por | 13 Set, 2020 | Grandes Louzadenses, Sociedade

Surto de COVID-19 no Hospital de Lousada

Estes últimos dias foram alarmantes para Lousada e em especial para Santa Casa de Misericórdia de Lousada (SCML), proprietária e responsável pela administração do Hospital de Lousada (HL).

O Louzadense relata todos os acontecimentos desses oito dias intensos de ocorrências, bem como alguns factos menos conhecidos.
No dia 1 de setembro, uma funcionária do Hospital de Lousada terá acusado positivo no teste à COVID-19.

Soubemos que, no dia seguinte, houve reuniões entre os responsáveis pelo HL e diversas entidades locais e regionais relacionadas com o assunto em causa, nomeadamente a Delegação de Saúde Pública, Rede dos Cuidados Continuados, ACeS Tâmega III Vale do Sousa Norte, Centro Hospital Tâmega e Sousa, Proteção Civil, Câmara Municipal, entre outros.

Nesse mesmo dia, à noite, o HL emitia o primeiro comunicado onde referia “que identificou um surto de Covid-19 que teve lugar na Unidade de Cuidados Continuados Integrados da instituição. Foi acionado o plano de contingência criado para o efeito, sendo todos os utentes e colaboradores submetidos a teste para identificação de casos positivos. À data, todos os doentes encontram-se com um quadro clínico estabilizado. A Misericórdia de Lousada, no cumprimento com os procedimentos legalmente instituídos, reuniu-se com as entidades competentes para delinear o plano de ação para minimizar os impactos do surto identificado, estando a ser tomadas as medidas adequadas e proporcionais à situação”.

Este comunicado gerou alguma ansiedade na população, devido fundamentalmente a algumas notícias emitidas pelos meios de comunicação social, que avançavam com um número maior de infetados nessa unidade do HL. O Louzadense encetou contactos com alguns dirigentes do HL, mas remeteram-nos para futuros comunicados, “pois iria ser assim a opção de comunicação do HL”.

No dia 3 de setembro, soubemos que mais reuniões aconteceram, no sentido de resolver as questões dos doentes infetados, mas a dificuldade de encontrar um local para receber os doentes COVID-19 criou algum impasse nas medidas a tomar. Sabemos, agora, que a opção foi retirar os utentes que não estivessem infetados dessa Unidade de Cuidados Continuados. As dificuldades das entidades regionais e nacionais para encontrarem um local que aceitasse receber esses utentes não infetados foi evidente. Esses utentes tiveram de ser transportados para o Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, em Cantanhede. O Louzadense apurou que o Hospital Miliar do Norte teria condições para receber esses doentes, mas não conseguiu saber a razão de não ter sido aproveitada essa disponibilidade.

Entretanto, a SCML enviou o segundo comunicado às redações da imprensa: “A Santa Casa da Misericórdia de Lousada vem a público comunicar que após a realização dos testes foram identificados 18 casos positivos de Covid-19, dos quais 12 são doentes e 6 profissionais de saúde.
Dos utentes com resultado inicial negativo, alguns encontram-se a aguardar resultado de novo teste realizado por terem iniciado sintomatologia. Dos 12 doentes, 2 apresentaram sintomatologia que levou à transferência para o hospital de referência, os restantes encontram-se com um quadro clínico estabilizado.

Ao longo do dia, ocorreram reuniões de articulação com as entidades competentes, com o objetivo de garantir o melhor acompanhamento e segurança dos doentes e profissionais da Unidade de Cuidados Continuados da instituição.

Nessas reuniões ficou decidido transferir os doentes que testaram positivo para uma nova ala de internamento do Hospital de Lousada, cuja construção foi recentemente concluída, de modo a garantir-se um maior isolamento entres grupos, bem como o seu acompanhamento clínico mais dedicado.”

Entramos no quarto dia de acontecimentos. Soubemos que o HL resolveu suspender ainda na quinta-feira as cirurgias a partir do dia seguinte e começou uma luta contra o tempo, ao contactar todos os seus colaboradores (médicos, enfermeiros, auxiliares e administrativos) que passaram pelo HL nas últimas semanas, para serem testados numa unidade que foi montada na garagem do Centro de Saúde de Lousada pela Delegação de Saúde Pública. Entretanto, por medida de precaução, o HL, em articulação com a Saúde Pública, resolveu suspender toda a sua atividade a partir da tarde dessa sexta-feira.

Também apuramos que foi com muito esforço de alguns colaboradores da SCML que foi possível agilizar a preparação da nova ala da ampliação do HL para receber os doentes COVID dos Cuidados Continuados. Soubemos que, perto das 3h da madrugada de sábado, todos os doentes estavam instalados nessa zona do hospital. Entretanto, todo o hospital era alvo de desinfeção por uma equipa perita nesses procedimentos.

Ainda nessa sexta-feira durante a tarde, Lousada assistia a um “comboio” de ambulâncias, organizado pela Proteção Civil Regional, para transferir os utentes dos Cuidados Continuados para Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais. O trânsito foi cortado e as pessoas que desejavam aceder à avenida Arrochela Lobo (que dá acesso ao HL), eram intercetadas pela GNR. O aparato foi pouco habitual e, aos olhos dos populares, um pouco exagerado, uma vez que se tratava do transporte de apenas 11 doentes não infetados.

No sábado de manhã, chegou à nossa redação o terceiro comunicado da instituição: “A Santa Casa da Misericórdia de Lousada vem a público comunicar que por medida de precaução e após articulação com a saúde pública suspendeu temporariamente todos os seus serviços, mantendo apenas os serviços mínimos necessários.

Após encerramento deu-se início à coordenação com as entidades competentes para a transferência de 10 doentes que testaram negativo para COVID-19, para a instituição Rovisco Pais, para a tipologia de convalescença.
Restruturamos e concluímos o piso 2 da nova ala do Hospital de Lousada para a criação de uma área COVID-19. Foram criados todos os circuitos e implementados procedimentos que garantem o isolamento total da área COVID-19 do restante hospital, tendo os doentes sido transferidos na noite de 04/09/2020, em segurança, para a nova área COVID-19.

As instalações têm capacidade para 20 doentes COVID-19, sendo que neste momento temos 17 lugares ocupados e duas reservas de vaga para os dois doentes que agudizaram e que se encontram no hospital de referência. Os doentes internados na área COVID-19 do Hospital de Lousada encontram-se estabilizados.

Foi desencadeado um processo de desinfeção e limpeza por equipa especializada, foram revistos os circuitos esperando que em breve seja possível retomar toda a atividade clínica do hospital.”

O Louzadense sabe que, no domingo, se verificaram vários contactos entre o HL e a Autoridade de Saúde Pública, no sentido de começar a preparar a possível abertura dos serviços do HL. Nessa altura, já saberiam dos resultados negativos dos colaboradores do hospital. Pelos vistos, o HL começou a avisar esses colaboradores dos resultados durante a madrugada de domingo. Nas redes sociais, muitos deles começavam a dar nota disso nas suas mensagens positivas e de regozijo por tudo estar a correr bem.
Nesta segunda-feira, chegou o quarto e último comunicado da SCML: “A Santa Casa da Misericórdia de Lousada vem a público comunicar que foram realizados testes a todos os colaboradores que exerceram atividade no hospital. Dos 231 testes realizados, foi identificado mais um caso positivo de um colaborador da Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) que já se encontrava antecipadamente em isolamento profilático, comprovando uma vez mais que o vírus ficou restrito apenas a esta Unidade.
Relativamente aos doentes internados na ala COVID-19 recentemente criada, manteve-se o número de doentes infetados, não havendo alterações relevantes do seu quadro clínico. Os dois doentes agudizados continuam no hospital de referência. No seguimento dos resultados obtidos nos testes COVID-19 realizados, foi validado por parte da Unidade de Saúde Pública a retoma da atividade clínica. Desta forma, e em cumprimento das orientações emanadas, a Santa Casa da Misericórdia de Lousada procederá a abertura de todos os serviços, com medidas de prevenção reforçadas, garantindo sempre a segurança dos seus utentes e colaboradores.

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