Grandes feitos se perderam com a partida de Cristiano Magalhães

Nem só de pessoas com vidas longas e grandes feitos cívicos figuram nesta coleção de Louzadenses com Alma. O escolhido para figurar como representante de Macieira é disso um cabal exemplo. Há pouco mais de três anos esta freguesia sentiu pesarosamente a morte de um dos seus entes mais queridos. Aos 33 anos de vida, Cristiano Magalhães foi de entre os vivos arredado, sem apelo nem agravo. A freguesia ficou privada de alguém extremamente empreendedor e que, apesar da tenra idade, fazia prever grandes realizações sociais e desportivas.

Amigos e familiares descrevem-no como um homem de ideais, detentor de uma personalidade forte, de ideias fixas, perspicaz, lutador, astuto e apaixonado pela vida e pelos seus. Assim era Cristiano Alberto Alves de Magalhães
A maior demonstração do seu bairrismo foi o projeto implementado na Associação Recreativa e Desportiva de Macieira, da qual foi presidente e enquanto tal empreendeu grandes esforços para a concretização do belíssimo Parque Desportivo dos Pedrosos, com campo sintético, em Macieira. Esse investimento denota a sua paixão pela localidade e pelo desenvolvimento dos jovens na sociedade, que ele queria mais justa, mais solidária e mais desportiva. O seu foco enquanto dirigente associativo sempre foi o bem-estar daqueles que frequentavam a Associação, para que pudessem lembrar e relembrá-la como uma segunda casa.
Mas os seus interesses extravasavam a freguesia. Cristiano Magalhães era também um apaixonado, desde pequeno, pelas Grandiosas Festas de Lousada e claro, pelo futebol, tendo sido, desde tenra idade, um fervoroso simpatizante da (como ele apelidava) “antiga” Associação Desportiva de Lousada, quando Macieira tinha um papel preponderante no clube lousadense, não só em termos diretivos, como também na participação de atletas macieirenses no plantel lousadense. Mas, no que a clubes diz respeito, claro que o “amor de uma vida”, foi a ARD Macieira.
Como em tudo na sua vida, sempre se guiou por aspirações novas e mais desafiantes. Um desses casos, foi o exercício da arbitragem. Desde muito cedo desenvolveu um gosto e um desafio de ser árbitro de futebol. Sempre ambicioso, chegou mesmo a fazer parte de equipas de arbitragem de campeonatos nacionais, tendo porém posto fim a essa função passados três anos, altura em que o desafio do associativismo falou mais alto.
Profissionalmente destacou-se como gestor de condomínios, profissão que desempenhava no ano em que faleceu, embora tivesse tido outras ocupações, como vigilante, que exerceu durante alguns anos. De todo o modo, sempre foi capaz de se adaptar aos desafios que a vida lhe proporcionava. Houve um, o derradeiro desafio, que não foi humanamente possível a Cristiano ser bem-sucedido: o desafio da doença terminal. Apanhados de surpresa, quase que por “contra-ataque” da infelicidade para com ele que vivia nos píncaros da felicidade. Com 33 anos, vivia uma fase da vida em que tudo lhe corria de feição, com o seu maior projeto de vida associativa prestes a expandir-se consideravelmente. Na vida profissional sentia-se cada vez mais realizado e, a nível pessoal e familiar completo e feliz. Neste quadro depara-se com a terrível doença (cancro).
“O choque foi a primeira reação, quer dele como de quem estava junto ou próximo. Na sua plenitude pessoal e social, é difícil de descrever toda a situação e todo o sentimento de todos os que se viram envolvidos, principalmente ele”, afirma a viúva, Sandra Graziela.
“Foram 5 meses de luta constante. Com sofrimento, revolta, com altos e baixos, com esperança, com muita fé, por parte de todos, mas principalmente dele, sendo muitas vezes o próprio o motivador de uma recuperação. Mas, como num jogo de futebol (que era o que mais gostava), nem sempre quem mais batalha sai vencedor, apesar de nunca se ter dado como vencido! E como várias vezes dizia “aos seus meninos”, “MAIS VALE A LÁGRIMA DA DERROTA, QUE A VERGONHA DE NÃO TER LUTADO!”
Cristiano Alberto Alves de Magalhães nasceu em 23 de Julho de 1983 e faleceu em 26 de fevereiro de 2017, na freguesia de Macieira. Era filho de Maria da Conceição Pinto Alves Magalhães e Manuel Jerónimo Pinheiro Magalhães. Casou com Sandra Graziela Nunes Leal a 17-06-2006, do qual nasce um filho, Martim Leal de Magalhães, que hoje tem 9 anos.

José Carlos Carvalheiras

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