O novo treinador da AD Lousada, em entrevista exclusiva ao Louzadense, antevê o arranque da Decathlon Liga Pro da AF Porto e assume a ambição de lutar pelos três pontos em todos os jogos. Não se coloca entre “os 7 ou 8 candidatos à subida”, mas diz que entre os 18 clubes da competição o Lousada pode ser um outsider: “Temos um grupo que pode surpreender neste campeonato”
Aos 36 anos, João Silvestre, natural de Novelas, assume pela primeira vez o comando técnico da Associação Desportiva de Lousada. Depois de uma época de destaque ao serviço do Várzea, na qual discutiu a subida na divisão Elite com o Freamunde, o treinador dá agora um novo passo na carreira, chegando a um campeonato mais exigente.
Na antevisão exclusiva ao Louzadense, João Silvestre fala da construção de um plantel praticamente novo, das dificuldades de uma preparação iniciada mais tarde do que o desejado e de um campeonato que considera “fortíssimo”, com vários candidatos aos primeiros lugares. O primeiro desafio está marcado para este domingo, diante do Aliança de Gandra.
“Estamos a trabalhar no sentido de construir um grupo competitivo”
Louzadense — Como está a AD Lousada preparada para o início do campeonato, este domingo, frente ao Aliança de Gandra?
João Silvestre — Antes de mais, quero agradecer esta entrevista. Estamos a trabalhar no sentido de construir um grupo competitivo, um grupo capaz de, em todos os jogos, lutar pelos três pontos. Essa é a nossa ambição para esta época.
É uma época atípica, como toda a gente sabe. O clube não ficou no grupo da Liga na época transata, portanto é um desafio difícil, mas é um desafio que encaramos de frente e acreditamos que vamos ter sucesso.
Não viemos para Lousada para nos agarrarmos às desculpas. Temos é de apurar o jogo da equipa, encontrar soluções e foi nesse sentido que começámos a trabalhar desde o primeiro dia.
Começámos a preparar a época já um bocadinho em cima da hora, mas, como lhe disse, sempre à procura das melhores soluções. Penso que encontrámos aqui um grupo que vai ser capaz de dignificar esta camisola e este símbolo e que, certamente, em cada jogo vai dar tudo de si para conquistar os três pontos e, se não for possível, para trazer sempre pontos para Lousada. É isso que estamos sempre a fazer.
“A construção de uma equipa e a criação de novas ideias leva o seu tempo”
Louzadense – Quais são, neste momento, as principais potencialidades e fraquezas da equipa?
João Silvestre — Eu diria que o facto de ser um grupo todo novo dificulta um bocadinho o desenvolvimento do nosso trabalho, porque a construção de uma equipa e a criação de novas ideias leva o seu tempo.
E há potencialidades? Claro que sim. Mas, só para terminar a minha linha de pensamento, isto leva o seu tempo e, obviamente, num contexto em que todas as semanas vai entrando gente nova e vai saindo gente, foi um bocadinho aquilo que nos aconteceu este ano. Tivemos de andar quase um bocadinho em captações, não é? Isso dificulta um bocadinho a nossa tarefa.
Agora, como lhe disse, acho que conseguimos criar aqui um grupo, ainda que curto, com gente de qualidade, gente que traz valor e gente que eu acho que pode surpreender neste campeonato.
É um campeonato, na minha opinião, muito nivelado por cima. Acho que vai ser um campeonato fortíssimo, mas estamos prontos. Estamos prontos para ir à luta.
Temos uma ala jovem com muito potencial e acredito que ainda precisamos de mais uma ou outra peça. Vamos ver se conseguimos ou não. Também não queremos trazer por trazer: queremos trazer gente que realmente venha acrescentar valor. Mas, se não vier, cá estaremos para a luta e vamos estar prontos.
“Para os primeiros lugares há seguramente oito ou nove candidatos”
Daquilo que conhece da preparação das outras equipas, qual é a sua perspetiva para este campeonato? Falou num campeonato muito nivelado por cima e com vários candidatos à subida.
João Silvestre — Eu acho que é um campeonato nivelado por cima e é fácil perceber porquê. As equipas que subiram de divisão são candidatas à subida, na minha opinião, e isso aumenta logo o nível do campeonato. Estou a falar do Freamunde e do Baião.
Normalmente, o que acontece é que as equipas que sobem de divisão lutam pela manutenção. Neste caso, acho que isso, em teoria, não acontecerá, porque são duas equipas muito fortes, dois plantéis muito bem apetrechados. Portanto, o nível médio do campeonato sobe automaticamente.
Se acrescentarmos aí as duas equipas que chegaram do Campeonato de Portugal, muito fortes, como o São Martinho, que manteve a sua grande base, portanto, um plantel fortíssimo, e uma equipa como o Marco, que manteve praticamente toda a sua linha defensiva e se reforçou muito bem, e que é uma equipa que investe sempre bastante todos os anos, temos aí mais duas equipas fortíssimas e com grande tradição.
A juntar a outros tantos, eu diria que para os primeiros lugares há seguramente oito ou nove candidatos. Portanto, vai ser um campeonato muito forte. Mas, como lhe digo, não nos agarramos às desculpas. Vamos lutar com todos os adversários, sejam eles quem forem, seja em que campo forem. Vamos fazer o nosso melhor e vamos entregar tudo de nós.
“Tenho a certeza de que as coisas vão correr bem e vamos dignificar este campeonato”, concluiu João Silvestre.
Domingo, às 17 horas, no estádio municipal de Lousada equipa local recebe o Aliança de Gandra, de Paredes, que curiosamente contratou no final da época passada o jogador Rafinha, que foi considerado pelo painel de convidados d’OLOUZADENSE como o melhor jogador da ADL em 2025-26.
Também chamamos a atenção para o desafio que começa às 16 horas de domingo, o Freamunde – Aparecida, um derby regional que também está a ser aguardado com grande expectativa. Este jogo vai ser transmitido pela ABola TV.














Comentários