por | 27 Mai, 2019 | Freguesias, Sociedade

Lustosa pela voz do seu presidente, Armando Silva

Foi no largo São Gonçalo que estivemos à conversa com Armando Costa, presidente da União de Freguesias de Lustosa e Santo Estêvão de Barrosas. Calcorreando a rua que nos leva à pequena capela, fomos abordando alguns aspetos da sua primeira obra na Freguesia: “Começar com esta obra foi importante. Por um lado, foi uma das obras que toda a gente esperava e também uma obra que chamou a atenção de toda a população e não só: as freguesias vizinhas, quando viram uma obra destas, falavam de São Gonçalo. É bom para a freguesia conseguir uma obra destas e ver toda a gente satisfeita, inclusive eu, que risquei o projeto do princípio ao fim. Se o fizesse de novo, fazia-o exatamente igual”, diz.

O local tem no alto uma capela pequena, mas com uma tradição de décadas. No dia 31 deste mês, iniciam-se as festas em honra do Santo, que atraem muitos fiéis. A procissão é um dos momentos altos e a remodelação do espaço proporcionou melhores condições para a realização da festa. Uma festa que tem o seu apoio: “A festa de S. Gonçalo diz-me muito. Ainda bem que elas se juntam e mostram a sua capacidade e trabalham muito bem. Estão de parabéns”, elogia Comissão de Festas, este ano constituída apenas por mulheres.

Para este autarca, de 56 anos, que nasceu na rua da Mana em Lustosa e sempre viveu na freguesia, a Terra tem um significado muito especial: “A minha vida profissional sempre foi aqui. Tornei-me empresário aos 27 anos, na altura com uma sapataria. Depois comprei uma confeção e tive-a durante 8 anos. Houve, entretanto, a possibilidade de negociar a serralharia, onde tive de investir em tudo, trabalho e matéria-prima, mas desenvolvi o negócio e, no final do ano, já estava a funcionar bem”. Homem de negócios, privilegia o contacto com as pessoas e acredita que é aí que reside o seu sucesso, independentemente da área de negócios.

“Sempre tive vontade de ajudar a freguesia”, Armando Silva

Já mais robusto enquanto empresário, Armando Silva pôde ajudar a freguesia: “Sempre tive vontade de ajudar a freguesia. Já nasce connosco”, explica. Foi então que começou a envolver-se e a ajudar as comissões de festas e as pessoas em geral, “sem separar ninguém”, realça. Essa vontade de ajudar foi crescendo à medida que as possibilidades financeiras aumentavam: “Acontece ainda hoje: tenho uma carrinha há sete anos, que comprei só para ajudar a freguesia. Todos os dias recebo telefonemas, para a utilizar para ir ao Hospital S. João, por exemplo. É uma carrinha que apoia todos os Lustosenses e que que já tem uma história muito grande”, explica, com orgulho.

Do passado, recorda ainda as lutas empreendidas pela gratuitidade da ligação da água e saneamento, “para que a Câmara percebesse que o valor da ligação dos ramais de água e saneamento era um exagero, na altura 600 a 700 euros, mesmo em situações de um metro ou dois. Eu fui para o terreno e comecei a reunir em minha casa, alertando as pessoas com um altifalante durante a tarde. Havia dias em que apareciam sessenta e setenta pessoas”, conta, acrescentando que valeu a pena, pois “a Câmara percebeu e a ligação desceu para 200€ e acabou até por ser a custo zero”.

Da primeira candidatura à Junta à vitória

Muito crítico em relação ao executivo anterior, decidiu formar uma lista de independentes à Junta de Freguesia: “Eu sabia que a Junta da altura colaborava de mais com a Câmara. Basta dizer que havia ali sete mil metros de terreno junto ao campo de futebol que pertenciam à Junta de Freguesia e que foram cedidos à autarquia a custo zero, para fazer a escola. A Câmara não precisa da ajuda das freguesias, estas é que precisam das ajudas da Câmara”, defende.

Apesar de não ter alcançado a vitória, o movimento independente “foi uma coisa muito séria” e teve o mérito de levar quem ganhou a discutir um acordo para formar junta: “A partir daí, as coisas começaram a ir para o sítio”. Na sua opinião, foram esses quatro anos que levaram as pessoas “a perceberem que eu seria a pessoa certa para os destinos de Lustosa”.
Em 2013, Armando Silva candidatou-se pela Coligação Lousada Viva (PSD –CDS) e alcançou a vitória, que repetiu em 2017: “Foi uma alegria muito grande, não só por eu ganhar, mas pela freguesia, pois sabia que era muito capaz de dar à freguesia o que nunca poderia ser feito nem daqui a cem anos”.

Armando Silva afirma que a marca do seu mandato foi a abolição de barreiras, ou seja, o tratamento igualitário de todos os cidadãos: “Hoje, para mim, não há amigos, nem inimigos. Como presidente da Junta, trato todos da mesma forma, seja quem for”, diz. Mas também encontrou dificuldades, a que chama “ratoeiras”: “O caso do Dr. Rodrigues Braga, advogado de Santo Tirso, que pedia mais de 120 mil euros de juros à Junta, o que era injusto e ilegal. Conseguimos vencer isso, e foi um processo difícil”.

O presidente da União de Freguesias salienta ainda que teve de anular algumas decisões da anterior Junta: “Difícil foi anular o negócio da Quinta do Passal, destinada ao parque de lazer, um negócio de 500 mil euros. Via-se que aquilo tinha cerca de setenta mil metros, com um aproveitamento para o parque de lazer de apenas de 40 mil. No restante, tinha de se investir uma fortuna para aproveitar o terreno. Consegui impugnar esse negócio”, conta.
A “luta” com a Câmara Municipal de Paços de Ferreira também lhe “tirou muitas noites de sono”, mas “tudo foi resolvido bem com Lustosa e recebemos tudo a que tínhamos direito”.

Parque de lazer em Lustosa espera “ajuda da Câmara”

Sobre a construção do ansiado parque de lazer na freguesia, o autarca conta que já reuniu com presidente da Câmara para apresentar a ideia da Junta: “Estou à espera que o senhor presidente de Câmara avance com alguma ajuda. É do meu e do conhecimento e de muita gente que a Câmara de Lousada tem comparticipado alguns parques de lazer em algumas freguesas do concelho”, lembra.

Sobre o montante recebido da Câmara de Paços de Ferreira, de cerca de setecentos mil euros, considera que não poderá investir esse dinheiro todo numa só obra: “Esta junta tem muita preocupação em relação à gestão”, justifica. A solução, na sua opinião, passa por uma das alternativas: “Ou a Câmara comparticipa dando o terreno ou nós compramos o terreno e a câmara coloca as infraestruturas. Se assim não for, esta junta vai com calma, e mais vale esperar para fazer as coisas bem feitas”, afirma. Apesar das cautelas, não esconde que “gostaria que Lustosa tivesse um parque de lazer com pista de caminhada e pista de ciclismo. Para isso, precisamos de terreno. Não queremos só um parque para ter meia dúzia de mesas e dois grelhadores. Esta junta é bem mais ambiciosa que isso”, explica.

Sobre o local, Armando Silva diz ver com bons olhos o espaço em frente ao Centro Escolar: “Tem as medidas que a gente entende necessárias, tem água, a escola próxima, a igreja com os meninos da catequese, o Centro Social… Começa por aí, ter um parque de lazer que sirva a freguesia”. “Não é por ter dinheiro que vamos gastar a torto e a direito, sem acautelar o futuro. Por isso, estamos a pensar já no próximo mandato, para termos valores para ajudar cada vez mais a freguesia”, remata.

Rotunda ao lado da Junta de Freguesia é prioritária

Depois das obras em S. Gonçalo, de erguida a Casa Mortuária, construído o parque anexo e remodelado o espaço do antigo infantário, destinado aos seniores, a prioridade é agora uma nova rotunda ao lado da capela de S. Roque, “pois foi mal feito o que lá está. É difícil para os camiões ou um autocarro, pois têm de ir à rotunda ao fundo da igreja, passando por seis lombas. É uma obra necessária e importante”, defende.

Casa mortuária

No momento, estão a decorrer algumas obras de alargamento das vias, como na rua do Loureiro, mas o autarca fala de “algumas ambições” relacionadas com o melhoramento dos pisos. Na última Assembleia Municipal, o presidente desta União de Freguesias chamou já atenção para este aspeto e critica a ação da autarquia, pois os buracos na estrada são uma queixa de há meses, segundo ele, mas a inexistência de material impossibilitou a reparação das vias, segundo conta: “Eu queria que me tapasse os buracos e tive conhecimento de que não havia massa ou material para o camião… Depois, vieram tapar os buracos com cimento”, explica. “Temos estradas com mais de vinte anos. Em Lustosa, só temos dois ou três troços melhorados, o resto precisa de intervenção”, afirma. Em defesa da intervenção em Lustosa, lembra que é a maior freguesia do concelho e que tem estradas com muito movimento: “Verificou que estava tudo desfeito e urge resolver esta situação. Penso que está virado para as pessoas que votaram nele”, remata.

Entregue ao empreiteiro está o edifício inicialmente destinado à Casa Mortuária, que será futuramente usado pelos escuteiros: “Vamos também requalificar aquela antiga mortuária. A Junta já decidiu e entregou ao empreiteiro. Vai ser lindíssima e será entregue aos escuteiros, que estão de parabéns, pois olham pelos nossos meninos e precisam mesmo desse espaço”, refere.

Bombeiros na freguesia

Nos projetos futuros, está uma ambulância para servir a freguesia: “Nós arranjávamos voluntários com curso, para ter aqui uma delegação dos bombeiros na Junta de Freguesia, com a Junta suportar as despesas”, afirma.

Centro de Saúde prestes a ser inaugurado

O presidente da Cãmara Municipal, na última Assembleia Municipal, referiu que a abertura do novo Centro de Saúde da freguesia estará para breve. Mesmo assim, Armando Silva acusa o presidente da autarquia de estar a “arranjar uma data, para inaugurar o edifício o mais próximo possível das eleições, pelo António Costa. O próprio presidente já me confidenciou isso. Vou tentar adivinhar: não será em maio, mas sim junho ou julho”, vaticina.

Satisfeito com a obra, “que vai servir oito mil utentes”, coloca algumas reservas à gestão do espaço exterior destinado ao estacionamento: “Terá resposta para as necessidades? No meu ponto de vista, esse processo está mal gerido. Penso que o que não vai funcionar bem são os estacionamentos”, refere.

O presidente lembra o passado para mostrar que sente a obra como sendo uma parte da Junta: “Tínhamos ordem antes da entrada deste governo para fazer aquela obra e garanto que, se fosse gerida pela Junta, neste momento, não teríamos estes erros na parte exterior. Eu tinha aproveitado o estacionamento na totalidade”, explica.

Campo de futebol sintético para este ano?

O piso sintético no campo de futebol de Lustosa começou a ser um sonho possível quando a Junta adquiriu o terreno. Na Assembleia Municipal do passado dia 26, Pedro Machado garantiu que o sintético avançará e que o assunto será integrado na agenda da próxima Assembleia Municipal. Armando Silva não gostou da resposta: “Se a próxima assembleia é em julho, só a partir daí é que vai avançar ou não”, diz, queixando-se de desconhecer todo o processo: “Quando é que começam as obras? Eu não sei para quando a escritura. Eu não sei de nada”. Armando Silva gostava de ver mais pressão “por parte de quem gere o futebol”, pois não gostava de ver a concretização do projeto adiada.

Centro de dia ainda é só um sonho

Armando Silva lembrou também Pedro Machado, na referida Assembleia, da necessidade de um centro de dia em Lustosa, para o qual precisa da ajuda da Autarquia. Pedro Machado reconheceu essa necessidade, mas lembrou alguns constrangimentos, nomeadamente o cumprimento dos requisitos legais para o seu funcionamento, especialmente a existência de uma IPSS, para viabilizar um protocolo com a Segurança Social, sem o qual é impossível manter uma instituição desta natureza com as portas abertas.
A resposta do edil não agradou a Armando Silva, que considera ser um recuar da promessa feita aos idosos da freguesia e relembra o discurso de Pedro Machado, aquando da abertura do novo espaço destinado aos seniores: “Eu acho que ele esteve mal quando disse que isto não era só para os que estavam aqui. ‘A Câmara vai tentar pôr aqui um centro de dia para toda a gente de Lustosa’. Isto foi no sábado de tarde. Na segunda, enviei logo um email agradecendo a vontade demonstrada”, conta. “Mas nunca mais me respondeu”, acrescenta.

As reservas do presidente da Câmara quanto às condições físicas do espaço e ao apoio da Segurança social na Assembleia foram entendidas por Armando Silva como forma de dissuasão, “para dizer que é muito difícil e não há condições”. “Veio aqui prometer aos idosos e depois tem uma palavra destas. Eu acho muito mal”, remata.

Segundo Armando Silva, a Junta não tem condições para desenvolver o projeto do centro de dia sozinha: “Eu só avanço com o centro de dia se tiver ou o apoio da Câmara, ou aqui da fábrica da Igreja, mas, após as palavras do presidente da Câmara, eu prefiro estar do lado dos idosos toda a vida, mas de uma forma diferente”, desabafa.

Questionado sobre uma possível recandidatura, Armando Silva diz que ainda é cedo, mas “a alegria da população” poderá levá-lo a dizer “sim” a um terceiro mandato.

3 Comments

  1. Paula cristina lopes gomes

    Por mim s. Armando fica ai na junta pela vida toda dele ate quando nao puder fazer mais nada e um homem de pe firme ate hoje motrou sempre o que vale e faz por essa terra. Ao contrario de quem la esteve muitos anos e nao fizerao desde que ele entrou mutrou sempre os enterresses deles um homem que nunca disse nao te ajudo tudo o que tivesse na posse dele o fez e mais ainda que fazia se enterresse em nada para ele.. Parabens ao S armando pk se nao fosse por ele ainda hoje nao avia nada feito em lustosa como tem feito esta a frente dos olhos de toda agente.

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  2. Abilio

    Parabéns por todas as obras feitas

    Reply
  3. Arminda

    Pára mim também o senhor presidente Armando Silva ficava para sempre porque ele o melhor
    para servir na junta porque ele o seus povo de lustosa que ele conhece melhor e que o Amã ele ten um grande coração é amigo deste povo de lustosa

    Reply

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