O Clube Lousada BTT começou com as pedaladas de um grupo de amigos, que foi crescendo e, mais tarde, batizado de Lousada BTT, quando sentiram necessidade de ir mais além e conhecer alguns trilhos fora de Lousada. “Apareceu uma oportunidade participar num passeio na Serra da Estrela, uma subida de Manteigas a Penhas Douradas e só aceitavam grupos. Na inscrição, o único nome que surgiu foi Lousada BTT”, explica Luís Miguel Marques, presidente do clube.
Atualmente constituído por mais de 50 sócios, o clube junta apaixonados pela modalidade. Luís Miguel já acompanhava o amigo Armando Oliveira na estrada, quando, num quiosque, viu uma revista de BTT, que acicatou a sua curiosidade. Comprou a bicicleta de monte e desafiou os amigos para o acompanhar. Primeiro o Armando, depois o Joaquim Carvalheiras e outros.
Se gosta ou quer experimentar a modalidade, não precisa de se fazer sócio do clube. Pode juntar-se ao grupo num domingo de manhã, pelas 8.30 horas, em frente à sede, que é no mercado municipal, em frente às piscinas. No entanto, se quiser ser sócio, pode dirigir-se ao local à sexta-feira ou fazer a inscrição através do Facebook. “Estamos sempre abertos a dar informações. Venham conviver connosco” – deixa o convite.
Modalidade para todas as carteiras
O custo da modalidade varia conforme o patamar do praticante. “Para quem quiser praticar o BTT de alta competição, os materiais são mais exigentes, mas quem quiser praticar mais na vertente de lazer, pode adquirir materiais muito mais económicos. Há para diversas carteiras. O BTT nem é mais caro nem mais barato que outras modalidades. Cada pessoa é que vai fazer a sua bicicleta, com o seu equipamento”, esclarece. Apesar de a bicicleta de BTT ser muito mais exigente e ter muito mais desgaste de material do que a bicicleta de estrada, há bicicletas de valores acessíveis a todas as carteiras.
O Lousada BTT sempre foi voltado para a prática do BTT de lazer. “Ao longo dos tempos, houve um ou outro atleta nosso, que demonstrou vontade de competir, mas não foi essa a ideia para que ele foi fundado. Não temos nenhum atleta a competir”, diz. No entanto, o presidente não põe de parte a competição no futuro: “Os próprios atletas e os próprios sócios acabam por atingir níveis mais elevados e acham que praticar BTT ao fim de semana ou duas vezes por semana, se calhar, para eles já é pouco”, explica. Se essa situação surgir, o clube decidirá se os apoia. “Mas não está de parte no futuro o Lousada BTT passar a ter competição, com atletas individualmente a representar o clube”, admite.
Ninguém fica para trás
Por agora, os atletas ficam-se pelos passeios. Os mais curtos podem andar entre os 25 e 30 km. No entanto, o grupo não deixa ninguém para trás e, por isso, caso o ritmo de um ciclista seja mais lendo, os quilómetros previstos são reduzidos, para que todos possam seguir juntos. Mas, por vezes, acontece o contrário, quando o grupo é constituído unicamente por experts, habituados a fazer três horas de BTT, cerca de 50 Km.
Os cuidados com a alimentação tendo em conta a atividade desportiva são mais frequentes nos atletas que participam em competições. Apesar disso, Luís Miguel esclarece que, de uma maneira geral, o peso é importante para quem pratica BTT: “Uma pessoa pesada, ao fim de muitos quilómetros, sente dificuldade em arrastar o peso. Isto nota-se bastante, mas não é uma preocupação grande. Quem gosta de BTT fá-lo por lazer, não tem essa preocupação. Quem não quer sofrer ao domingo de manhã, tem mais preparação e cuidado na alimentação”, alerta.
Durante o período de confinamento, em que os treinos ao ar livre foram difíceis, foi necessário arranjar formas para não perder o ritmo: “Houve quem treinasse em rolos, pedalando em frente a uma televisão, outros com bicicletas estáticas e alguns individualmente ainda foram dando uma voltinha à serra”, conta. É que uma ou duas semanas parados faz uma grande diferença no desempenho dos atletas.
Após o confinamento, as saídas verificam-se, mas em grupos mais pequenos, tendo a preocupação em manter o distanciamento e evitar ajuntamentos. Claro que não têm o mesmo sabor das saídas descontraídas do passado. Algumas atividades programadas para 2020 também deixaram de se fazer, o que causa tristeza: “o Passeio das Francesinhas, que está associado à Festa das Francesinhas, e o tradicional passeio de outubro, que este ano iria ser a 15.ª edição. Temos pena, mas não há condições para os fazer”, lamenta.
Recentemente, no entanto, realizaram os Caminhos Marianos, em “segurança, seguindo as normas que a DGS aconselha”, garante. Fizeram máscaras personalizadas, que só dispensavam quando estavam em andamento. A festa do 15.º aniversário é outra das atividades que o clube realizará, se as condições de saúde pública o permitirem.
“Temos fama de receber bem e os trilhos são de uma beleza espetacular”
Luís Miguel sabe que qualquer atividade feita nesta altura estará longe do recorde de 2007, que juntou mais de setecentos atletas, no passeio de outubro, mas sabe que o clube continua a atrair muita gente, entre 350 e 450 pessoas. “Temos fama de receber bem e os trilhos são de uma beleza espetacular. É um sucesso ter assim tanta gente, os outros grupos ficam admirados”, afirma, com orgulho.
As quotas dos sócios e os passeios, que implicam um valor de inscrição, são a principal fonte de receita do clube. Outras ajudas importantes vêm da Câmara Municipal de Lousada e da Junta de Freguesia de Silvares. Os patrocínios também vão ajudando a manter as portas abertas ao longo destes 15 anos. “Só com as quotas dos sócios não daria para conseguirmos ter saúde financeira. Temos renda, luz…”, diz.
Ao longo dos anos, o Lousada BTT participou em muitas atividades noutros clubes. Há uma que merece destaque, em Barcelos. “Leva milhares de atletas por atividade, duas mil pessoas seguramente, por ano, ou até por atividade”, diz, acrescentando que atrai até muitos espanhóis pelo carisma que ganhou ao longo dos tempos. “Aqui nas nossas provas também recebemos alguns espanhóis”, afirma.
Já sabe, aceite o convite de Luís Miguel Marques e, se gosta de BTT, junte-se ao Lousada BTT. “É um remédio para o stress”, garante.












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