FORMAR FUTEBOLISTAS E HOMENS (PARTE 1)
O futebol jovem está com grande dinâmica no concelho. Há milhares de rapazes e raparigas a praticar a modalidade, desde os Infantis aos Juniores. Para divulgar o trabalho que tem vindo a ser feito nos diferentes clubes e respetivos escalões etários, o jornal O Louzadense inicia hoje a publicação de reportagens, começando pelos Juniores da Associação Desportiva de Lousada (ADL).
Os pais e mães estão por trás de um fenómeno que se expande a olhos vistos no concelho. Os clubes por norma são formados por diretores que gostam de futebol e que pretendem fomentar a modalidade, além de proporcionar desporto e associativismo à freguesia. Mas com o tempo os pais (e mães) vão levar os filhos aos treinos e aos jogos e vão ficando para ajudar nisto ou naquilo que o clube precisa. E desta forma também eles se tornam dirigentes formais.
Esta dinâmica social está bem presente na maioria dos clubes locais, como a ADL. Neste clube, o escalão de Juniores está a surpreender com as duas equipas (A e B) na luta pelos lugares cimeiros das respetivas provas. Um dos obreiros disto é José João Alves Lopes, mais conhecido por Zé Lopes, treinador dos jovens e jogador da equipa sénior.
Como treinador iniciei em 2019, no Lixa, passando depois pelo Freixo e agora está no segundo ano no Lousada, que está a apostar forte nas camadas jovens: “os dirigentes oferecem condições bastante boas, as infra-estruturas são fantásticas, já oferece transporte a muitos atletas e tem bons treinadores. Cada vez mais miúdos são atraídos para o clube e isso é um sinal de que as coisas estão a ser feitas de forma correta”.
Aos 33 anos, este antigo internacional sub19 entende que na formação “o mais difícil é lidar com o comportamento dos jogadores, enquanto grupo e depois em termos individuais, pois todos estão à procura de uma oportunidade para jogar ou até de serem convocados”.
O envolvimento dos pais está muito presente ao nível da formação, no acompanhamento dos filhos. Isso por vezes pode suscitar problemas quando a emoção fala mais alto. Diz Zé Lopes diz que “para mim os pais não são um problema, pois inicialmente coloco tudo em pratos limpos. A minha ligação a eles é curta e apenas me dirijo a eles ou eles a mim para falar em questões que não sejam de futebol”.
Há um nível especial de exigência nos Juniores, que é o patamar anterior ao futebol adulto ou mais a sério e até profissional. Lidar com essa pressão, os sonhos e os projetos dos jogadores, também é um papel do treinador: “todos os dias lhes incuto o sonho de ser jogador de futebol, é o melhor que há, não deixando para trás a sua vida académica ou respetivos trabalhos no momento”.

HÁ MELHORES CONDIÇÕES
Há quem jogue futebol nas camadas jovens com o propósito de praticar um desporto e estar com amigos, ocupar o tempo livre, e outros como objetivo de fazer carreira no futebol. Sobre o potencial dos jogadores que tem neste momento às suas ordens, Zé Lopes diz que “o grupo é bastante bom, mas nem todos vão ter o mesmo grau de aproveitamento, é tudo uma questão de mentalidade. O meu papel é de treinador mas sem dúvida que lhes tento mostrar as vantagens de levar este desporto a serio, pois também venho de fazer uma carreira profissional como jogador mesmo que em patamares mais baixos”. O treinador sublinha que é “o mais sincero possível com eles, dizendo que muitos não vão conseguir, mas o facto de conseguirem criar uma rotina, disciplina e estabelecer objetivos no futebol vai ajudá-los nas tarefas da vida, seja em que área for”.
Numa lógica de potenciar o coletivo em vez do individual, Zé Lopes sublinha que preocupa-se “em explicar que o futebol é para todos e não apenas para um, sendo que sobressaindo o coletivo irão sempre aparecer os que individualmente têm capacidades diferentes, estando aí a beleza disto”.
Por último, pedimos ao mister que comentasse uma questão que é recorrente: há um pouco a ideia de que em Lousada aparecem jovens com potencial para se afirmarem na modalidade, mas falta algo. Perante isto, Zé Lopes disse: “Concordo, sim, sem dúvida uma das coisas que me saltou mais à vista quando iniciei funções no clube foi a qualidade dos rapazes, em todos os escalões. Penso que fazia falta a oportunidade, que este ano já existe de uma forma mais constante e irá continuar a aparecer, que são as condições humanas e materiais, mas acima de tudo a mentalidade, a criação de hábitos mais profissionais, desde o mais pequeno ao maior pormenor, sabendo que as coisas estão a evoluir nesse aspeto e que certamente iremos ver esta instituição em patamares superiores porque assim trabalha para o merecer”.













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