Pedro Matias: do seminário à política

Pedro Matias deve ao avô o sobrenome pelo qual é conhecido, pois no assento de nascimento consta apenas como António Pedro Dias Magalhães. “O meu avô tinha uma tasquita em S. Miguel, onde penso que parava o comboio, sendo o tasco conhecido pelo seu nome. Portanto, o meu pai depois ficou também conhecido por Matias e agora eu”, explica.

Em Lousada, poucos o conhecem como Pedro Magalhães. “Matias” entranhou-se de tal forma como sobrenome de família que alguns sobrinhos iniciaram o processo de legalização do nome, para que passe a constar no cartão de cidadão.

Fora de Lousada, Pedro deixa o “Matias” e usa o “Magalhães”. No concelho, até a divulgação da candidatura à Câmara Municipal foi realizada usando o nome “Pedro Matias”. Caso contrário, poucas pessoas o identificariam.

Pedro Matias nasceu no ano 1965 em Lousada, no antigo hospital, hoje Santa Casa da Misericórdia, mas cresceu em Santa Margarida, onde o pai tinha uma mercearia, sendo também negociante de vinhos.

Era uma pessoa extremamente conhecida, pois representava as empresas e engarrafadores do Vale do Sousa: “O meu pai comprava o vinho e entregava-o às empresas, que o engarrafavam. Recordo-me dos vinhos Campelo, Vinhos Baptista, etc”, lembra.

Também o avô, na tasca que tinha em S. Miguel, vendia o bom vinho de Lousada e Pedro Matias está certo de que a centralidade do concelho naquela altura estava nessa freguesia e na de Santa Margarida. E, de facto, a história não mente: “Lousada Santa Margarida e Lousada S. Miguel eram as duas freguesias que, por aquela altura, compunham Lousada”, afirma.

Carrinhos de rolamentos marcaram infância

A escola primária ficava a escassos metros da sua casa, o que lhe facilitou a infância, da qual guarda boas recordações, especialmente de uma brincadeira muito popular na altura: “Fazíamos corridas de carrinhos de rolamentos e o prémio que nós tínhamos era beber uma laranjada e comer um pão de marmelada, que a minha mãe oferecia na mercearia”, recorda.

Reconhece que, a maior parte das vezes, não conseguia ganhar, mas não perdia muito, pois a laranjada e o pão com marmelada estariam por certo garantidos.

Já mais crescido, recorda o jogo da “lerpa”, realizado debaixo dos candeeiros da casa onde o pai tinha a mercearia. Dono de uma memória prodigiosa, Pedro Matias guarda uma recordação da infância que alguns poderão achar estranha: os números de telefone de várias pessoas.

E para que não restem dúvidas do que afirma, faz questão de os recuperar: “912451, o do meu pai; o do marido da professora na altura era 912452; o do pai do Ernesto 912453 e o 912454 da casa Ernesto…”. Ficou por aqui, mas a lista é longa.

Longe da era das comunicações, as pessoas na altura marcavam hora na mercearia para receber as chamadas dos familiares emigrados. Uma espécie de Facebook, portanto, que servia de elo de comunicação com o mundo: “Esta casa era uma mercearia com tasca e era o ponto de correio desta freguesia. Na altura, os proprietários destas casas com esta caixa tinham direito a licença de pistola. Era aqui que se centralizava tudo”, esclarece.

Pedro Matias ainda chegou a trabalhar na mercearia, no tempo em que o desperdício de recursos era bem menor, com pouco papel e pouco plástico: “Era tudo a granel. Nós tínhamos os cartuchos e tínhamos de os pesar. Sentia-se o cheiro das coisas. Era mais difícil, mas vivia-se de forma mais saudável”, explica.

Era também tempos de atendimento mais personalizado, ajustado às necessidades financeiras do cliente: “Lembro-me do livro das contas. No final do mês, as pessoas pagavam o deve e o haver”, refere.

Para além da atividade comercial, recorda-se de algumas tarefas agrícolas nas quais participou, como a preparação do milho: “Recordo-me de o malhar, com os pezinhos a mexer no milho”, diz, com saudade.

Começou a escola primária só com rapazes e terminou no sistema misto. Não escapou ao rigor do exame da quarta classe. Ainda se recorda da professora, que é de Unhão e que vê com alguma frequência.

Vida no seminário


A vida académica de Pedro continuou, mas fora da sua aldeia. Foi estudar para o colégio Egas Moniz de Guimarães em regime de internato, instituição que já era frequentada por dois sobrinhos mais velhos.

Durante um ano, vinha a casa somente aos fins de semana. O colégio tinha orientação de um padre, mas a mãe, católica, ambicionava uma formação ainda mais voltada para a religião. “A minha mãe era muito católica e convenceu o meu pai a meter-me num seminário. Foi o período mais complicado da minha vida, porque o seminário era muito frio, muito imponente. Eu não queria ir, mas com onze anos não tinha escolha”, conta.

Foram dois longos anos aqueles passados no Seminário de Pombeiro em Felgueiras, com bons e maus momentos. No início, a adaptação foi difícil: “Recordo-me muito bem de como lá cheguei. O meu pai deixou-me à porta e essa imagem ficou. Olhar para um edifício muito alto, imponente, frio, típico das igrejas das casas religiosas, custou-me imenso, foi difícil”.

Depois, foi-se adaptando e vivendo momentos espetaculares, proporcionados pelo convívio de jovens de todo o país, incluindo as ilhas. Para a formação da sua personalidade, terão contribuído as regras rígidas, como o levantar muito cedo, sem reclamar, enfrentando as manhãs frias de outrora: “Era um local muito frio. Nós vivíamos numas camaratas e cada cama tinha uma janela. Naqueles dias de inverno gelado, com os cobertores em cima da cabeça, não ouvíamos o padre a bater as palmas, nem a luz a acender, mas não tínhamos hipóteses: o padre chegava, tirava-nos a roupa da cama e abria-nos a janela”.

Começava então o dia com a rotina do costume: lavar a cabeça com água gelada. Não era fácil. Mas nem tudo era mau. A prática do desporto era uma das atividades de que gostava. Jogava hóquei em patins, futebol, basquetebol e praticava todo o tipo de desportos. Já os retiros não eram apreciados pelo seminarista, por se tratar de uma semana em silêncio, só a meditar.

Embora tenha tido um tio padre e formação religiosa, Pedro Matias não conseguiu encontrar a vocação religiosa: “Já com 14 anos, o padre mandou-me chamar e disse-me que eu tinha muito jeito para ser padre, mas tinha de procurar a vocação, pois não a tinha”.

Saiu do seminário com 15 anos, mas continuou a estudar em Felgueiras, depois em Amarante, tendo terminado os estudos no Porto, onde estudou no IPU (Instituto de Preparação Universitária) na área de economia.

As vendas em grupo foi a atividade que marcou a entrada no mercado de trabalho. Começou na Poligrupo, empresa na qual muitos estudantes ganhavam dinheiro, nas vendas em grupo. Não ficou rico, mas dava para beber umas cervejas na Galiza! Seguiu-se uma empresa ligada aos lubrificantes e… à política! “Aqui já havia alguma ligação política, pois era um indivíduo ligado ao CDS, Armandino Pinto Lopes, muito bem relacionado”, diz.

O passo seguinte foi montar o próprio negócio. Abriu um clube de vídeo no local onde hoje se situa o escritório do amigo Pedro Guerra. “Um amigo meu, o Adérito Guerra, propôs-me esse negócio e eu aceitei. Chamava-se Arte Nova”, conta. O clube manteve-se de portas abertas dois anos, mas “Lousada não era um mercado muito aliciante para esse tipo de negócio e havia um ou outro clube de vídeo com alguma projeção”, justifica.

Pedro Matias nasceu em 1965, em Lousada, tendo crescido em Santa Margarida

O início da carreira política

Entretanto, a vida política começou a ocupar-lhe mais o tempo. Um grupo de amigos, que incluía Pedro Matias, Adriano Rafael e Pedro Guerra, Diogo Fernandes entre outros e outras, começou “a guerra política” em Lousada, com a formação da JSD. “O líder da altura, Adriano Sampaio, arranjou logo ali uma comissão política, da JSD, em cima do joelho, para não permitir assim o surgimento de potenciais adversários internos, iniciando ali a minha carreira política”, recorda.

Um evento que guarda na memória e que projetou a JSD foi um rally paper: “Que por ideia minha, terminou com uma prova de perícia, e aquilo teve um impacto muito grande, mas correu um bocado mal. Nós tínhamos com a bandeira de meta o Dr. Costa Moura, que agora é embaixador, e há um indivíduo, com muito entusiasmo, num jipe da UEM, que se despistou e atropelou o rapaz, causando-lhe alguns ferimentos. Felizmente a gravidade do acidente não foi muita “, recorda.

A vida política proporcionou-lhe contactos, um dos quais o do antigo sócio, Carlos Magalhães, que trabalhava na construção civil. “Ele com os conhecimentos mais práticos e eu com os mais teóricos, lembramo-nos de nos juntar e criar uma empresa de construção civil”, explica. Abriram, assim, a empresa Oligama, que existiu até 2010. Depois veio a crise, a que se juntaram alguns problemas pessoais, e a empresa teve de encerrar.

Pedro Matias continua, no entanto, a ter uma empresa mais pequena, que se dedica a pequenos restauros. “Tenho uma atividade no ramo imobiliário. Compramos umas casas, restauramo-las e, depois, vendemo-las”.

A primeira campanha

Numa altura de intensa atividade política, Pedro Matias foi convidado para ser diretor de campanha de Jaime Moura, que concorreu pelo CDS, no ano em que o PSD se dividiu. Pedro caracteriza a campanha da altura como espetacular. “Poucas campanhas têm tanta projeção como aquela”, diz.

Para a posteridade, ficará a célebre caravana, que juntou centenas de carros. “Estávamos no fim do percurso e ainda faltavam sair carros no início. Foi sem dúvida um momento alto no concelho”, refere, lamentando a divisão do PSD, que acabou por ajudar o PS a conseguir a vitória, iniciando-se assim o ciclo socialista no concelho.

Passados quatro anos, nas eleições seguintes, já candidato pelo PSD, Jaime Moura tinha uma tarefa ainda mais difícil. Foi, no entanto, uma altura de grande euforia, com a divulgação de uma “sondagem” publicada no Jornal de Lousada, que dava a vitória a Jaime Moura nas eleições.

Apesar das reservas relativamente à validação científica da “sondagem”, o que é certo é que provocou uma onda de vitória, que não se confirmou. Pedro Matias continuou o seu percurso político sempre no PSD, integrando as várias comissões políticas. No início do milénio, “em termos estratégicos, o PSD ficou um bocado ao abandono, após o resultado eleitoral em 2001, que foi mau para o partido”, conta.

A possibilidade de regresso ao poder a curto prazo foi-se desvanecendo e esmorecendo os sociais-democratas. Em 2004, José Oliveira Nunes assumiu a presidência da concelhia e convidou Pedro Matias para uma tarefa difícil: preparar as eleições de 2005. “O Nunes, devido à minha carreira política, pediu-me para eu o acompanhar. Até que chegamos à altura de escolher um candidato para a Câmara e o Nunes resolveu fazer uma sondagem a algumas pessoas ligadas ao PSD, uma a uma”, refere.

O resultado dessa “sondagem” foi o nome de Pedro Matias para encabeçar a lista à Câmara. Surpreendido, julgando até que era uma piada de mau gosto do presidente da Concelhia, o futuro candidato pediu um tempo para pensar: “Conversei com as pessoas, que me eram mais próximas, até que um amigo em quem tinha muita confiança, digo tinha, porque infelizmente já não se encontra no meio de nós, uma pessoa bem-pensante, que, após uns minutos de reflexão me disse: ‘Qual a diferença entre o Pedro e os outros? Não vejo nenhuma. Do que lhe conheço você é bem capaz de fazer tão bem ou até melhor que os outros. Não olhe para trás’. Fiquei admirado, fechei os olhos e lá decidi avançar”.

Onda “Abraçar Lousada” chegou a todo o concelho em 2005

Iniciou-se, assim, um processo de escolha dos candidatos às juntas, à Câmara e à Assembleia Municipal, que teve de der feito em tempo recorde. Nascia, então, a candidatura com o slogan “Abraçar Lousada”.
Porquê “Abraçar Lousada”? Pedro Matias explica: “Ainda hoje eu acho (que me perdoem os políticos de agora) que existem muitas diferenças sociais ao nível do concelho.

Temos freguesias distantes do poder local. Nessa altura, nós queríamos deixar a centralidade que Lousada tinha e pensar que todos éramos lousadenses. Daí surgiu a ideia “Abraçar Lousada”, tornando o concelho, todo ele, numa centralidade e não só o centro do concelho, Cristelos e Silvares”.

Criado o slogan e formada a equipa, sem a pujança do mundo digital nem das redes sociais, começou a azáfama dos cartazes, outdoors, folhetos… “Foi uma campanha cansativa, esgotante, mas muito interessante, muito rica. Recordo-me dos momentos que passávamos juntos até às quatro e cinco da manhã numa empresa de publicidade, para conseguirmos ter preparados os folhetos, outdoors, manifestos… Foi uma campanha criativa, com muita juventude a colaborar”, recorda.

Jantar histórico juntou 700 pessoas

O ex-candidato recorda um momento muito particular: o jantar de apresentação da candidatura, que superou as expectativas, tendo aparecido mais pessoas do que as previstas. Foi preciso procurar espaço para sentar aqueles que se queriam juntar à festa: “O que é certo é que aquilo começou com uma afluência de gente tão grande que ficamos todos sem saber o que deveríamos fazer, nomeadamente o indivíduo de catering, que teve de se deslocar a Valongo para trazer mais mesas”, diz.

Apesar dos percalços, o responsável pelo catering efetuou a multiplicação do lombo assado. “Não sabia o que fazer, eram mais cinquenta por cento de pessoas. Então, ele disse-me que era uma questão da espessura da carne, apenas isso, e o problema resolveu-se assim com uma fatiazinha muito fininha”.

Pedro Matias sabia que era difícil ganhar, mas percebeu que “estava a incomodar” pela mobilização que conseguiu. “Aliás, na altura, em conversa com o professor Santalha, o responsável do PS Lousada e da campanha, percebi que havia ali algum incómodo e que, se eles não tivessem ido para a rua, poderiam ter em risco um vereador. Isso percebi eu, claramente”, refere.

As sete horas da manhã eram uma boa altura para iniciar a campanha. No final das missas de domingo, lá estava toda a equipa, incluindo o “staff”, para começar. “Ficávamos admirados de ver o staff do PS todo àquela hora para fazer as missas, algo que nunca tinha visto”, garante.

Apesar da luta política, predominava o “fair play” entre os candidatos dos partidos rivais. Como o material de campanha das candidaturas foi, na maioria, realizado na mesma empresa, era usual e inevitável o encontro dos rivais, que aproveitavam para fazer “uma espécie de reunião”. “Era muito engraçado”, considera.

O que faltou para ganhar? Pedro Matias está convencido que a “principal diferença entre um candidato da oposição e um candidato do poder são os trinta e tal milhões que a Câmara gere”. “Eu ia a qualquer instituição fazer a minha proposta, e diziam-me que Jorge Magalhães lhes tinha dado tanto, mas na verdade ele não lhes deu nada, só ordenou que a câmara desse.

É muito difícil retirar quem já lá está. Como diria um amigo meu, não é fácil tirar um cidadão de casa. Mesmo morto, são precisos 4 homens no mínimo para pegar ao caixão”, compara. Vereador sem pelouro, mas sempre presente Pedro Matias assumiu o cargo de vereador sem pelouro durante quatro anos, do qual gostou muito, apesar das limitações de poder, pois representava apenas a oposição: “É um problema da nossa democracia, que é demasiado centrada em quem ganha e quem perde não pode fazer nada, não tem qualquer tipo de poder de decisão”, lastima.

Juntamente com José António Teixeira, eleito também vereador, Pedro Matias garante terem dado o seu melhor para representar bem aqueles que os elegeram: “Uma das coisas que fizemos logo no início, que nunca tinha sido feita até então, foi representar os nossos eleitores nos eventos desenvolvidos pela câmara ou para os quais a câmara fosse convidada”.

Assim, marcaram presença nas instituições e associações e até nas cerimónias do 25 de Abril, que descreve como uma situação engraçada: “Na primeira vez, o presidente da Câmara ficou um pouco baralhado. Lá tiveram de se arrumar para que ficássemos no meio deles.

Foi uma das coisas engraçadas, pois não estavam habituados”. Conhecedor de Lousada, o ex-vereador considera o concelho muito díspar, com “zonas com uma riqueza cultural, como Aparecida, as do centro com alguma vitalidade e outras muito esquecidas, como por exemplo Cernadelo.

Vi algumas zonas muito empobrecidas, que me marcaram na altura, por exemplo no alto de Nevogilde. Daí ter sentido que era importante Abraçar Lousada”, refere.

A “estratégia” do PSD Lousada

Em 2009, Pedro Matias não bisou na candidatura à Câmara, apesar do trabalho desenvolvido e é bem claro na apresentação das razões: “Existia uma estratégia de quem tinha o poder de decisão do partido na concelhia, que teria como início as eleições de 2009 e terminaria na eleição de 2013, o que levou ao meu afastamento, para alguns precoce, mas para mim indiferente, porque nunca dei prioridade à minha carreira política, mas sim aos interesses da minha terra”.

Muito crítico em relação à estratégia seguida pelo PSD Lousada e ao atual momento da estrutura local, considera que não está a ser dada primazia ao interesse das populações. “Enquanto isso não acontecer não irá a lado nenhum. Quando se está no PSD a pensar em ser candidato a isto ou aquilo, pelo facto de se estar na concelhia e poder influenciar decisões políticas internas do partido…”, descreve, acrescentando que os verdadeiros políticos devem colocar à frente os interesses das populações e não os interesses pessoais.

Relativamente ao trabalho da oposição, “está a trabalhar dentro do que é possível, mas nem toda a oposição está a pensar nos mesmos objetivos: alguns a pensar na população, outros com agendas próprias que não Lousada.

Sobre a governação do atual presidente, Pedro Machado, Pedro Matias considera que há aspetos positivos e negativos em relação à gestão anterior: “Objetivamente, eu acho que a saída da Cristina Moreira e a entrada de Nélson Oliveira foi muito boa. O PS perdeu um bocado de populismo, mas ganhou um bocado de credibilidade e sentido de estado. Relativamente à presidência em si, não há grandes diferenças no aspeto, mas sim no conteúdo. Pedro Machado é um presidente da Câmara mais técnico e menos político. É essa a grande diferença, na minha opinião. Jorge Magalhães tinha uma intervenção mais política, mais próxima dos cidadãos. Pedro Machado é mais distante e as pessoas não o veem como um presidente tão incisivo”, avalia.

Trabalho em prol do associativismo Pedro Matias também tem marcado o concelho a nível associativo. A AD Lousada surgiu por influência do seu sócio. Foi vice-presidente, com Francisco Barbosa ao comando da associação. Tinha, na altura, a responsabilidade da formação: “Foi uma boa experiência, era um tempo de muitas dificuldades para segurar aquilo”, diz.

Foi também treinador muitas vezes da equipa principal “sem o ser”: “Naquela altura, treinadores que não tinham o curso faziam os jogos com o meu cartão. Foi um curso que tirei também pela falta de treinadores, para ajudar o clube”, explica, acrescentando que chegou a levar castigos, sem ser castigado.

A Associação Social Recreativa e Cultural “Ao Encontro das Raízes” foi dirigida por Pedro Matias em parceria com o professor José António, numa altura de vazio diretivo. “Reiniciamos ali um processo que culminou com o atual presidente, que foi talvez a melhor sucessão”, diz. Admite que não é pessoa para se eternizar nos cargos, mas, quando sai, gosta de deixar a instituição em boas mãos.

Foi mesário da Santa Casa de Misericórdia de Lousada e, politicamente, foi também presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Margarida, a sua freguesia de origem, da qual gosta muito, mas não dispensa a convivência em Lousada. “Toda a minha vida teve sempre um ponto de convergência, Lousada, mesmo estando fora muitas vezes. A única coisa que me deixa mágoa foi não ter estudado em Lousada (vila), daí não ter grandes relações de amizade do período da escola”, refere.

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