por | 28 Mai, 2020 | Opinião

“Perde tempo a deliberar, mas quando for momento de acção, pára de pensar e age!” Napoleão Bonaparte

A problemática dos resíduos sempre foi uma questão cara à população Lousadense. É um tema cuja relevância advém das consequências diretas que dita às nossas gentes. Quer aqueles que, nas freguesias fisicamente afetadas, contendem com elas, quer todos nós que nos vemos há anos a braços com um fait accompli imposto a Lousada em relação à gestão não só dos seus resíduos, mas também de grande parte da região.

Não é um tema novo, desde finais da década de noventa (com a mudança de paradigma que impôs um procedimento, se não eficaz pelo menos controlado, de recolha e tratamento dos diversos tipos de resíduos provenientes das áreas urbanas e industriais) que nos vemos confrontados com essa situação. Nessa altura, o imperativo exigido era simples e passava pelo fim da gestão “medieval” que dávamos, até então, aos nossos lixos. E assim foi, com a instalação na Freguesia de Lustosa de diversas instalações e valências com vista à prossecução desses objetivos de interesse público regional.

E as palavras não podiam ter sido outras. Disse e repito: tarefas de interesse público regional. Apesar do universo da gestão dos resíduos se fazer simultaneamente através de empresas do sector privado, do sector publico, ou de qualquer deles com participação e/ou coadjuvação do outro, o certo é que o serviço prestado é ambiental, de saúde pública e por isso do interesse indiscutível de cada um de nós.

É nesse seguimento que se torna totalmente justificado o clamor levantado nas últimas semanas nesta nossa terra de Lousada.

O que aqui está em causa não é a legalidade da contratação e do procedimento de transporte de resíduos vindos do estrangeiro e depositados na nossa terra. A questão fulcral, que porventura muitos esquecem, tem que ver com o abalo de princípios subjacente a todo o processo.

Para os lousadenses, parece-me, pouco importa saber quem gere o aterro, se a APA autorizou ou não este tipo de situações, se os lixos são “inofensivos”, se e quem (enquanto entidade pública competente) devia conhecer da situação concreta, tampouco importa saber quem conseguirá reclamar os louros de reverter esta pequena gota no oceano que é a problemática dos resíduos em Lousada.

Neste momento, urge parar de deliberar e agir no sentido de resolver a situação de fundo. Hoje, tal como no final da década de noventa, Lousada precisa não só travar situações calamitosas como as que vêm sendo notícia, mas sobretudo repensar a sua posição nesta matéria face à restante região e repensar a forma como aborda as questões legais e ambientais relativas ao tratamento de resíduos.

Veremos.

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