por | 25 Jul, 2020 | Opinião

A “Verdade”, não pode ser camuflada…1ª Parte

As muitas questões a que a situação da pandemia, nas Regiões de Lisboa e Vale do Tejo, deu origem, foram o detonador para dar público conhecimento das minhas profundas preocupações sobre o que restará deste país, após o retorno a uma “nova normalidade”, no âmbito da “Saúde pública”, pois parece não haver dúvidas de um eventual “regresso ao passado” nada mais representar do que uma real utopia…

E, até porque não sou possuidor de conhecimentos de economia ou finanças, que me permitam pronunciar sobre o que nos espera, não abordarei matérias desta natureza, limitando-me a salientar a “originalidade” da unanimidade de todos os atores políticos, no reconhecimento de que uma enorme crise se avizinha…

Entretanto, face ao que me foi possível observar e analisar, a nível do que foi o comportamento do último e do atual governo e dos apoios que permitiram as suas sobrevivências, sinto-me obrigado a manifestar publicamente, as minhas mais profundas preocupações pelo futuro, a muito curto prazo, do que resta deste país!

Na verdade, se mesmo na hipótese de termos um governo integrando cidadãos de reconhecida competência e de honestidade, politica e intelectual a toda a prova, e imbuídos de um único espírito -Servir o país- a missão seria, estou tentado a afirmá-lo, verdadeiramente ciclópica, a realidade com que o país se depara, a nível governamental, obriga-me a reduzir o nível da esperança a pouco mais que “zero”! Com a agravante, de enorme dimensão, de o atual Presidente da República evitar, a todo o custo, qualquer “litígio” com o governo em funções…

E passo a referir algumas das situações e ocorrências e, portanto, factos, que tiveram lugar nos últimos anos e que validam a razão de ser de não conceder ao atual governo, como já sucedia ao anterior, um mínimo de credibilidade, dispensando-me, em parte delas, de fazer comentários, dados os mesmos já constarem de Artigos de Opinião, Notas e simples Comentários de que fui dando público conhecimento:

-Assinatura do “Pacto Global para as Migrações”, por parte de António Costa, assumindo compromissos que, inclusivamente, não só afetam a soberania nacional, como são fatores de risco, no que diz respeito à Segurança interna;

-Não promulgação de legislação que permita um combate eficaz à corrupção;

-A transformação do governo numa verdadeira “Agência de emprego de âmbito familiar”;

-A crescente subordinação do poder político ao poder económico e financeiro;

– A existência de uma justiça para os “ricos e poderosos” a par de uma outra, para os “pobres e desprotegidos”;

-A politização do cargo de “Procurador-Geral da República”, claramente evidente quando da última escolha;

-A crescente fragilização das forças de segurança, muito especialmente no que diz respeito à P.S.P. permitindo situações de verdadeiro vexame;

-A gritante dualidade de critérios, no que diz respeito às autorizações, concedidas ou negadas, a eventos -espetáculos e manifestações;

-O constante recurso aos partidos políticos posicionados à sua esquerda, incluindo os que integram a extrema-esquerda, para garantir a aprovação das suas propostas ou a reprovação das que têm origem em partidos posicionados à sua direita, e mesmo a sua sobrevivência, quando a possibilidade de tais “alianças” não estarem incluídas em qualquer dos dois programas eleitorais. E como não existem “almoços” grátis…

Muitos mais exemplos poderiam ser apresentados, mas, muito embora repetindo algumas situações já abordadas em publicações anteriores, sinto-me compelido a analisar, com muito mais detalhe, situações e comportamentos que a pandemia com que o país se debate, permitiu conhecer.

E como “cartão-de-visita” do que foi o desempenho, por parte de alguns elementos, nas funções a seu cargo, não tenho qualquer dúvida em escolher a Senhora Diretora de Direção Geral de Saúde, autora de uma série de comentários, dignos de qualquer comédia, não fosse a gravidade da situação que se temia. E transcrevo duas das frases mais marcantes:

“Há baixíssima probabilidade de vírus em Portugal. A OMS está a exagerar um bocadinho” e “Não usem máscaras. As máscaras dão falsa sensação de segurança”.

E, para que outras personalidades não pensem estarem isentas de críticas, nada como acrescentar algumas intervenções, altamente significativas da capacidade dos seus autores:

António Costa: “Até agora não faltou nada no SNS e não é previsível que venha a faltar” e “Não vai haver austeridade”.

Lacerda Sales: “Esta semana chegam 500 ventiladores. Outros tantos após a PÁSCOA”.”

Augusto Santos Silva: “Admitimos retaliar contra países que impedem entrada de portugueses”.

Pela amostra, fácil é compreender a razão pelo que afirmo, na parte inicial do texto, ou seja: “obriga-me a reduzir o nível da esperança a pouco mais que “zero”!

“Esta é uma guerra biológica para a qual existe doutrina e tática adequada. As Forças Armadas Portuguesas podem e devem ser empenhadas noutras dimensões. Dispõem de pensamento estratégico, de organização e disciplina, de treino e capacidade face a ameaças biológicas e têm meios operacionais preparados e disponíveis”.

O texto acima transcrito, foi copiado, com a devida vénia, de um Artigo do jornal “SOL” e, só por si, explica a razão de ser de várias das falhas e erros cometidos no combate à pandemia, com custos de dimensões só suscetíveis de serem avaliados no “final da guerra”. Sucede que, meses atrás, havia alertado, publicamente, para a especificidade do combate a travar, publicando Artigos de alguns especialistas e referindo o facto de, na qualidade de oficial das Forças Armadas, ter alguns conhecimentos teóricos sobre a questão em causa. Lamentavelmente, passou-se demasiado tempo sem se recorrer à colaboração de tais forças e nem sequer das Forças de Segurança. Curiosamente, ou não, há algumas semanas e por várias vezes, veio a público a hipótese de serem utilizados fuzileiros navais, na ajuda do controlo de acesso às praias…Ridículo, é a qualificação mais “soft” que me ocorre

E se me sinto compelido a aceitar e mesmo a compreender, as dificuldades sentidas pelos responsáveis, de natureza individual ou coletiva, na ação de combate a um “inimigo” praticamente desconhecido, mas que rapidamente foi identificado como agente da “guerra biológica”, de modo algum aceito e muito menos compreendo, as permanentes contradições de afirmações de natureza pública ou os frequentes erros nos números que serviam de base para a elaboração dos gráficos indicadores da evolução da pandemia e dos dados públicos, diariamente apresentados. E, ironia do destino, quando os números fornecidos permitiram uma avaliação otimista da situação, o país foi apresentado, por uma entidade internacional, como ocupando o último lugar, no ranking da União Europeia, no que diz respeito ao “Rt” …

Mas há um comportamento que muito dificilmente merecerá apoio e muito menos esquecimento: o total ostracismo a que, durante meses, foram votados os lares de idosos e que se constituíram em focos de infeções, afetando não só os idosos internados, como funcionários que neles prestavam serviço, havendo já a considerar um elevado número de óbitos e, em certas situações, a difusão do vírus para o exterior. E, lamentavelmente, só a proliferação destas situações, obrigou os responsáveis máximos pela condução das ações a decorrer, a corrigir a rota e a tentar impedir a progressão do que uma alta personalidade internacional rotulou de “peste grisalha” e de fator limitativo do desenvolvimento económico!

Lamentavelmente, só quando se tornou claramente evidente a necessidade da colaboração das Forças Armadas, tanto em termos de pessoal, como de instalações e equipamentos, tal colaboração foi solicitada. Entretanto, começaram a ser públicas críticas de profissionais da área da saúde, incluindo as do próprio Bastonário da Ordem dos Médicos, ao funcionamento do SNS, referenciando deficiências de natureza vária, nomeadamente carências ao nível de pessoal, no âmbito exclusivamente quantitativo. E como exemplo de crítica que de modo algum posso deixar de referenciar e salientar, a seguir se transcreve, com as devidas vénias, uma afirmação, que considero de profundo significado, incluída numa entrevista vinda a público:

“Não percebo porque é que a saúde pública há de ser gerida com este amadorismo”. Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, em entrevista ao jornal “i”. Curto, Conciso e Correto…

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