por | 23 Mar, 2020 | Cultura, Freguesias

Fernando Jorge Martins

Barrosas Santo Estêvão

Diz bem quem diz que há duas freguesias de Barrosas Santo Estêvão: uma antes e outra depois de Fernando Jorge Martins ter passado pela presidência da Junta de Freguesia. Este autarca prematuramente desaparecido do mundo dos vivos dotou a sua terra de obras inolvidáveis e acima de tudo deixou um exemplo de serviço e de bairrismo. Quase dez anos depois do seu passamento, o saudosismo que se sente em Santo Estêvão é ainda profundo e as forças vivas locais elegem Fernando Martins como o seu Louzadense com Alma.

Fernando Jorge Santos Martins nasceu no distrito do Porto, concelho de Lousada, freguesia de Barrosas (Santo Estêvão), no lugar de Fonte Nova, em 10 de Março de 1962. Filho de José Lopes Martins e de Maria Amélia Lopes dos Santos. Era o mais velho de sete irmãos e faleceu no dia 10 de Julho de 2010.

Ainda muito pequeno, com quatro anos de idade, imigrou com os pais para França. Ali se manteve até 1975. Em terras francesas recebeu a aprendizagem escolar do ensino primário e os ensinamentos da catequese tendo cumprido a Primeira Comunhão e a Profissão de Fé ou Comunhão Solene.

Aos 13 anos de idade regressou a Portugal e foi estudar para a escola secundária de Felgueiras para concluir o nono ano de escolaridade. Foi em Guimarães, na Escola Francisco de Holanda que completou o décimo segundo ano. De seguida entrou para o ensino superior, ingressando na Faculdade de Engenharia do Porto, onde concluiu os três primeiros anos de engenharia eletrotécnica.

Cumpriu o serviço militar obrigatório no Quartel Militar de Transmissões, no Porto, onde obteve a patente de Furriel.

Entretanto, o seu pai propôs-lhe e ao irmão assumirem a gerência do estabelecimento comercial de drogaria e materiais de construção, no rés-do-chão do edifício da família.

Casou em 13 de julho de 1991 com Virgínia Ferreira, na paróquia de S. Miguel das Caldas de Vizela, de onde a noiva era natural. Desse enlace matrimonial nasceu, no dia 14 de fevereiro de 1993 o único filho do casal, Diogo Martins, que entretanto se formou em engenharia pela universidade de Coimbra.

No entender de Agostinho Peixoto, um dos seus melhores amigos e companheiros de lutas políticas, “o Fernando Jorge foi uma figura incontornável no desenvolvimento desta pequena mas frenética localidade”. Este antigo secretário da junta de freguesia salienta que “a dinâmica e versatilidade dele foram uma constante ao longo da sua existência e o seu nome ficará perpetuamente ligado a todas as obras de vulto realizadas nesta comunidade na última década do século XX e na primeira do século XXI”.

A capacidade empreendedora de Fernando Jorge Martins é do reconhecimento geral de quem com ele conviveu de perto ou de longe. Das características pessoais que mais o destacavam era sobretudo o caráter forte e o bairrismo, mas o altruísmo é também característica enaltecida por várias pessoas. A sua fonte de energia e resiliência em prol da tua terra eram por demais evidentes em tudo que o impelia como autarca e cidadão.
Agostinho Peixoto sublinha que “ele empenhava-se a fundo em todas as suas vertentes fossem elas políticas, familiares, religiosas, desportivas ou socioculturais”, acrescentando que “ele era persistente e determinado e por via disso a freguesia possui hoje em dia um vasto património imobiliário público”.

Engrandecer Santo Estêvão era uma causa muito cara a Fernando Jorge que incentivou e impulsionou empreendimentos de difícil prossecução mas de grande necessidade para a freguesia. O Centro Escolar, o restauro da Igreja Paroquial, as obras na capela do Senhor do Padrão, a sede do Grupo Recreativo Desportivo e Cultural, a sede da Junta de Freguesia e sobretudo aquela que ele dizia ser o seu ex-libris ou obra-prima, o Pavilhão Desportivo, que fica paredes-meias com o Centro Escolar.

Atento ao mérito de Fernando Jorge Martins na execução do pavilhão, o executivo camarário prestou lhe o merecido tributo colocando na entrada do edifício uma placa com a inscrição simples mas significativa: “Fazes parte deste projeto”.

A sua carreira na vida política teve início na década de 1990 quando foi convidado para encabeçar a lista para a Assembleia de Freguesia, tendo sido eleito para aquele órgão autárquico. Mas a Junta de Freguesia em exercício foi destituída com perda do mandato e ele próprio assumiu a presidência conforme manda a Lei. Em 1993 candidatou-se como cabeça de lista para a Junta de Freguesia onde se manteve durante vários mandatos até à sua substituição por causa de uma doença fatal que o viria a vitimar despois de um prolongado internamento hospitalar.

No campo desportivo teve também uma vida muito preenchida. Esteve sempre ligado ao Grupo Desportivo Recreativo e Cultural (GDRC ) a quem nunca regateou esforços pese embora ter que suportar dissabores resultantes de quezílias, disputas e queixas por causa da construção da sede do GDRC e da Junta de Freguesia, mas a obra fez-se a a freguesia ganhou com isso.

O seu forte sentimento bairrista voltaria a vir ao de cima naquela que ficou conhecida como “a questão do concelho de Vizela”. Por ocasião da formação do novo concelho de Vizela, os promotores daquela empreitada pretendiam anexar a freguesia de Barrosas Santo Estêvão.

Por deliberação da Junta e da Assembleia de Freguesia, foi decidido pedir a opinião dos habitantes de Santo Estêvão sobre a passagem para o concelho de Vizela ou permanência no concelho de Lousada. A lealdade de Fernando Jorge ao concelho de Lousada fez dele um acérrimo defensor da continuidade e conseguiu incutir isso na esmagadora maioria da freguesia de Barrosas Santo Estêvão.

O referendo ocorreu no dia 19 de Abril de 1998 com a presença da comunicação social portuguesa em peso, nomeadamente com os três canais de televisão ali presentes para registar o momento histórico e de grande importância social e política. A favor da continuação no concelho de Lousada votaram 381 pessoas e somente dez pessoas votaram a favor da passagem para o novo concelho de Vizela. Foi um dos dias mais felizes de Fernando Jorge Martins no que se refere à vida pública.

Sem dúvida que Santo Estêvão fica muito bem representado neste projeto de Louzadenses com Alma. Um bem-haja à família e amigos que colaboraram neste resumo biográfico.

José Carlos Carvalheiras

1 Comment

  1. Virginia Ferreira

    Obrigada pela homenagem, ficará sempre no nosso ( meu) pensamento .
    Virginia Ferreira

    Reply

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