“Uma infraestrutura decisiva para o desenvolvimento da região”
Ao longo dos anos sucederam-se estudos, anúncios e promessas em torno da denominada Linha do Vale do Sousa, destinada a ligar os concelhos de Valongo, Paredes, Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras. Porém, a concretização desta infraestrutura continua sucessivamente adiada. O que falta já não são estudos nem diagnósticos: falta vontade política por parte dos sucessivos governos, que continuam a relegar para segundo plano as necessidades das empresas e das populações do interior do distrito do Porto.
A CDU não aceitará que a Linha do Vale do Sousa continue remetida ao esquecimento. Continuaremos ao lado das populações na defesa firme desta infraestrutura estratégica, indispensável ao desenvolvimento económico, social e territorial da região.
Durante décadas, PS, PSD e CDS promoveram uma política de desinvestimento na ferrovia, encerrando linhas, reduzindo serviços e concentrando investimentos nas áreas metropolitanas, em detrimento de vastas zonas do país. Paralelamente, incentivaram uma crescente dependência do transporte rodoviário e do automóvel. O Vale do Sousa e o Tâmega são vítimas diretas dessas opções políticas, cujas consequências recaem diariamente sobre milhares de trabalhadores, estudantes e utentes que se deslocam para o Porto e para outros centros urbanos.
Recorde-se que a antiga Linha do Vale do Sousa, de iniciativa privada, atravessava os concelhos de Lousada, Felgueiras e Penafiel, tendo estado ao serviço das populações entre 1912 e 1929. O seu desaparecimento não resultou da falta de utilidade da ferrovia, mas antes da ausência de uma visão estratégica e do desinvestimento dos responsáveis políticos da época. A inexistência de uma ligação eficaz à Linha do Douro comprometeu a sua viabilidade e abriu caminho ao declínio e posterior desmantelamento da infraestrutura.
Apesar da sua curta existência, a linha desempenhou um papel importante no desenvolvimento económico e social da região. O comboio aproximou populações, facilitou o acesso ao emprego, ao comércio e aos serviços, e permitiu escoar com maior eficiência a produção agrícola e industrial do Vale do Sousa, contribuindo para o crescimento económico regional.
O encerramento da ligação ferroviária constituiu um profundo retrocesso. Em vez de modernizar e reforçar a rede ferroviária, os sucessivos governos optaram pelo abandono das linhas regionais, agravando assimetrias territoriais que ainda hoje persistem.
Hoje, o Vale do Sousa continua a ser uma das regiões mais industrializadas e densamente povoadas do país sem uma ligação ferroviária moderna e eficiente. Esta realidade é inaceitável. Todos os dias, milhares de pessoas enfrentam congestionamentos permanentes, longos tempos de deslocação e custos de transporte cada vez mais elevados.
Não se compreende, aliás, que as empresas e os cidadãos do Vale do Sousa continuem a pagar portagens nas autoestradas A4, A11 e A42. A ausência de uma resposta pública eficaz em matéria de mobilidade constitui um obstáculo ao desenvolvimento económico, à coesão territorial e à qualidade de vida das populações.
PS, PSD e CDS acumulam responsabilidades diretas pelo abandono da ferrovia nacional e pelo atraso dos investimentos estruturantes de que a região necessita. Mudam os governos, repetem-se os discursos e multiplicam-se os anúncios, mas continua por concretizar uma verdadeira aposta no transporte público e na mobilidade ferroviária.
Mesmo perante as posições públicas assumidas pelo presidente da CIM – Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, o atual Governo anunciou que o estudo de custo-benefício apenas deverá estar concluído no primeiro trimestre de 2027. Este permanente adiamento das decisões revela a falta de compromisso com os problemas concretos das populações. Tal como noutras áreas essenciais, acumulam-se promessas enquanto as soluções são sucessivamente empurradas para um futuro indefinido.
A CDU afirma com toda a clareza: a construção da Linha do Vale do Sousa tem de ser assumida como uma prioridade nacional. Não estamos perante mais um projeto técnico nem perante uma obra destinada a alimentar campanhas eleitorais. Estamos perante uma necessidade urgente para garantir o direito à mobilidade, combater desigualdades regionais e promover um desenvolvimento económico equilibrado e sustentável.
Uma nova linha ferroviária moderna, articulada com a Linha do Douro e integrada na rede da Área Metropolitana do Porto, permitiria reduzir significativamente o congestionamento rodoviário, diminuir as emissões poluentes, melhorar a mobilidade de trabalhadores e estudantes, reforçar a competitividade das empresas da região e aproximar o Vale do Sousa dos principais centros urbanos do Norte do país.
Num momento em que tanto se fala de transição climática e mobilidade sustentável, é inadmissível continuar a adiar um investimento fundamental para as populações e para o tecido económico regional.
A CDU continuará a intervir, a exigir e a lutar para que a Linha do Vale do Sousa deixe de ser uma promessa repetida em períodos eleitorais e passe finalmente a ser uma realidade concreta ao serviço das populações e do desenvolvimento da região. Investir na construção da Linha do Vale do Sousa é investir na qualidade de vida dos cidadãos, reforçar a coesão territorial, apoiar as empresas, criar oportunidades e assegurar um futuro com mais desenvolvimento, mobilidade e justiça social para toda a região.
Alberto Torres
Membro da CDU-Lousada













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