“PRATA DA CASA” NÃO VAI FAZER O MODA LOUSADA ’24
Longe vão os tempos em que a associação dos comerciantes locais organizava o desfile de moda de Lousada. Embora estivesse previsto no plano de atividades da Associação Empresarial de Lousada (AEL), o desfile de moda Outono-Inverno vai ser realizado pela Impact Models, uma firma de Santa Maria da Feira. Foi contratada pelo Município de Lousada, que vai pagar 14.760 euros. O evento está agendado para 14 de setembro na avenida Senhor dos Aflitos. A inscrição e seleção de modelos para desfilar terminou hoje, no Espaço AJE.
Entretanto, parece que o projeto estava a ser preparado por outra firma, a Lipa Models Agency, de Felgueiras. Esta diz-se ultrapassada “por favorecimento do Município” à IMA-Impact Models. O signatário da Lipa Models, Carlos Rodrigues, manifestou-se na sua página pessoal do Facebook contra “algumas pessoas que trabalham na Câmara Municipal de Lousada (…)” e acrescentou “que me deixam envergonhado”.

O mesmo explica que apresentou “um projeto em Fevereiro deste ano em colaboração com uma colega (…)” com objetivo de “dinamizar o mundo da moda em Lousada” e “vimos as portas fechadas”, declara Carlos Rodrigues. Este refere também que a entidade que representa não ia cobrar qualquer quantia, enquanto a sua concorrente supostamente o iria fazer.
Também ultrapassada foi a Associação Empresarial de Lousada (AEL), mas neste caso “por desistência”. Era um objetivo que estava previsto pelos diretores desta entidade corporativa do comércio lousadense, mas a AEL saiu da corrida à realização do evento. Recorde-se que entre 2009 e 2014 houve em Lousada uma entidade idêntica, a ADIEL – Associação para o Desenvolvimento Integrado e Económico de Lousada, que organizou diversos desfiles deste género, alguns com grande impacto socioeconómico. A presidente da AEL, Elisabete Ribeiro disse ao O Louzadense que “estamos a colaborar com o Município e com a empresa que vai realizar o desfile, incentivando os nossos associados a participar, pois nós não tínhamos capacidade para o fazer”.
Desta vez, o Município enveredou pelo ajuste direto à empresa Desfile de Sons, Unipessoal Lda. Lda, detida por Paulo Moisés, proprietário da marca Impact Models, a concessão da produção do desfile, por 12 mil euros, acrescidos de IVA. Contactado o seu manager, Paulo Moisés, disse-nos num telefonema “desconhecer qualquer concorrência na corrida à realização deste desfile”. E assegurou-nos que “não será cobrada qualquer verba, nem a modelos nem a comerciantes”.

Da parte do Município, auscultamos a posição da vereadora Maria do Céu Rocha, que começou por dizer que “nunca houve disputa entre duas entidades na realização do referido evento” e referiu desconhecer a existência da “Lipa Models Agency”. Em contrapartida referiu que “há uns meses, tivemos oportunidade de reunir com a Impact Models, analisamos o seu portefólio e constatamos a sua vasta experiência em desfiles promovidos por várias autarquias”.
EVENTO INCLUSIVO E GRATUITO
Outro dos motivos da escolha daquela entidade para produzir o desfile foi a sua experiência em “aliar o comércio e indústria numa área tão relevante como é a que temos em Lousada, mas também tornar a iniciativa inclusiva com jovens e utentes das IPSS’s e dos movimentos seniores do concelho”.
A vereadora reconhece que “numa primeira fase, a Associação Empresarial de Lousada (AEL) ponderou fazer um desfile junto ao Mercado Municipal e, após ter auscultado os sócios, deram-nos conhecimento de que não iam avançar com a atividade, mas que certamente teria merecido o nosso apoio”.
Também a autarca referiu que o evento “é gratuito para os comerciantes e industriais” e destacou que “o nosso objetivo é promover o comércio tradicional, enfatizando o vestuário e calçado, criar oportunidades de exposição e de venda dos produtos, promover a inclusão e proporcionar um momento de lazer aos Lousadenses”.
Sobre o custo de 12 mil euros “engloba toda a organização e produção do evento, castings para conhecerem os modelos, workshops de técnicas de passerelle, workshops de maquilhagem e workshops de técnicas de comportamento corporal a todos os participantes, que, até à data, já são mais de 60 pessoas envolvidas”, as quais “não vão pagar nada e poderão usufruir dos workshops mencionados”.













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