ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO PROVOCA PREOCUPAÇÕES SOCIAIS
A exemplo do que acontece no mundo, que está num acentuado envelhecimento populacional, também os idosos estão a ganhar peso na pirâmide etária do concelho. Há menos nascimentos e a longevidade aumenta. Pela primeira vez desde que há registo, Lousada passou a ter mais pessoas acima dos 65 anos que jovens até 15 anos. O envelhecimento representa um dos fenómenos demográficos mais preocupantes da atualidade e com impacto socioeconómico, exigindo novas políticas sociais. A Carta Social de Lousada, que caracteriza o setor, reconhece que “na área dos idosos, os equipamentos e as respostas sociais existentes não colmatam, de todo, as necessidades da população alvo”. Aquele documento estratégico municipal indica também que “(…) existem listas de espera bastante alargadas”.
Há todo um novo mundo social que faz perigar a vivência salutar dos idosos, muitas vezes relegados para segundo plano nas prioridades, como se fossem um fardo pesado herdado por uma sociedade onde os valores e ligações sociais estão em perda ou pelo menos em mutação profunda.
Os riscos associados à idade, como problemas de saúde, a solidão e o isolamento social, a dependência, a discriminação e a estigmatização, criam um cenário cinzento em torno da questão dos idosos. É frequente «ficarem para trás», perdidos num tempo que lhes parece muitas vezes já não ser o tempo deles. São vítimas da desatualização de conhecimentos e falta de adaptação às novas e, mais que tudo, rapidíssimas vivências à sua volta quando eles próprios são lentos ou estáticos, não apenas fisicamente.
A par disso encontramos uma das principais causas para o surgimento de situações de isolamento social e solidão, que acontece quando os idosos preferem ficar nas suas casas e preservar as suas raízes e as ligações à comunidade. Noutros casos não têm mesmo outra alternativa que não seja ficar, quando os vizinhos, os amigos e os familiares já debandaram para outras paragens.
Aqui entra outro fator de risco para muitos idosos: a pressão imobiliária urbana. Resistir a abandonar o «seu sítio», o bairro, a rua, a casa de sempre, pode ter como penalização o isolamento de casas antigas cercadas por prédios onde os habitantes além de serem estranhos, de outras localidades, possuem comportamentos sociais destradicionalizados, onde falta a solidariedade e escasseiam as (boas) relações de vizinhança.
O individualismo e a fragmentação das famílias, já de si cada vez mais pequenas e compostas e recompostas, com novos elementos a entrar e a sair da família, causam nos idosos risco de inadequação ou integração ou até mesmo de abandono.
Quantos estão em lares sem visitas e em hospitais sem alguém que os vá buscar mesmo tendo alta médica? Não é só um problema de grandes centros urbanos, pois também em Lousada ocorre frequentemente casos de utentes que ficam internados (principalmente na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados) após terem alta clínica, à espera de respostas sociais e institucionais.













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