“Há muitos caídenses que nunca entraram no Cais Cultural”

Aquele que era um cais de mercadorias, inativo desde as obras de remodelação e eletrificação da Estação de Caíde de Rei, por ação do antigo presidente da Junta António Meireles, após obras de requalificação, tornou-se num centro cultural, inaugurado oficialmente a 20 de dezembro de 2008, com o objetivo de desenvolver uma cultura de proximidade e criar uma sede para associações da freguesia.

A 5 de julho de 2010, foi fundada a Albano Moreira da Costa – Associação Cultural, que se torna a responsável pela gestão e dinamização do Cais Cultural, desvinculando-se da Junta de Freguesia.

Luís Peixoto, de 28 anos, é o presidente da associação Cais Cultural Albano Moreira da Costa, que completou uma década no ano passado, sob o lema “10 anos a criar cultura”. Para ele, a abertura do Cais Cultural foi um marco cultural para a região.

Nesta curta entrevista, fique a conhecer melhor o Cais Cultural, pela voz do presidente da Associação.

Resuma o seu percurso enquanto presidente.

Faço parte da associação desde a sua criação em 2010, começando por desempenhar funções no conselho fiscal. Em 2012, com apenas 21 anos, assumi a presidência da Associação, juntamente com uma equipa que pretendia dinamizar o Cais Cultural. O primeiro desafio foi a angariação de fundos, porque não havia qualquer valor disponível e as despesas começavam a surgir. Depois, tornar as atividades autossustentáveis foi também uma preocupação, para que nos sobrasse dinheiro para os encargos fixos do Cais. Importante foi também convidar várias pessoas para que fizessem parte do grupo de voluntários que desempenharia várias tarefas. Felizmente consegui e a maioria ainda hoje se mantém connosco, mas claro que são sempre poucos. Em 2014 e 2017, fui novamente reeleito presidente da direção, pelo que já lá vão 8 anos a desempenhar esse cargo.

Caracterize o atual momento da Associação.

Neste momento, a nossa associação passa por uma fase boa, temos uma boa dinâmica cultural e o nosso trabalho tem sido espalhado e reconhecido. Felizmente, estamos rodeados de sócios, voluntários e amigos, que nos dão garantias de futuro, mas são sempre poucos, pelo que fica o convite para que novas pessoas se juntem a nós.
A comemoração dos 10 anos foi uma prova da nossa vitalidade. Temos projetos que nos fazem perspetivar um futuro preenchido, nomeadamente o Grupo de Teatro Linha 5 e a Confraria do Sarrabulho Doce, que já espalham por longe o nosso nome.

Quais são as principais atividades da Associação?

Anualmente, realizam-se cerca de 40 atividades, pelo que podemos destacar algumas emblemáticas, bem como a criação dos vários projetos. Nas atividades, destacamos a Sopa do Cais; a Festa do Sarrabulho Doce; o Festival de Teatro Amador de Caíde (FESTAC); o Arraial dos Santos Populares. A nível dos projetos, damos destaque ao Grupo de Teatro Linha 5; à Biblioteca do Cais e ao seu Clube de Leitura Lê de Letra; ao Ocup’Arte no Cais (centro de ocupação para adultos); à Confraria do Sarrabulho Doce de Caíde de Rei; à criação do grupo de caminhadas (CaiSminhadas); ao grupo de dança Union Fam e ao Grupo Musical Yellois. Claro que cada projeto desenvolve várias atividades que complementam a nossa dinâmica cultural.

Quais são as maiores dificuldades desta associação?

A principal dificuldade é a utilização do Cais em dias de condições atmosféricas adversas, principalmente no inverno, porque é demasiado frio no interior e até pode entrar água em dias de chuva. Este problema só ficaria resolvido com a colocação de um telhado novo. Outra dificuldade é financeira, como é comum nas associações. Temos imensas despesas associadas ao espaço, como a renda, água, luz e a limpeza da estação, para as quais canalizamos a maioria das nossas receitas, pelo que ficamos muito limitados quando queremos realizar atividades diferentes que envolvam despesas acrescidas. Logo acabamos por estar sempre dependentes da gratuitidade e disponibilidade de grupos e amigos. Outra dificuldade é manter os poucos sócios que temos com as suas quotas regularizadas.

Sente o apoio da comunidade local e das entidades (públicas e privadas)?

Com o passar dos anos há mais caídenses a frequentar o Cais e as nossas atividades, no entanto, há também cada vez mais pessoas de fora da nossa terra a visitar-nos. Sei bem que há muitos caídenses que nunca entraram no Cais Cultural, e isso é algo que ainda me entristece. Se houvesse mais adesão da nossa comunidade, tudo seria mais fácil.

Com o Município de Lousada temos uma boa relação, pois somos convidados a participar em eventos da sua responsabilidade e, além disso, atribuem-nos os apoios possíveis, aproveitando para destacar a colaboração que teve connosco para tornar possível a intervenção no telhado. Quanto à Junta de Freguesia de Caíde de Rei, serve de intermediária no que toca a pagamentos, pois o contrato de arrendamento do Cais está em seu nome, pelo que agradecemos o facto de nunca ter colocado qualquer entrave a esse contrato. No entanto, face à visibilidade que damos à freguesia, merecíamos outro reconhecimento. Destacamos ainda algumas empresas que nos dão vários apoios, quer monetário, quer em materiais/produtos.

Como vê o futuro desta associação?

Vejo o futuro do Cais com bons olhos. Está tudo estruturado e em bom funcionamento, mas o futuro também se garante com novas pessoas. Ninguém pode ficar nas associações para sempre. A nível das instalações, o grande desafio será conseguir a colocação de um telhado novo no edifício. Além disso, queremos tornar o Cais Cultural de Caíde de Rei num espaço cultural de referência na região, com eventos de destaque, como a Festa do Sarrabulho Doce, que pretendemos tornar num certame nacional, bem como tornar mais visível o nosso festival de teatro amador, com a possível participação de grupos das ilhas e Espanha.

Que mensagem gostaria de deixar aos sócios e simpatizantes?

O Cais Cultural de Caíde de Rei está sempre de portas abertas a projetos, iniciativas e grupos. Precisamos do apoio de todos, pelo que aproveito para deixar o convite a fazerem-se nossos sócios por apenas 1 euro/mês. É preciso apoiar e valorizar a cultura de proximidade, porque só juntos criamos cultura.

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