Há freguesias que se limitam a existir no mapa. E há freguesias que têm a ambição de marcar o mapa.
Lustosa é uma delas.
Quem conhece Lustosa sabe que ali existe uma característica que não se decreta nem se compra: bairrismo. Um sentimento profundo de pertença, de defesa da terra e de vontade de fazer mais pela comunidade.
Mas Lustosa tem hoje algo mais importante: tem território, tem património, tem recursos, tem identidade e, sobretudo, tem uma junta de Freguesia com visão, ambição e tenacidade.
Uma junta que percebeu que governar uma freguesia não pode significar apenar gerir o quotidiano. É preciso pensar o futuro.
E é precisamente aqui que começa p verdadeiro desafio político.
Lustosa tem dimensão territorial para ser muito mais do que uma freguesia residencial. Pode afirmar-se como um dos espaços estratégicos para o desenvolvimento económico de Lousada, atraindo investimento, criando condições para a instalação de empresas e valorizando uma localização que pode ser decisiva para o crescimento sustentável do concelho.
Tem também uma riqueza que muitos territórios procuram construir artificialmente: património, paisagem e potencial ambiental.
Num tempo em que a sustentabilidade deixou de ser uma palavra bonita para passar a ser uma exigência económica, social e politica, Lustosa pode assumir-se como um território de referência no turismo ambiental, na valorização da paisagem, na promoção dos percursos pedestres, na fruição da natureza e na ligação entre património, ambiente e economia local.
Mas para isso é preciso visão.
E é justo reconhecer que a junta de Freguesia tem demonstrado essa visão.
Uma junta que não se resigna ao “sempre foi assim”. Uma junta que procura puxar pelas forças da sua terra, que identifica oportunidades e que percebe que o desenvolvimento de Lustosa será tanto maior quanto maior for a sua capacidade de se afirmar dentro da estratégia global do concelho.
Esse trabalho merece reconhecimento.
Mas merece também uma resposta.
Porque uma junta de Freguesia pode ter visão. Pode ter vontade. Pode ter capacidade de mobilização. Pode ter tenacidade.
Mas há investimentos, decisões estruturantes e políticas de escala que só o Município consegue concretizar.
E é aqui que Lousada tem de ir mais longe.
Se Lustosa é uma porta de entrada no concelho, então essa porta não pode continuar a ser tratada apenas como uma passagem. Tem de ser encarada como uma oportunidade.
Uma oportunidade para pensar novas áreas de localização empresarial.
Uma oportunidade para criar condições para a atração de investimento.
Uma oportunidade para valorizar o património e o território.
Uma oportunidade para transformar a potencial ambiental em atividade económica sustentável. Uma oportunidade para criar uma verdadeira estratégia de turismo de natureza. Uma oportunidade para afirmar Lustosa como território complementar e indispensável à dinâmica económica e turística de Lousada.
O Município deve olhar para Lustosa não apenas com a lógica administrativa de uma freguesia que precisa de respostas, mas com a visão estratégica de um território que pode dar respostas ao próprio concelho.
Essa mudança de olhar faria toda a diferença.
Porque desenvolver Lustosa não é tirar recursos a outras freguesias. É aumentar a capacidade de Lousada.
É criar riqueza. É atrair pessoas e empresas. É valorizar património. É proteger e aproveitar melhor os recursos naturais. É gerar novas oportunidades para os jovens. É reforças a competitividade do concelho.
E é, acima de tudo, perceber que um município de primeira linha não se constrói apenas no seu centro. Constrói-se quando cada uma das suas freguesias consegue colocar o seu potencial ao serviço de uma estratégia comum.
Lustosa tem forças.
Tem território. Tem identidade. Tem património. Tem comunidade.
E tem uma junta que demonstra querer fazer acontecer.
Agora, o desafio é maior.
Cabe ao Município acompanhar essa ambição.
Cabe-lhe transformar ideias em estratégia, estratégia em investimento e investimento em desenvolvimento.
Porque quando uma freguesia mostra que quer andar para a frente, o poder municipal não deve limitar-se a acompanhar. Deve abrir caminhos.
Lustosa não pede privilégios. Pede visão.
Não pede tratamento especial. Pede que o seu potencial seja reconhecido.
Não pede que o Município faça tudo. Pede que o Município faça aquilo que uma freguesia, por si só, não consegue fazer.
E talvez esteja aqui uma das grandes oportunidades de Lousada para os próximos anos: pegar na força das suas freguesias e transformá-la numa força coletiva de todo o concelho.
Lustosa pode ser exemplo disso.
Uma freguesia com bairrismo suficiente para defender a sua identidade, mas com ambição suficiente para perceber que o seu futuro está ligado ao futuro de Lousada.
Uma junta com visão para apontar o caminho.
E um Município com a responsabilidade de não deixar essa visão pelo caminho.
Lustosa está pronta ara dar mais.
A pergunta é simples: Estará Lousada para ir com Lustosa mais longe?
Nuno Ferreira – TSD Lousada













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