por | 7 Set, 2025 | Cultura, Grande Entrevista

Festival Filarmónico é a cereja no topo do bolo de 2025


CRISTINA BAPTISTA, PRESIDENTE DA BANDA FILARMÓNICA DE LOUSADA

A temporada de 2025 da Banda Filarmónica de Lousada (BFL) tem sido bastante recheada de atuações, com cerca de duas dezenas de eventos. O maior de todos é a primeira edição do Festival Filarmónico – Sem Fronteiras (dia 21 deste mês), num formato até então nunca apresentado em Lousada e que está a suscitar bastante expectativa. Haverá desfiles, atuações e surpresas, na «Praça do Bispo». Além da banda «da casa», o evento contará com a Banda de Freamunde, a Banda espanhola de Rosal (Galiza) e será encerrado pela notável Banda da Força Aérea. A iniciativa insere-se num propósito de inovação e de promoção da música filarmónica em Lousada. Em Maio já tinha havido algo de bastante impacto nesse sentido, com o lançamento do CD, que foi um sucesso.

A presença de uma banda estrangeira internacionaliza este certame, que a BFL pretende manter no seu plano anual. Cristina Baptista revelou que a intenção da BFL era receber uma banda de Valência e que isso teria um fim solidário. “Em outubro de 2024, a região de Valência foi severamente afetada por cheias que inundaram salas de ensaio e, consequentemente, degradaram instrumentos, fardamentos e equipamentos eletrónicos. Perante esta tragédia, que atingiu quase todas as bandas da região, decidimos então que a presença de uma banda valenciana no festival seria uma mais-valia, podendo aliar-se a uma vertente de apoio e solidariedade”.

Como tal, em dezembro de 2024 “contactamos diversas bandas existentes em Valência, no entanto, estas ainda não estavam em condições de assumir um compromisso que ficaria a 900 km de casa, pois viram-se obrigadas a recomeçar praticamente do zero, tendo que recuperar as suas instalações e respetivos materiais associados. Descartada esta hipótese, começámos a procurar alternativas”, disse a dirigente lousadense.

Assim, e após serem sugeridas e abordadas diversas bandas, a escolha rapidamente recaiu sobre a Agrupación Musical do Rosal, “dado o percurso de excelência que tem vindo a construir. De ressalvar também que o maestro da banda, Javier Alonso Pérez, apesar de ser espanhol, estudou em Portugal e tem desenvolvido alguns trabalhos no nosso país. Para além disso, existem músicos da nossa Banda com ligação a diretores da Banda do Rosal”, revelou Cristina Baptista.

De um modo particular, “esta é uma banda que conheço e que não me deixa indiferente – em 2024, tive oportunidade de assistir ao XVII Certame Galego, no qual a Banda Rosal participou e conquistou o 1.º prémio. Na altura, fiquei impressionada com a sua prestação”, acrescentou.

O programa deste festival contará, durante a tarde de sábado dia 21, com a participação de três filarmómicas: a Banda de Freamunde, a Agrupación Musical do Rosal e a Banda Filarmónica de Lousada.

Importa referir que o festival irá decorrer na Praça em frente ao Bispo, “na qual serão criadas todas as condições necessárias para bem receber o público: cadeiras para maior conforto, zonas de sombra para proteger do sol e ainda uma barraca da nossa instituição que irá ter ao dispor comidas e bebidas”.

O evento terá início às 15h, com um desfile em modo de arruado de cada agrupamento, desde os Bombeiros até aos Paços do Concelho, terminando no local onde decorrerão os concertos.

Às 16h terão início os concertos individuais das três bandas, cada um com a duração de 45 minutos. Pelas 19h, as três bandas irão juntar-se para interpretar em conjunto duas marchas, uma delas a marcha “Lousadense”, de Rodrigo Fernandes, encerrando-se assim a programação da tarde.

Já no que diz respeito à programação da noite, está agendado um concerto da Banda da Força Aérea Portuguesa, às 21h30.

A presença de cerca de 300 músicos no mesmo espaço é “desafiante” pois as questões de logística e de organização tornam-se bastante exigentes. “Inicialmente, esperávamos cerca de 200 músicos em palco, no entanto, com a confirmação da Banda da Força Aérea Portuguesa, teremos 300 músicos no nosso festival” e como tal, “temos noção de que toda a logística deste evento acarreta um enorme sentido de responsabilidade e de organização, para que tudo seja cumprido com rigor e qualidade”, sublinha.

Assim sendo, de forma a serem garantidas boas condições para músicos e respetivo público, “contaremos com o apoio do Município de Lousada e da União das Freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga, no que diz respeito ao fornecimento de material logístico”, explica a presidente da BFL.

Por outro lado, a organização contará também com o apoio da Escola Secundária de Lousada e de várias empresas locais, no que reporta a toda a logística relacionada com a presença da Banda da Força Aérea.


SUCESSO DA GRAVAÇÃO


Nem só o Festival é uma inovação deste ano da filarmonia lousadense. Em Maio foi lançada a gravação em formato de CD e pen-USB, intitulada «Da Partitura à Emoção».

Este foi um projeto “bastante ambicionado pela direção, pois acreditamos que a Banda Filarmónica de Lousada atravessa atualmente uma ótima fase artística, pelo que momentos como este devem ser registados”.

As faixas gravadas incluem obras conhecidas do público e que já se tornaram emblemáticas da BFL, como «Pasodoble Y Olé», «Danza Sinfónica», de James Barnes, a «Danse Bacchanale de Saint-Saëns», a mítica marcha «Lousadense», de Rodrigo Fernandes, entre outras. “Estas são obras de elevado grau de dificuldade, exigentes para todos os naipes, o que requer uma banda equilibrada e coesa”, esclarece Cristina.

Esta dirigente e intérprete revelou que as obras que têm recebido mais feedback são o «Pasodoble Y Olé» e a peça de James Barnes, “embora o Pasodoble esteja a causar maior impacto, tanto no paradigma nacional como internacional.”

O «Pasodoble Y Olé» destaca-se “por transmitir orgulho, força e festa, sendo interpretada a solo pelo nosso trompetista António Silva, cuja qualidade artística é incrível”. Uma das gravações desta obra, publicada online, já ultrapassou as 240 mil visualizações e a representante da BFL refere que “até há pouco tempo, éramos a única banda portuguesa a interpretar este tema”.

Relativamente ao solista desta obra, “o professor António é músico e solista da Banda de Lousada há 30 anos, sendo uma das grandes referências da nossa instituição. Ao longo destes 30 anos foi também diretor. Atualmente, continua a ser um músico de excelência e uma pessoa extraordinária. Aproveito esta oportunidade para lhe fazer um agradecimento público por todos os anos de vida que dedicou e que ainda há de continuar a dedicar a esta banda, deixando-lhe também o aviso de que só poderá reformar-se quando o seu filho António chegar a solista da nossa Banda.

MAIS NOVIDADES A CAMINHO…

Falar de novidades para o próximo ano ainda é prematuro, mas é certo que a bitola a que nos habitiou a BFL é para manter. “A nossa época ainda não terminou e só no final faremos o balanço do ano. O projeto Festival Filarmónico Sem Fronteiras foi pensado para ter várias edições. Aliás, a ideia de realizar um concerto como cerimónia de encerramento é justamente poder contar, em futuras edições, com outras bandas profissionais que também integram músicos lousadenses”, disse Cristina Batista.

Futuramente, “a nossa ideia é dar também oportunidade aos músicos Lousadenses que estão no estrangeiro de mostrarem, na sua terra, o seu mérito e trabalho que desenvolvem além fronteiras”.

Além disso, está na forja “outro projeto desafiante”,que só poderá ser revelado quando já estiver mais amadurecido… E mais será revelado em devido tempo.

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