por | 23 Fev, 2026 | Freguesias

Três meses depois de assumir a liderança da Junta de Freguesia de Santo Estêvão, o presidente Carlos Santos fez a O Louzadense um primeiro balanço do mandato. Nesta entrevista, fala dos desafios da desagregação de Lustosa, das prioridades para o território e da vontade de “devolver vida à freguesia”.

O presidente da Junta de Freguesia de Santo Estêvão descreve este início de mandato como “exigente, desafiante e de grande responsabilidade pública”. Um arranque marcado por muito trabalho, pela descoberta constante da realidade da freguesia e por entraves naturais de um novo projeto, agravados pelo facto de o processo de desagregação de Lustosa ainda não estar totalmente concluído aquando da tomada de posse.

Essa situação obrigou o executivo a concentrar esforços num trabalho burocrático rigoroso e minucioso, mais demorado do que inicialmente previsto. Ainda assim, o presidente sublinha que este período foi encarado não como um obstáculo, mas como uma oportunidade para conhecer profundamente a estrutura da Junta, identificar fragilidades e organizar a casa de forma sólida e transparente.

A opção política foi clara: avançar de forma ponderada, responsável e organizada, garantindo que todos os procedimentos legais estivessem regularizados antes de colocar a Junta em pleno funcionamento. “Preferimos construir bases firmes em vez de soluções apressadas”, afirma.

O processo de desagregação ficou totalmente regularizado no início do mês corrente, com a publicação do Mapa de Bens em Diário da República. Só a partir desse momento foi possível avançar para a resolução de questões pendentes, como a regularização da titularidade das viaturas, a rescisão e celebração de contratos de telecomunicações, eletricidade e outros serviços essenciais. Com esta etapa ultrapassada, o executivo sente-se agora mais preparado para responder às necessidades da população.

Apesar das expectativas iniciais, o presidente admite que surgiram algumas surpresas pelo caminho. Entre os principais entraves estiveram as dificuldades financeiras e a ausência ou indisponibilidade de materiais administrativos básicos, como o selo branco, carimbos e equipamentos necessários para a limpeza de ruas e bermas. Ainda assim, destaca o espírito de equipa, a dedicação e a união do executivo como fatores determinantes para ultrapassar esses constrangimentos.

Relativamente à separação com Lustosa, o balanço é positivo, apesar dos desafios. O processo exigiu diálogo, trabalho conjunto e consensos, sempre com o objetivo de encontrar soluções favoráveis para ambas as Juntas de Freguesia. “Conseguimos avançar de forma segura e estruturada, garantindo as melhores condições para todos os envolvidos”, refere.

Quanto à localização geográfica da freguesia, o presidente não considera que a distância ao centro da Vila de Lousada seja uma dificuldade significativa. Os acessos existentes e o facto de a maioria da população dispor de viatura própria facilitam as deslocações. Além disso, a futura rede de transportes “Linhas” deverá reforçar as ligações ao centro da vila e a municípios vizinhos, melhorando a mobilidade e o acesso a serviços.

CONCLUSÃO DO ALARGAMENTO DO CEMITÉRIO

Santo Estêvão encontra-se numa posição estratégica, praticamente equidistante de Lousada, Vizela e Felgueiras. Muitos residentes trabalham ou passam grande parte do dia nestes concelhos, o que influencia as suas rotinas. Ainda assim, o presidente recorda que, em 1998, a maioria da população decidiu, em referendo, permanecer integrada no concelho de Lousada, demonstrando a sua identificação com o território.

As prioridades para este mandato passam por devolver vida à freguesia e melhorar a qualidade de vida dos Estevenses, após um período de estagnação prolongado. Entre as ações previstas estão a limpeza de ruas e infraestruturas, a melhoria da segurança rodoviária e da sinalização, bem como a conclusão da ampliação do cemitério, uma obra iniciada pelo anterior executivo, mas que carece agora de regularização.

No campo social e educativo, estão em preparação o Movimento Sénior e a abertura da Creche municipal na Escola Básica do Carmo, que deverá atrair mais crianças e dinamizar a vida escolar da freguesia. Assim, a curto prazo, as intervenções mais urgentes passam pela conclusão da ampliação do cemitério e pelo melhoramento da rede viária, com especial atenção à Rua da Além e à construção de um muro de suporte na Rua do Belomonte. Estas obras estão a ser preparadas em articulação com o Município de Lousada.

Por fim, no que toca ao associativismo, o presidente destaca o papel ativo do GRDC de Santo Estêvão, com projetos em crescimento nas modalidades de andebol e futsal. Quanto ao campo de futebol, esclarece que é propriedade do clube e que não está prevista a colocação de relvado sintético. Ainda assim, a Junta mostra-se disponível para colaborar na melhoria das condições do espaço, contribuindo também para a continuidade de eventos como o Sunset, já uma referência na região.

Legenda da fotografia: o Presidente da Junta, Carlos Manuel Machado dos Santos, ao centro, a Secretaria Susana Cláudia Martins de Sousa, do lado direito, e a Tesoureira Ana Sofia Pereira, do lado esquerdo.

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