Coincide a presente edição com a celebração do Dia da Europa, comemorado todos os anos a 9 de maio, para celebrar os ideais de paz e unidade do continente europeu.
A Europa, ao longo da história recente, tem sido um farol de progresso, democracia e cooperação. O projeto europeu emergiu das cinzas da Segunda Guerra Mundial, comprometendo-se com a reconciliação, a solidariedade e a integração económica e política. No entanto, nos dias de hoje, podemos dizer que a Europa se encontra numa encruzilhada diplomática, social, económica e, porque não dizê-lo, estratégica.
Uma Europa que nos habituou, através do seu modelo social, a altos padrões de proteção social e bem-estar, mas descurou continuamente uma estratégia para impulsionar um modelo produtivo. A falta de estratégia, investimento e inovação no setor produtivo tem limitado o seu crescimento económico e competitividade, ficando exposta aos mercados asiáticos e orientais. A influência, para não dizer imposição, dos grandes países europeus em questões como políticas fiscais, comércio e regulação financeira, tem servido mais o seu próprio interesse económico, que a riqueza global europeia, principalmente dos países de menor escala. Veja-se, p.e., ao nível do fabrico de automóveis ou definição de quotas em setores produtivos nacionais. O que aconteceu à nossa agricultura, pesca e indústria?
Internamente, tem-se assistido a divisões crescentes entre os estados-membros sobre questões como migração, economia e valores democráticos. O Brexit expôs uma fragilidade económica e política e a Guerra na Ucrânia revelou debilidades políticas, de estabilidade e de segurança. Em consequência, estes acontecimentos recentes têm provocado uma resposta fragmentada e inconsistente por parte da UE, apresentando um desafio significativo para a unidade e coesão do continente. Externamente, hoje, a Europa está muito mais exposta a pressões geopolíticas e globais, desde a firmeza e autoconfiança russa às incertezas decorrentes das mudanças na liderança global.
“Quo vadis” Europa? O caminho a seguir é desafiador. Nada melhor que aproveitar este mês que medeia o Dia da Europa (9 de maio) e o Dia das Eleições Europeias (9 de junho) para refletir e discutir questões como migração, economia, segurança, ambiente e valores democráticos, entre outros. Entre os desafios internos e externos que a Europa enfrenta, a oportunidade destas eleições é crucial para influenciar diretamente o rumo político da Europa e reafirmar os valores e princípios que definem a UE, como sejam a democracia, os direitos humanos, o Estado de direito, a solidariedade e a qualidade de vida dos europeus. Deixar de lado as hipocrisias políticas antieuropeias, para dar força à coesão social e económica, adaptação e reinvenção do projeto europeu, como um dos maiores trunfos da nossa história coletiva recente.













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