Tipologias – XIV | Pedra de Armas
A pedra de armas, nem sempre presente, na fachada da casa, capela e torre, «personifica não só um estatuto social como privilégios concedidos diretamente pela realeza.»1 E tem um carácter eterno até pela escolha do próprio material, o granito, testemunho «quase perpétuo da linhagem dos seus proprietários que deixam na rocha a genealogia da família e as respetivas alianças.»2 A esta pedra é associada a própria casa que, não raro, fica também conhecida pelo nome da família que a habita há várias gerações: «Exibição de posição e poder, o escudo assume agora um valor de memória de uma sociedade e uma forma de viver que se extinguiu.»3

Com o séc. XVIII assistimos ao aparecimento de frontões nas fachadas para exibir a pedra de armas, geralmente ricos de decoração no paquife e com escudo de forma abaulada.


Casas de Alentém e Quintã: Pedras de armas, 2006.
As casas de Vila Verde, da Quintã e da Lama exibem a respetiva pedra de armas na fachada principal da capela. No frontão que coroa a fachada principal, aparecem cravadas as pedras de armas nas residências de Alentém, Ronfe, Bouça e Porto. Enquanto a pedra de armas da casa de Juste encima a cornija da fachada Oeste e em Rio de Moinhos está colocada no segundo andar do torreão da fachada principal. As armas de S. Francisco, na casa do Outeiro, vislumbram-se na face da torre, na fachada Sul.

A pedra de armas da capela da casa da Lama encima o portal, enquanto o da Quintã está colocado no centro da empena; e o de Vila Verde aparece adossado ao painel, entre dois óculos. Todos estão colocados no centro do frontão, com a particularidade de Juste apresentar duas pedras sobrepostas; e de em Rio de Moinhos estar colocado entre duas janelas de lintel curvilíneo, molduradas. As armas que se acham na torre da casa do Outeiro são de S. Francisco.

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1 – Eram nobilitados facilmente os senhores de casas nobres e com vastas terras, com grandes quintas, em Portugal, tal como no Brasil, os senhores de engenho, já que deles “ só se fala com consideração.” PIRES, Fernando Tasso Frogosso – Fazendas: as grandes casas rurais do Brasil. Nova Iorque [etc]: Abbeville Press Publishers, 1995, p. 11. Cit. por FAUVRELLE, Natália – o. c., p. 78.
2 – MARTINEZ – BARRETO, Carlos – Torre, pazos y linajes de la província de la Coruña. Leon: Editorial Everest [1986], p.10, Cit. por FAUVRELLE, Natália – o. c., p. 77.
3 – MARTINEZ – BARRETO, Carlos – o. c., p. 11. Cit. por FAUVRELLE, Natália – o. c., p. 77.
Obras consultadas:
1 – FAUVRELLE, Natália – Quintas do Douro. As Arquiteturas do Vinho do Porto. Cadernos da Revista Douro – Estudos Monográficos. Porto: GHEVID, 2001.
2 – MARTINEZ – BARRETO, Carlos – Torre, pazos y linajes de la província de la Coruña. Leon: Editorial Everest [1986].
3 – SILVA, José Carlos Ribeiro da – As Capelas Públicas de Lousada. Seminário de Licenciatura em História-Variante Património. Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Policopiada). 1997.
4 – NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – A Heráldica De Família No Concelho De Lousada. Aditamento a “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959). Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 1999.
5 – NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – Pedras De Armas Do Concelho De Lousada (Heráldica De Família). Porto: Edição da Junta De Província Do Douro Litoral, 1959.
José Carlos Silva
Professor / Historiador













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