por | 23 Jun, 2020 | Cultura, Grandes Louzadenses

Rui Reis passou pelo CVS como aluno e hoje é aí professor

CVS: Escola de grandes artistas

Rui Reis é músico, colaborando com várias bandas, entre elas os Fulano-X, mas também professor no Conservatório do Vale do Sousa (CVS). A sua ligação à instituição remonta aos tempos de estudante, nos finais da década de 90.

Conheça o seu percurso na entrevista que se segue.

Como surgiu o CVS na sua vida?

Sou uma pessoa que está ligada ao Conservatório como aluno e como professor, mas o meu percurso não passou só pelo CVS. Ainda muito novo, com 9 anos, comecei a estudar piano numa escola em Paredes, na altura, por influência de dois tios meus que estudavam nessa escola. Tinha interesse em experimentar e assim foi a minha entrada na música como pianista. Um pouco mais tarde, decidi, por influência do meu pai, experimentar uma outra escola de música, mais de instrumentos de sopro, a Associação Cultural e Musical de Paredes. Aí começa a grande motivação. Não toquei logo saxofone, mas acabei por ser influenciado pelos professores da escola, como o professor Manuel Vieira, que me influenciou a tocar saxofone, sendo ele também um grande saxofonista. Então comecei a estudar o instrumento, a assistir aos concertos da OLVS BiG Band e a ficar com muita vontade de lá tocar. Ainda poucas notas sabia tocar, mas cheguei a entrar nesse grupo. Ao lado, a tocar, quem é que estava? A professora Fernanda Alves, atual diretora do CVS. Era recentemente professora no CVS e teve alguma influência sobre mim. Vim estudar com ela aqui para o conservatório, na altura Academia de Música.

Como foi a adaptação e o percurso, que começou na Academia e continuou no CVS?

Eu cheguei em 98/ 99 e assisti a uma grande transformação. Primeiro, a escola maravilhou-me, tanto pelos professores como pelos colegas que tinha aqui. Muitos deles ficaram amigos para a vida toda. Na altura, era uma escola completamente diferente daquilo que é hoje. Era pequena, o que tinha as suas desvantagens, mas também muitas vantagens, que foram termos criado uma verdadeira família, com laços muito mais fortes e muitas aventuras. Ao longo dos anos e com a oferta do ensino articulado, em que a escola foi pioneira, teve um crescimento muito grande, chegando hoje aos 450 alunos. Passar de uma escola de 40 a 50 alunos para 450 é uma diferença muito grande a nível social. Agora sim é uma grande escola, mas na altura era mais uma escola de convívio.

A partir do 10.º ano, ingressei no ensino articulado. Fui dos primeiros. Houve algumas dificuldades em compreender por exemplo a legislação, houve algumas perguntas difíceis. Foi um caminho que o Conservatório escolheu e de que eu me orgulho enquanto aluno de ter ajudado nesse período.

Eu estudei em Portugal, na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculos (ESMAE) no Porto, onde fiz a minha licenciatura e, logo a seguir, fiquei a trabalhar como professor de saxofone no CVS. Devo dizer que não tive nenhuma interrupção porque, durante o tempo em que estive na universidade, mantive-me ligado às atividades de enriquecimento curricular. Todos os dias, ou quase todos os dias, eu frequentava as instalações do CVS. Faço parte da mobília.

Como foi passar de aluno a professor?

Confesso que, inicialmente foi estranho. Começamos a ter os nossos ex-professores como colegas, mas a camaradagem que há no CVS entre colegas faz com que toda a gente seja muito bem integrada. Eu dizia que me sentia estranho em ser professor depois de ter sido aluno, pois lembro-me do percurso enquanto jovem estudante e, depois, sou visto como professor. Tive alunos que foram meus colegas enquanto aluno, e que tiveram sempre muito respeito por mim como atual professor. Agradeço a todos essa integração.

O Rui Reis tornou-se profissional da música.

Eu mantenho a minha atividade musical o mais intensa possível. Defendo que, para motivarmos os nossos alunos, devemos estar na frente de ataque e com eles no palco, por exemplo. O meu percurso, embora os meus estudos sejam de música erudita, clássica, anda muito ligado a vários estilos musicais. Eu costumo dizer que não gosto só de música clássica, rock, ou outro estilo qualquer. Gosto de música, de tudo o que seja música boa. Gosto de experimentar. Então, o meu percurso está muito à volta do jazz, pop, rock, e worldmusic… Vou andando por este país fora, passando o meu testemunho musical, com o máximo de atividade que consigo.

Eu já participei em muitos grupos nacionais e colaboro com muitos deles: o ensemble de saxofones “Vento do Norte”, um ensemble criado na escola onde eu estudei. Percorremos com ele muitos países do mundo, fazendo a nossa música. Ligados à música pop, colaboro regularmente com o Miguel Araújo, com os Azeitonas, já colaborei com os Expensive Soul, faço parte da Orquestra Bamba Social que é um grupo de Samba de Raiz criada no Porto e, claro, com a banda que tenho em Lousada, os Fulano-X, e uma orquestra de jazz de Fafe, a Orchestra Club.

Dedica-se à música continuando a viver em Lousada…

Eu costumo dizer que não troco Lousada por nada. Oferece-me comodidade, serviços, acessibilidade e tranquilidade acima de tudo. A maior parte dos grupos em que eu toco são do Porto, de Braga, de Fafe. Às vezes é mais difícil deslocarmo-nos dentro da cidade do Porto, por exemplo, do que chegar ao Porto. Lousada é uma terra com preocupações culturais e eu gosto de cá viver.

Quais são as expectativas para o futuro?

Estudar música, para mim, é fundamental na educação das pessoas, das crianças e dos jovens, por muitas razões. Muitas vezes eu ouço pessoas ou até crianças que dizem não ter jeito para a música. A música não é uma questão de jeito, é uma área do saber como português, a filosofia, ou outras. Não sei porque desapareceu. Na Grécia, era uma das áreas do saber. Estudar música é algo fundamental no crescimento e no desenvolvimento pessoal. Se isso depois se vai tornar numa profissão ninguém sabe. Eu só comecei a ver que poderia ser o meu futuro a partir dos quinze anos. Foi a minha professora Fernanda Alves que me deu um grande exemplo para ser aquilo que sou hoje. A mensagem que eu deixo é que estudar música é muito importante.

O CVS é uma escola que vai em velocidade cruzeiro. É bom crescer mais, ser mais criativa, vanguardista. Andar à frente do próprio governo, a apresentar propostas para novas formas de ensino e sermos a escola modelo para determinados projetos. Para mim, é esse o caminho.

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