por | 27 Mai, 2019 | Canto do saber

Do que queremos para a nossa terra

Há dias , numa conferência a propósito de ordenamento do território, um dos conferencistas, repetiu várias vezes , que o ordenamento do território deveria apenas ter em conta a felicidade das populações. Felicidade no sentido de ser possível viver a vida boa , a vida que vale a pena ser vivida.

Surge então a questão: quem é que sabe o que é a vida boa ?

É claro que cada um terá a sua opinião e as opiniões serão todas válidas desde que sejam submetidas a debate, num processo quase contratual, em que , com o objectivo da melhor convivência, se chegam a soluções de compromisso assumidas por todos.

Daqui sai claro que o desenvolvimento não é matéria de especialistas , políticos ou do estado, em que os cidadãos delegam prerrogativas.
O desenvolvimento, aquilo que queremos para as nossas vidas, depende de todos nós, portanto quando estamos a falar do que queremos em termos de progresso da zona onde vivemos, temos de fazer voltar às mãos das populações a decisão e não esperar que quem as representa o faça.

Ficar no sofá a olhar para o umbigo,numa lógica de que só o meu quintal é que é bom, emitir opiniões sem fundamento, por trás de um qualquer teclado é um exercício de mesquinhez que nada traz de construtivo ao anseio por uma vida melhor.

É tempo das populações , atenção para não confundir com comunidades que trazem com elas o sectarismo,num processo inclusivo sem restrições de idade género, raça, religião, mobilidade, grau de instrução ou tudo aquilo que possa servir para marginalizar de alguma forma, dizerem o que querem para a sua terra.

Para isso é essencial que estejam informadas, que possam ter acesso a ferramentos de exercício do conhecimento para poder decidir e reivindicar com fundamento.

Essencial é envolver as populações nos processos economico-sociais , de forma a que a região possa gerar valor acrescentado.

Situações como as que acontecem hoje, em que o emprego na região vive muito à custa do apetite das multinacionais por mão de obra barata, muitas vezes com implantações bonificadas, muito orgasmaticas para os politicos, mas que não criam valor acrescentado e que a qualquer momento se deslocam para outro sítio que possa trazer melhores resultados para os acionistas; situações de grandes projetos onde se gastam milhões mas que não geram retorno compatível com o investimento para as populações, são exemplos do que deve ser sujeito a uma reflexão colaborativa, ao debate incessante, de forma criar soluções que criem o tal valor acrescentado que possibilite uma maior constância nos momentos felizes da populações .
A partir da reflexão, do debate, surgirão oportunidades potenciadoras de melhor bem estar comum, isto é,oferecer algo diferenciador que traga um retorno superior às populações, ao invés de oferta de salários baixos e/ou de paisagens ambientais ou arquitetónicas concorrendo com uma miríade de regiões num mundo global como é o de hoje.

Mas que não haja engano, o factor diferenciador não passa só por mostrar o que de melhor temos na nossa região. Passa antes pelo seu aproveitamento na criação daquilo que eu chamo de evento de vida,aqueles momentos que queremos reviver com quem gostamos, aí sim, a região torna-se atrativa e apresenta valor acrescentado tendente a criar maior felicidade.

Bem, esta rubrica Canto do Saber, destina-se a isto mesmo , ou seja, a exercícios de reflexão e não a um pretensiosismo do autor na propriedade de qualquer tipo de saber. Pretende-se , de forma clara, espicaçar a sabedoria de cada um na reflexão daquilo que é o aperfeiçoamento humano no sentido da melhor convivência.

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