Centro Cultural e Desportivo da Ordem preparado para voos mais altos

Certificação será uma realidade já na próxima época

A freguesia da Ordem está em festa. O Louzadense aproveitou a ida à freguesia, no âmbito das festividades, para conhecer melhor o Centro Cultural e Desportivo da Ordem, uma associação desportiva fundada em 1976. Foi nas suas instalações que entrevistamos o presidente, Jorge Furtado, de 47 anos, que lidera esta instituição há 18 anos.

Quando questionado sobre a longevidade das suas funções de direção no CCD Ordem, o dirigente explicou-nos que tudo tem a ver com a consecução de três objetivos: “Ter uma equipa de hóquei em patins no nacional, uma equipa de futsal também no nacional e não deixar que as instalações do clube caíssem, porque estavam completamente deterioradas”, afirma, com o regozijo de os ter conseguido atingir na época 2013/14. “Nessa época, conseguimos todos esses objetivos. Seria a hora de eu sair, mas não saí, pois, depois de os conseguir, mal seria que não pudesse desfrutar deles e, por isso, propus-me a mais um ano, mas esse ano correu tão bem que acabei por continuar.

“Depois, com a ida para o campeonato nacional, assumimos uma série de compromissos, nos quatro anos na divisão nacional, nomeadamente em questões financeiras. Deixamos de ser um clube certinho e direitinho para não o ser”, explica, acrescentando que continuou na liderança da Associação para “resolver todas as coisas”. Com tudo certinho e direitinho, poderia sair descansado, mas não o vai fazer, pois há já mais projetos em mente, “uma nova etapa”.

Exigências do processo de certificação estão quase todas cumpridas
Esta nova etapa de que fala é a certificação UEFA FPF para entidades formadoras: “Estamos a falar de uma coisa a sério, de mais um compromisso, grande, enorme, que tem a ver com as competições nacionais”, avança, acrescentando que implica novidades nas infraestruturas, parte técnica, diretiva, financeira e parte médica. “Nós estamos a competir para três a quatro estrelas e, tendo esta possibilidade, não poderia deixar isto sem direção, ou permitir que quem viesse não tivesse a capacidade de o conseguir”, diz.

Esta questão da certificação é deveras importante, pois a não certificação a todos os níveis impedirá a entrada nos campeonatos nacionais. Isto significa que, “em termos de organização e em termos financeiros, vamos estar muito próximos do profissionalismo”, salienta, explicando que tal exige uma restruturação do clube: “Deixa de ter um presidente ‘faz tudo’ e passa a ficar dividido em quatro setores: o setor diretivo, completamente independente, o desportivo, o técnico e o medicinal. Temos de ter um centro de acompanhamento escolar para os miúdos até ao segundo ciclo, e vamos tê-lo com um professor aqui todos os dias a dar explicações, ou a ajudar a fazer os trabalhos de casa”, refere.

Sobre o investimento que tal acarreta, Jorge Furtado esclarece que a “federação não suporta rigorosamente nada”, mas que, atualmente, já estão cumpridas quase todas as exigências, que são 70 requisitos, faltando apenas “três ou quatro requisitos, que são o desfibrilhador, cumprir com a eficiência energética e a questão do ringue, onde temos de investir na segurança”.

Jorge Furtado, Presidente do CCD da Ordem

Jorge Furtado acredita que esta certificação pode ser bastante benéfica: “O Desportivo da Ordem terá logo a possibilidade de poder almejar o ponto mais alto do desporto, que é chegar a uma competição nacional ao mais alto nível. Em termos diretivos, terá uma direção muito mais profissional e, em termos técnicos, todos os treinadores terão de ter certificação e o registo criminal limpo”. O dirigente destaca também as vantagens para os atletas com objetivos desportistas, que só podem ser concretizados num clube certificado. As vantagens justificam, assim, os custos financeiros e as responsabilidades acrescidas.

Futsal poderá ganhar força

O futsal é uma referência no Clube, tendo a equipa sido campeã de série no primeiro ano, na época 2014/15, classificada para a fase final de subida para a primeira divisão: “Ficamos em terceiro lugar, a três pontos de poder subir”, recorda.

Os dois últimos anos descrevem uma curva descendente no futsal. O presidente explica porquê: “A razão prende-se com duas situações: de facto, tínhamos um plantel brutal, cujos elementos foram competir para campeonatos onde lhes pagavam. Perdemos jogadores excelentes. Não é fácil ter jogadores deste calibre. Alguns foram para outros clubes do campeonato nacional, outros tiveram convites para a primeira… Acabamos por descer de divisão desportivamente”, conta. Mas esta situação não esmoreceu os ânimos: “Vamos preparar uma equipa na próxima época, aproveitando a formação, mantendo a espinha dorsal”, garante.

Neste momento, o Clube tem inscritos oitenta atletas, divididos pelos escalões infantis, iniciados, juvenis, juniores e seniores masculinos, embora esteja previsto, para o próximo ano, seniores femininos. “A aposta no feminino é um recomeçar. Já em 2013/14, tivemos uma equipa sénior que subiu logo no primeiro ano e, no segundo ano, fomos longe na Taça de Portugal. Depois, por vários motivos, nomeadamente a falta de pessoal credenciado, condições financeiras e técnicas, tivemos de acabar. Agora, há um reabilitar, com gente mais nova, com algumas miúdas que já cá estiveram cá e lançaram-me de novo o repto”, conta.

Para o sucesso do Clube é determinante a massa humana: “O meu principal objetivo, tendo em conta o capital humano, é receber toda a gente que queira praticar no Desportivo da Ordem ou assistir. Serão bem aceites ou inscritos”, afirma, ressalvando que, no que diz respeito à convocação dos atletas, essa é uma responsabilidade do departamento técnico, que instituiu que, dos seniores até aos benjamins, os plantéis devem ter quinze atletas: “Como é óbvio, não mando ninguém embora. Só para ter uma ideia, em duas captações que fizemos, tivemos 21 miúdas”, refere, acrescentando que conta chegar aos 100 atletas.

Ajuda financeira por parte da Câmara é tardia

Apesar dos grandes sonhos, nem tudo é fácil. Embora reconheça que tem “uma ajuda brutal da Câmara Municipal de Lousada na comparticipação dos exames médicos e nos seguros, queixa-se da espera: “Essa comparticipação acontece até ao cêntimo, mas não é no timing que nós precisamos. Eu tenho de inscrever o clube no limite até ao dia 14 de setembro e só vamos assinar os protocolos no mês de setembro. Quer dizer que só vamos receber esse valor no final do ano, mas temos de ter esse valor para pagar à AF Porto”, explica, dando uma sugestão: “Eu acho que a CM resolveria isto facilmente junto da AF Porto, pois são instituições públicas e há muito mais flexibilidade”.

As receitas financeiras do Clube passam também pela mensalidade paga pelos atletas, até ao escalão júnior. “Os escalões têm de ser autossustentáveis, ou seja, cobrir as despesas”. Essas despesas incluem lanches, transporte e valor das ajudas de custo do treinador. “Não temos lucro, mas há escalões que gerem de tal forma o dinheiro, que lhes permite fazer dois a três jantares ou almoços por época”, realça. Todo o material e logística são disponibilizados pelo clube, com dinheiro “dos patrocínios, dos subsídios, da gestão do bar e das infraestruturas”, esclarece.

Certificação vai marcar a diferença

Jorge Furtado recorda que o pavilhão do Clube foi o primeiro a nascer numa freguesia para a prática de futsal: “Agora há mais pavilhões, e isso tem condicionado este clube”, diz. A antiguidade permitiu-lhe ir dando passos, colocando-se sempre na vanguarda: “Fomos dotando o clube de infraestruturas, de capital humana e até financeiro”. O presidente diz-se feliz por ver outras associações a praticarem e formarem atletas no futsal, mas reconhece que, na época 2019/20, o CCD da Ordem vai fazer a diferença: “Vamos ser certificados e mais nenhum clube o será e , se o forem, não será com 3 ou 4 estrelas, pois não é fácil cumprir os setenta requisitos e isso vai marcar a diferença. Esta certificação vai colocar-me aqui mais um ano ou dois, e não tenho dúvidas nenhumas de que esta certificação será sem dúvida uma mais-valia”, acredita.

Hóquei um patins revitalizado

O hóquei em patins vai voltar em força começando pelos mais pequenos. Aliás, já está a decorrer o trabalho nesse sentido: “Nós temos alguns professores que já foram atletas ou treinadores e que estão a dar formação nas escolas no primeiro ciclo no concelho inteiro. Neste momento, têm uma hora por semana”, refere, acrescentando que são 89 os alunos inscritos no hóquei em patins ou na patinagem: “Para o ano, no início da época, teremos pelo menos uma ou duas equipas de benjamins ou infantis, para começarmos do zero, de forma sustentável”. O objetivo é, com tempo, criar uma nova equipa de seniores.

Jorge Furtado confessa que o Hóquei em patins lhe está no sangue: “Foi uma das razões pelas quais eu vim para aqui”. O presidente conta como foi: “Juntaram-se uma série de praticantes que me lançaram esse desafio, e a paixão fez com que inscrevesse uma equipa na terceira divisão. Os custos são brutais, e os atletas aqui da casa era apenas um ou dois. Eu sabia que seria um projeto a curto prazo, pois faltavam os alicerces”. Agora, com os alicerces, o projeto tem tudo para ter sucesso. Essa é a sua convicção.

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Rezar por mais saúde e menos guerras

A PROCISSÃO DE VELAS É UM SINAL DOS TEMPOS Em maio realizam-se as procissões de velas. Os...

LADEC Celebra 14.º Aniversário com Jantar Convívio

No passado dia 18, a LADEC - Lousada Associação de Eventos Culturais comemorou o seu 14.º...

Hugo Regadas Vence a Internacional XCO Super Cup

No passado domingo, em Vila do Conde, o lousadense Hugo Regadas, a competir pela equipa Rompe...

Editorial 121 | Lousada é Grande

Lousada, terra de história e tradição, ostenta com orgulho a sua grandeza. O nosso Torrão, que há...

Lousada Junior Cup: Título da primeira prova ficou em casa

O português João Dinis Silva conquistou a primeira prova da Lousada Junior Cup, depois de derrotar...

Lousada ao rubro na Super Especial do Rally de Portugal

A 57º edição do Rally de Portugal trouxe a Lousada os pilotos do Campeonato do Mundo de Ralis...

DIALLEY – Agência de Marketing em Lousada

O nome foi inspirado na Diagon Alley, um local emblemático da saga Harry Potter, da qual Sofia...

Apresentação da trilogia “As Aventuras da Maria” encanta público

No passado dia 11, a Assembleia Louzadense acolheu a apresentação da trilogia "As Aventuras da...

Luís Santos é mandatário da candidatura da Aliança Democrática em Lousada

A candidatura da Aliança Democrática (AD) em Lousada terá como mandatário Luís Santos, Coordenador...

USALOU é um berço de cultura sénior

CAVAQUINHOS E TUNA SÃO DOIS EXPOENTES O principal objetivo da Universidade Sénior do Autodidata de...

Siga-nos nas redes sociais