganadora. Enquanto isso, muitos lousadenses continuam a ser obrigados a deslocar-se a Penafiel ou Amarante, enfrentando longos tempos de espera e dificuldades acrescidas de transporte. Defender a saúde pública é defender a dignidade das pessoas. Lousada precisa de respostas estruturais, duradouras e verdadeiramente públicas – e não de soluções avulsas que falham a quem mais precisa.
A CDU-Lousada reafirma que não deixará de fazer ouvir a sua voz enquanto não forem devidamente defendidos os interesses dos utentes do SNS, que corresponda às reais necessidades da população do concelho. A CDU não pode, ainda, deixar de estranhar que, durante o debate do Orçamento do Estado para o próximo ano, não tenha existido qualquer intervenção política por parte dos partidos representados na Câmara Municipal de Lousada no sentido de assegurar verbas para a construção de uma Unidade de Cuidados Continuados, destinada a acolher os doentes do concelho de Lousada e de localidades limítrofes, evitando-se o sofrimento acrescido de quem tanto contribuiu para o desenvolvimento do concelho e deslocações longínquas e desnecessárias dos familiares dos doentes.
Lousada, 23 de Dezembro de 2025
Alberto Torres Ex-Candidato da CDU à Câmara Municipal de Lousada













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