A Mata de Vilar não é um luxo. A Torre de Vilar também não. Ambas fazem parte da nossa história, da nossa memória e da identidade de Lousada.
Há mais de 60 anos, os miúdos do Torno (Senhora Aparecida) e de Vilar do Torno frequentavam a mesma escola, situada no lugar de Espanha, percorriam os mesmos caminhos e tinham na Mata de Vilar um espaço de liberdade e de contacto com a natureza. Era um tempo em que rapazes e raparigas tinham a sala de aula e o recreio separados.
Era na Mata de Vilar que íamos buscar lenha para os fogões da escola, ajudando a aquecer as salas de aula nos dias frios. Era também ali que fazíamos grandes correrias, desafiando a resistência uns dos outros. Por vezes, perdíamos a noção do tempo e chegávamos atrasados à escola. Apesar da “invasão” dos miúdos, nunca causámos qualquer dano àquele maravilhoso património do concelho de Lousada.
As professoras, muito disciplinadoras, não perdoavam esses atrasos. Recordo a D.ª Elisa e, muito particularmente, a D.ª Ester, que foi a minha única professora. Apesar da disciplina férrea, guardo dela, acima de tudo, respeito e saudade.
A Mata de Vilar, onde foram investidos milhares de euros pelo Município de Lousada, faz parte das nossas memórias. Mas deve também fazer parte do nosso presente e do nosso futuro.
Hoje, a Mata de Vilar, um dos importantes espaços verdes do concelho, encontra-se praticamente fechada ao público. É frequente ver pessoas a caminhar na estrada adjacente à Mata, quando poderiam estar a usufruir daquele espaço.
Situação semelhante acontece com a Torre de Vilar, um dos mais importantes monumentos históricos de Lousada. Lembro-me de, quando era criança e frequentava a escola primária, ver a Torre abandonada, com lixo e silvas no seu interior. Entretanto, foram realizados importantes investimentos na sua recuperação e valorização, dignificando aquele monumento. Não se compreende, por isso, que se encontre fechado e que o terreno à sua volta esteja, por vezes, mal cuidado.
Mas hoje coloca-se uma pergunta simples: de que serve recuperar e investir no património se, depois, ele permanece fechado às populações?
Compreendemos que a abertura destes espaços exige organização, meios humanos e manutenção. Mas aquilo que não podemos aceitar é que a falta de uma estratégia política transforme património público em património de portas fechadas.
Quando a Mata de Vilar foi adquirida, em 2010, estavam previstas, entre outras iniciativas, a criação de um parque biológico, de um parque para autocaravanas e de um centro de formação profissional na área da restauração, destinado à formação de chefes de cozinha e profissionais dos setores da hotelaria e do catering.
A Mata de Vilar e a Torre de Vilar devem estar ao serviço da população de Lousada, das nossas crianças e jovens, das famílias, das escolas, das associações e também de quem nos visita.
Pelo menos durante os meses de verão, deveriam existir condições para que estes espaços pudessem ser regularmente usufruídos pela população e pelos visitantes.
A CDU considera que investir no património é importante, mas garantir a sua utilização pública é igualmente fundamental. Não queremos património apenas para fotografar, inaugurar ou apresentar em folhetos turísticos. Queremos património vivo, aberto e ao serviço das pessoas.
Por isso, perguntamos à Câmara Municipal de Lousada:
Para quando a abertura da Mata de Vilar e da Torre de Vilar?
E, se não podem estar abertas durante todo o ano, por que razão não são criadas condições para a sua abertura regular, pelo menos durante os meses de maior procura?
A Mata de Vilar e a Torre de Vilar não são luxos. São património, são memória, são identidade e são de todos nós.
A CDU defende uma política de património ao serviço das populações.
Lousada merece mais: património aberto, vivo e acessível a todos.
Lousada, 17 de Setembro de 2026
Comissão Concelhia da CDU – Lousada













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