por | 28 Mai, 2020 | Sociedade

Pedro Ribeiro o enólogo lousadense que viaja pelo mundo

Pedro Ribeiro é enólogo e reside na Austrália, onde se dedica às vinhas e produção de vinho. Este ano as vindimas já começaram no outro lado do mundo e o enólogo explica que estão a ser “muito particulares” em virtude dos fogos florestais do ano passado, que afetaram as vinhas. “Os fogos florestais de grandes dimensões tiveram impacto na vida de todas as pessoas e o fumo tem grande impacto nas uvas. Há partículas que, com o passar no tempo, no vinho se começam a notar mais. Tentamos evitar ao máximo que essas partículas prejudiquem o vinho e por isso tem sido interessante pois estou a aprender muito”, explica.

Covid-19 não afeta vida do enólogo

A viver numa cidade pequena, a três quilómetros de Vitória, com cerca de três mil habitantes e uma rua principal “com meia dúzia de cafés e restaurantes”, Pedro Ribeiro não tem sentido de forma severa os efeitos do confinamento: “Não teve muito impacto na vida das pessoas, que acaba por ser trabalho-casa”, afirma. Também a nível profissional não sentiu muito o impacto da pandemia na sua vida. Lamenta, não poder viajar pela Austrália, que gostava de conhecer melhor.

Aventura na Nova Zelândia

A aventura das viagens começou a germinar na altura em que Pedro realizava um estágio na Quinta da Aveleda, em Penafiel. O diretor, Manuel Soares, “abriu-lhe as portas ao mundo do vinho”, aconselhando-o a viajar e a conhecer outras regiões. “Quando acabei o meu curso, achei importante ter essa experiência, falei com ele e ele partilhou comigo um contacto na Nova Zelândia”, conta. E assim começou a primeira aventura fora de Portugal. Enviou o seu currículo e foi aceite. Embarcou sozinho, para desconsolo dos pais, que viram sair de casa o único filho. “Foi muito difícil para mim e para a minha família, mas foi incrível. Penso, que cresci muito nessa viagem. Foi importante o que eu aprendi, mas também o facto de estar ali sozinho”, reconhece.

Tanto na Nova Zelândia como agora na Austrália, Pedro Ribeiro teve oportunidade de trabalhar naquilo que gosta, mas também de conhecer pessoas de todos os cantos do mundo e de passear. Podemos dizer, que são férias intercaladas com trabalho, como explica o enólogo: “Eles até lhe chamam um visto de férias. Pode-se viajar durante um ano, percorrer o país, mas também pode estar num local cerca de três meses. Normalmente, vem e está duas semanas a trabalhar num local e depois vai para outro. Enquanto faz isso ganha o seu dinheiro e consegue percorrer todo o país”. Além disso, ganhou amigos em todos os cantos do mundo: “Em qualquer país onde eu vá, terei algum amigo, o que é muito bom”.

Vindima na Argentina

As viagens pelo mundo também servem para afastar alguns receios e estereótipos relativamente a alguns países. Pedro dá o exemplo da América do Sul, que as pessoas têm algum receio em visitar por causa das notícias de insegurança. “Eu conheci muitos argentinos e muitos chilenos com quem tenho grandes amizades hoje e fiquei com interesse em conhecer o país deles. Acabei por fazer uma vindima na Argentina e foi um dos países de que mais gostei. Senti-me acolhido pelas pessoas. Acho, que eles não estão muito habituados a receber pessoas da Europa. Senti-me muito bem com eles”, refere. A questão da segurança implica sempre alguns cuidados, reconhece, mas não chega a ser um problema grave. E a nível cultural, há “coisas incríveis”, que compensam.

Pedro Ribeiro acredita, que estas experiências e conhecimentos muito amplos, que está adquirir no início de carreira, são deveras importantes. “Vamos para uma zona vinícola durante três a quatro meses e, nesse período, vivemos daquilo. Provamos muitos vinhos. Conhecemos muitas variedades, muitos enólogos, muitos viticultores, é um conhecimento gigante que se adquire em três ou quatro meses. Consegue-se isso duas vezes por ano. Temos as vindimas no hemisfério Norte, onde está Portugal, em agosto, setembro e outubro, e no hemisfério Sul, em fevereiro, março e abril”, elucida.

Experiências muito diversas, mas ricas

Para além da Nova Zelândia, Pedro Ribeiro esteve já nos EUA, na Califórnia: “Tive muita curiosidade em conhecer o país, mas não foi um dos meus preferidos. Tem uma cultura muito diferente e onde eu estava a população era metade americana e outra mexicana”, justifica, reconhecendo, no entanto, que o conhecimento de diferentes culturas também é bom.

No final de 2019, esteve mais próximo de casa, em França, 50kms a sul de Lyon, no vale do Rodin, “numa aldeia histórica muito bonita”. “Foi uma experiência muito boa, é um país que já nos diz bastante, já que temos uma cultura muito próxima. Temos lá muitos portugueses”, transmite. Apesar de não ter sido uma experiência tão impactante como as outras, a nível profissional reconhece que acabou por aprender muito. “Fazem coisas muito boas. Das regiões por onde já passei, foi a produção de vinhos de que mais gostei”, acrescenta.

No início de setembro, Pedro Ribeiro iniciará o mestrado em Montpellier, para consolidar as aprendizagens. “É um mestrado em inglês, o que facilita na minha vida. Espero que corra bem e que seja importante para mim”, comenta.

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