“Ai que Saudades que estas coisas me dão! Eu quero ir contigo ao Torrão!” – Este seria, certamente, um jogo de frases ditas por qualquer homem ou mulher Lousadense no início do século XX. Por assim ser, acho que foi perfeita a inserção das mesmas na música “Adozinda” de Luís Couto e Zé Maria, incluída na peça “Saudades, Saudades!”, que no passado sábado e domingo subiu ao palco do Auditório Municipal de Lousada.
Perfeita foi também a encenação e atuação dos cerca de 30 atores Lousadenses de diversos grupos de teatro amador de Lousada. Ao público, permitiu uma viagem única pela história de Lousada, realizando um retrato fidedigno da história da nossa terra e da sensação única do que é sentir-se Lousadense.
Sem ter vivido naquela época, a peça permite-nos criar memórias ilusórias e faz-nos sentir saudades de um tempo que não experimentamos efetivamente. Mas quem nunca deu por si a inserir-se nas vindimas de antigamente? Ou nos bailes realizados na Assembleia Lousadense? Ou até nas idas ao mercado ou à feira do Torrão?
É comum certamente pensarmos porque gostamos tanto de algo. É comum sentir saudades do que nos é querido, apenas até quando nos afastámos durante um curto período de tempo. Sentir saudades de Lousada é um sentimento que cada Lousadense sente naturalmente, mesmo sem saber explicar muito bem o porquê e de onde vem esse sentimento tão forte e único.
Foi isso que Augusto de São Boaventura tentou expressar no livro que deu mote à junção destes amantes da nossa Vila e que tão bem revelaram e representaram!
Com as devidas diferenças, assistir à peça “Saudades, Saudades!” fez-me lembrar de uma outra peça assistida há cerca de 20 anos, levada a palco pela companhia Jangada Teatro, de seu nome “Zé do Telhado”. Se a memória não me atraiçoa, a peça foi levada a cena imensas vezes, permitindo a milhares de Lousadenses assistir e regozijar-se com a mesma.
Desejo igual possibilidade à peça agora em análise, encenada por Fernando Moreira. Conhecer a nossa história permitir-nos-á perceber do que somos feitos, do caminho que os nossos antepassados percorreram para chegar até aqui. Permitir-nos-á ser melhores no futuro enquanto membros de uma sociedade em evolução e com necessidade de preservação de um espírito comunitário vivo e expedito.













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