Colégio São José de Bairros adapta-se à nova realidade de ensino

Crise não faz esmorecer entusiasmo pela abertura da nova casa

O Colégio São José de Bairros é uma instituição de ensino privada, que acolhe 290 alunos, desde o pré-escolar ao secundário e, tal como outras instituições desta natureza, a suspensão das atividades letivas obrigou os profissionais a lidarem com uma nova realidade.

Paula Teixeira da Rocha, diretora deste colégio lembra a noite atribulada de domingo quando teve conhecimento de que as escolas do concelho iriam encerrar: “Tivemos que fazer comunicações aos funcionários e aos pais. Foi um susto muito grande, um dos maiores sustos que apanhei na vida”, confessa.

Confrontada como a situação “inesperada e assustadora”, tentou tranquilizar-se a si própria, consciente de que as suas atitudes se iriam refletir nos outros. Iniciaram-se os contactos com os pais e encarregados de educação, com a única certeza de que a mensagem a passar deveria ser de tranquilidade e não de alarme.

A instituição fechou, adotando “uma posição de muita humildade, obedecendo a todas as indicações dadas pela autarquia, pela DGS e pelo governo. Foi um momento de confiar em todos eles”, afirma.

Comunicação com as famílias é importante

O colégio São José de Bairros é uma instituição privada que conta com 40 funcionários e alguns colaboradores, pelo que as despesas com o pessoal são elevadas. A diretora frisa que não quis que nenhum colaborador saísse lesado e que, apesar das dificuldades, estão a conseguir aguentar a situação. Sem poder contar com apoios para pagamentos, cedo percebeu que os professores teriam de continuar ao serviço. Apesar das dificuldades, Paula Teixeira da Rocha tem esperança de que esta fase vai passar e que irá vencer mais esta luta, apesar de não poder fazer muito para inverter a situação.

A expectativa sobre a reabertura foi sendo mais moderada à medida que ia tendo conhecimentos das notícias e percebia que o encerramento seria duradouro. O passar dos dias foi adensando também as dificuldades das famílias, o que se reflete na dificuldade em assumir o pagamento das despesas: “As famílias estão a passar momentos complicados, de muita incerteza, de perda de rendimentos, mas conseguimos fazer uma comunicação muito franca e humilde, percebendo que iria ser uma luta de todos”, afirma. A diretora diz que nunca irá esquecer a atitude dos pais, que “estão as ser muito cumpridores na parte que lhes compete, sem questionar. Temos um caso ou outro é verdade, a quem retirei os serviços, mas eu sei que há casos com dificuldades e sei que são sacrifícios que nós nunca iremos esquecer”, assevera.

Os professores do Colégio estiveram em contacto com os alunos desde o primeiro dia de paragem das atividades letivas presenciais. “Logo na segunda-feira, tivemos reuniões com todos para percebermos como é que iríamos levar a escola a casa, mas, entretanto, começaram a surgir as orientações do Ministério. Tínhamos de cumprir esse desígnio, mesmo sem ter essa indicação, pois é uma escola privada, os pais pagam e nós tínhamos que garantir que os nossos alunos não iriam ficar sem o contacto com a escola”, explica.

A diretora e também professora garante que todos estão a fazer o melhor que podem e sabem e reconhece que este período tem sido de grande aprendizagem diária. Apesar de todos os constrangimentos, mostra-se satisfeita com o trabalho desenvolvido.

Crianças têm saudades da escola

Paula Teixeira da Rocha conta que, no início, as crianças se sentiram assustadas, apesar das sessões com os professores para que compreendessem a situação, mas agora o sentimento que mais se nota nos alunos é de saudades da escola: “Os pequeninos ficam mais impacientes e os mais velhos vão ficando mais tristes e preocupados. Os nossos alunos estão muito ocupados, pois nós fazemos as aulas presenciais em vários momentos do dia, em que eles estão em contacto direto com os professores. Mas não é a mesma coisa, falta a componente da socialização, da convivência, que é muito importante para os jovens”, refere. “Os nossos jovens, hoje em dia, estão em muitas atividades, sobretudo atividades desportivas e eu penso que lhes faz muita falta essa parte”, acrescenta. A estas atividades, juntam-se os aniversários, que não podem ser comemorados como do costume: “Nota-se a emoção. Há miúdos que começam a chorar. Quem trabalha com os jovens sabe que lhes foi pedido um sacrifício muito grande na flor da idade”, refere. O sacrifício começa a ser grande e a televisão e os jogos eletrónicos não são, afinal, uma paixão tão duradoura. “Eu fico agradada em saber que eles precisam de ter atividades de exterior, mas entristece-me porque percebo que o desânimo se instalou”, confessa.

A professora reconhece também que as famílias não têm vivido tempos fáceis, pois veem-se obrigadas a conciliar as tarefas domésticas com a orientação das crianças em estudo: “Os mais pequenos precisam da orientação dos pais”, explica.

No pré-escolar, a expectativa é de abertura no início de junho, mas já há planos para reabrir os restantes níveis de ensino em agosto se tiver autorização: “Temos de ter autorização e obedecer a um plano muito rigoroso de controlo sanitário, para garantir condições de segurança para regressar mais cedo”.

Novo espaço será inaugurado em setembro

O Colégio São José de Bairros está a construir novas instalações e esta crise veio abalar o otimismo do investimento para garantir mais condições aos alunos. Paula Teixeira da Rocha confessa que esta situação lhe tirou muitas noites de sono: “De facto, a crise apanhou-me na fase mais difícil. Não podia ter vindo na pior altura, pois estamos com um investimento muito grande a nível das novas instalações”. A diretora chegou a temer que a primeira fase das obras não pudesse ser inaugurada em setembro, se a situação pandémica se descontrolasse, mas garante que nem por um momento pensou em parar as obras: “Eu acredito que a ciência e os nossos cientistas vão dar uma resposta bem mais rápida do que se imaginava”, comenta, mostrando-se convicta de que a nova casa será um espaço onde todos serão muito felizes.

O espírito de família que impera no Colégio S. José de Bairros tem sobressaído neste momento difícil, o que confere estabilidade a todo o processo. “Tem sido bom ver essa parte”, comenta. Aos jovens, deixa uma mensagem de força e resiliência para que possam voltar às suas rotinas com alegria.

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