por | 5 Set, 2026 | Desporto

Entrevista Exclusiva com Fabien Pailler: “Ganhar em Lousada seria uma enorme surpresa, mas o futuro promete”

O Campeonato da Europa de Rallycross vai ter todos os focos apontados a Lousada no próximo fim de semana e, com ele, chegam os grandes nomes da modalidade. Estivemos à conversa com o piloto francês Fabien Pailler, que venceu a prova do passado fim de semana, no mítico circuito de Lohéac (França). O seu pai, Jean Luc Pailler, foi campeão europeu nesta modalidade na década de 1990 e a sua primeira vitória foi precisamente em Lousada em 30 de Abril de 1993. Nesta entrevista o filho diz que vai ser quase impossível vencer em Lousada no fim de semana que vem na também mítica Pista da Costilha, agora chamado de Circuito Internacional de Lousada.

O Louzadense (OL): Esta ida a Lousada traz-lhe uma exigência acrescida. Como antevê esta prova?
Fabien Pailler (FP): Não tenho muita experiência em pisos de terra e, além disso, não conheço o circuito, pois nunca lá andei. Por isso, sim, é certo que Lousada vai ser uma prova mais difícil para mim.

OL: Curiosamente, a primeira vitória do seu pai no Europeu de Rallycross foi precisamente em Lousada, em 1993. Acredita que pode repetir a história e alcançar o triunfo na Costilha?
FP: Honestamente, acho que vai ser muito complicado. Num circuito que não conheço, com condições que não me são favoráveis e perante uma oposição tão forte como a que temos no Campeonato da Europa — com equipas como a do Kristofferson —, não vale a pena estarmos a criar ilusões. Vamos chegar a um contexto totalmente desconhecido para nós. Seria uma enorme surpresa para mim se conseguisse vencer uma das duas jornadas do fim de semana.

OL: Quem pensa que estará mais forte na luta pela vitória em Lousada?
FP: Vai ser uma batalha muito renhida. Temos pilotos em que um é mais rápido, mas o outro arranca melhor, o que torna o campeonato muito disputado e emocionante. Um começa melhor, o outro recupera a desvantagem a seguir… Vai depender muito do desenrolar das corridas. Acho que a chave vai estar no desempenho do Kristofferson em Lousada. Se ele conseguir fazer bons arranques e sair na frente, será muito, muito difícil de bater.

OL: Olhando já para o próximo ano, acredita que a equipa poderá apresentar-se mais forte e melhorar os resultados no campeonato?
FP: Acho que sim. No início desta temporada cometemos o erro de não ter tido tempo de enviar os motores para a Prodrive a tempo. Era fundamental que eles fizessem um mapeamento completo do motor ajustado ao novo combustível, porque a eletrónica estava programada para rodar com o combustível P1 dos anos 2018 e 2019. Antes de a época começar, ainda fizemos alguns ajustes rápidos no mapa eletrónico, mas foi sobretudo em pista, em pleno andamento, e não tivemos tempo de fazer uma afinação profunda no banco de potência. Mas agora, após o final da temporada, foi exatamente isso que a Prodrive fez.

OL: O motor foi então totalmente revisto em laboratório após o final do campeonato?
FP: Sim, levámos os motores à Prodrive logo após o término da época e eles dedicaram todo o tempo necessário para fazer um mapeamento completo no banco de potência, já com o combustível que utilizámos este ano. É claro que, para o próximo ano, vamos conseguir limar todas as arestas desta temporada. Agora conhecemos o carro muito bem, sabemos como funciona e o que é preciso fazer para que tenha a melhor performance. Pior do que este ano não será, por isso a próxima temporada tem de ser, sem dúvida, melhor.

OL: O seu pai [Jean-Luc Pailler] foi um grande campeão francês e europeu de Rallycross. Considera-o o seu melhor professor na pilotagem?
FP: Bem, na verdade, ele nunca me ensinou propriamente a pilotar. Acho que acontece o mesmo com o Timmy Hansen, com o Johan Kristofferson ou com todos os que cresceram no Rallycross e têm pais que foram pilotos. Quando somos crianças e passamos a vida nos paddocks, aprendemos por envolvimento, de forma passiva. De tanto olhar para os carros, de acompanhar o trabalho nas oficinas e nos paddocks, passamos a perceber perfeitamente como tudo funciona. E, um dia, quando começamos a nossa própria carreira, as coisas simplesmente saem naturalmente. Pessoalmente, quando era mais jovem, também passei imensas horas em simuladores, e acho que aprendi imenso aí.

OL: No Europeu de Rallycross, esta ligação de “pais e filhos” que vemos na vossa família e na do Kristofferson é um caso único ou existem mais dinastias no paddock?
FP: Não, existem várias “dinastias”. Temos também o Robin Larsson, cujo pai [Per Larsson] corria diretamente contra o meu pai. Há o Timmy Hansen e o Kevin Hansen, filhos do Kenneth Hansen. E temos o Liam Doran, cujo pai [Pat Doran] também correu. São várias gerações envolvidas. Devo estar a esquecer-me de algum nome, mas esta lista já demonstra bem a tradição familiar do Rallycross.

OL: Para terminar, qual é o plano de viagem da equipa para Lousada?
FP: O nosso camião e o semi-reboque partem já amanhã com os carros e todo o material mecânico, pelo que deverão chegar à pista na quarta-feira. Nós, os pilotos e a restante estrutura, apanhamos o avião na quarta-feira e chegaremos no mesmo dia.

O piloto francês Fabien Pailler corre com um Renault Mégane RS RX no Campeonato Europeu de Rallycross (Euro RX1). Anteriormente na sua carreira, foi bicampeão francês de Rallycross e obteve o vice-campeonato europeu de 2021, ao volante de um Peugeot 208 WRX / RX1.

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