por | 10 Jun, 2020 | Desporto, Grandes Louzadenses

Pedro Mendonça continua a acelerar

Pedro Mendonça é piloto e navegador na área do todo-o-terreno. Começou muito novo a andar de mota, a entrar em competição e a ganhar lugar nos pódios. Participou em várias provas nacionais. Conheça a sua história nesta curta entrevista.

Como surgiu a navegação?

Fui ajudar um piloto muito jovem que é o Luís Cidade, que tem um ano de experiência. Eu, que sou mais veterano nestas andanças, fui-lhe deitar uma mão e temos feito muito sucesso e ganho alguns títulos. Tem sido uma experiência muito interessante, pois corremos o país de lés a lés. Fazemos off-road. Faço passeios off-road com os amigos e é espetacular, diferente e muito bom.

Como surgiu o gosto pelo desporto automóvel?

Comecei logo com as moto 4. Sempre gostei. Depois, quando tive a oportunidade de trabalhar para uma empresa que fazia competição de motos, tive uma ajuda preciosa que me começou a levar para as corridas e tive tudo dessa empresa, que começou a apostar em mim, que é Brother Garage. Graças a eles é que isto tudo começou. Foram provas de todo-o-terreno, quadcross, de resistência de duas horas numa pista com 18 a 20kms, fiz o troféu YAMAHA, que é uma prova muito conhecida para quem faz motocross e todo o terreno… Atualmente, fiz uma pausa nos Quad, ando mais dedicado aos SSB, que é o buggy. Mas há um troféu que tem as duas modalidades, e eu participo nas duas. É bom, pois junto o útil ao agradável.

De que maneira o Covid afetou nesta modalidade?

Os campeonatos pararam todos, tanto nas moto 4, como SS3, apesar de a modalidade ser isolada. Tínhamos a oportunidade de poder ir ao monte sem problemas e podermos andar à vontade. Começamos há um mês a treinar, para não perdermos resistência, pois é uma prova que precisa de muito físico. Nós, no monte, não nos cruzamos com ninguém. O quadcross convive com o público, e aí é mais difícil. Já há provas agendadas para setembro. Vamos tentar fazer com que tudo corra bem.

Quais seriam as provas se não houvesse o Covid 19?

No início deste ano, fizemos uma prova em fevereiro, a “Baja das vindimas em Beja”. Ela foi cancelada no ano passado, devido aos fogos. Fizemos uma prestação excelente, ganhamos uma especial, foi bom ficar nos cinco primeiros, em grelhas de oitenta carros, o que é muito competitivo. Em provas de 300 a 400 kms, terminamos às vezes a um minuto do primeiro.

Fizemos a prova mais próxima daqui, que foi a de Gois, a primeira prova oficial. Também ficamos em quinto lugar, mas vencemos antes de Gois uma prova extra que foi a baja ACP, que foi feita de Grândola a Santiago do Cacém. Ganhamos essa prova, que foi espetacular. Este ano já fizemos três corridas. É muita sorte nós fazermos 300 kms sem ter uma saída ou algum problema. Na primeira prova de Gois, tivemos alguns problemas e, por isso, ficamos em quinto.

Depois do Covid, tínhamos várias bajas para fazer, mas está tudo cancelado. Num campeonato de oito corridas, a federação quer que se concretizem quatro, que é a Baja do Pinhal, Baja TT de Idanha-a-Nova e a última, a mítica Baja Portalegre, que é a prova rainha de todo o terreno. Despois, temos a festa do todo-o-terreno, que são as 24 horas de Fronteira. No ano passado, participei nessa prova, com sessenta carros e pilotos famosos, como Tiago Monteiro, entre outros. Eu fiquei em oitavo lugar e o meu piloto, Luís Cidade, acabou por vencer com dez minutos de avanço.

Por que razão não é tão conhecido, nem no Facebook?

Não sei, talvez seja pelo facto de não me divulgar muito. Também não tem havido interesse da comunicação social em saber mais de mim. Muitas vezes, quando quero mostrar o meu trabalho, tenho de mandar e-mail.. É estranho, mas ninguém quer saber. Não recebo um convite, nada. No ano passado recebi um voto de louvor por parte do Município de Lousada, pois enviei um currículo. Por onde eu vou, acabo por levar o nome de Lousada, a terra do Rallycross. Também não faz muito o meu género de dizer que faço ou aconteço.

Tem tido apoios para competir nessas provas?

Eu neste momento estou com a equipa Can-am offroad Portugal. A equipa em que eu corro é o importador da Can-am para Portugal. Corro por uma equipa e é a equipa que arranja os patrocínios para nós. Eu tenho de ler as notas e ajudar o piloto.

A Moto4 é mais por si?

Na moto4, cinquenta por cento, sou eu que pago e os outros cinquenta é a Brothers Garage, onde eu trabalho e que ajuda na manutenção da mota, em pneus, nas deslocações, nas inscrições… No restante, como dormidas, tenho de ser eu a suportar. Eu nunca tive patrocínios na minha vida.
Se eu andasse no RallyCross, como é mais conhecido, teria mais visibilidade e interesse para ser apoiado, mas na modalidade de moto4 é mais difícil, não é tão conhecida. As pessoas não falam tanto.

Deixe uma mensagem final.

A mensagem que quero dizer é que tenho muito orgulho em ser de Lousada, que está ligada ao rally. Outra mensagem que quero deixar é aos amigos que tenho aqui em Lousada, que fazem rallycross, a quem quero deixar uma mensagem especial. Eles sabem de quem falo.

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