Simão Ribeiro foi afinal candidato à presidência da concelhia do PSD Lousada, contrariando aquela que era a sua pretensão de deixar a liderança do partido. Eleito com 63 votos, o total de votantes, num ato eleitoral com lista única, tem como maior desafio do próximo mandato, preparar as eleições autárquicas do próximo ano.
Na entrevista que concedeu a’O Louzadense explica o que o levou a continuar, avalia a gestão autárquica socialista local e fala dos futuros projetos.
Quais são as razões desta segunda candidatura?
Agradecer a confiança dos militantes do PSD e de uma esmagadora maioria dos dirigentes do PSD, que aliás, ao longo de mais de vinte anos, tem dedicado muito da sua vida ao partido e a Lousada, sobretudo. Uma primeira palavra para os militantes e dirigentes e para os autarcas que confiaram em mim nesta tarefa de liderar o PSD para as autárquicas. Vamos apresentar para Lousada uma alternativa séria e credível para as próximas eleições.
Em primeiro lugar, importa referir porque não fui candidato nas eleições que estavam marcadas para junho pela distrital. Em primeiro lugar, disse em janeiro deste ano que não seria candidato à liderança num plenário, por dois motivos. Eu sou muito jovem, mas faço política ativa há vinte anos, e identifiquei um grupo de militantes do partido que entendiam que ele deveria ter um rumo diferente, um outro projeto político, que pensariam diferente do que eu pensava, e eu entendi que deveria dar espaço a esses militantes para poderem liderar o partido nesta fase. Entendo que o partido não deve estar focado só numa pessoa ou num grupo de pessoas.
Efetivamente, tive algum espanto pelo facto desses militantes não consubstanciarem as suas ideias numa candidatura. Depois de ouvir muitos militantes e de refletir, tinha o dever político de não deixar que o PSD não pudesse oferecer a Lousada uma alternativa ao atual executivo da câmara. Em primeiro lugar, pelo amor que tenho por Lousada e pelo PSD, entendi que os lousadenses têm direito a ter um PSD mobilizado e que se apresente a eleições com um projeto alternativo.
O que é que para o PSD está a falhar nesta legislatura socialista?
Apesar de haver falhas, e que nós enquanto vereadores do PSD e membros da Assembleia Municipal temos apontado, cumprindo a fiscalização e apontando propostas, exercendo assim o mandato que os lousadenses nos confiaram, acho que de tudo aquilo que a autarquia possa ter feito de menos bem, há um erro de base, de fundo, estratégico. O município de Lousada é liderado por um conjunto de elementos do PS há mais de trinta anos e, em resultado disso, aquilo que podemos verificar é que Lousada é o concelho da região com o rendimento mais baixo. O PSD vem alertando que faz falta a Lousada uma política de captação de investimento, de emprego mais qualificado, de emprego mais vocacionado para criar valor acrescentado e com isso os lousadenses pudessem ter maiores rendimentos. Essa captação de emprego tem de ser pautada por uma estratégia clara de educação profissional ou profissionalizante que consiga que a maioria dos lousadenses tenham um maior rendimento, com melhores condições económicas. Isso é a grande lacuna que o Partido Socialista deixou em Lousada. Falta uma estratégia clara de desenvolvimento económico e educacional de formação profissional para Lousada, que agora dá frutos pela negativa.
Há a imagem de que o PSD não está a fazer oposição. Concorda?
Respondo de duas formas. O PSD, nos últimos doze anos, apresentou-se constantemente com uma agenda carregada, de uma forma quase permanente e, infelizmente (porque eu acho que as coisas poderiam ser diferentes para Lousada, caso os lousadenses tivessem confiado em nós) perdemos as eleições, quando até estivemos perto de o conseguir com as candidaturas de Leonel Vieira. Depois de um ciclo onde efetivamente fizemos uma oposição mais cerrada, mais marcante, os lousadenses não entenderiam que no dia seguinte às eleições autárquicas continuasse com esse registo. Temos de respeitar e aceitar a vontade de lousadenses, e procurou o PSD numa primeira fase não estar de uma forma pública tão marcada mais constante, pois acho que há ilações que o PSD tem de tirar. Uma parte inicial do mandato, em que as pessoas têm que perceber as opções que fizeram, não acho que fosse positivo que o PSD mantivesse aquele registo que teve nos últimos dois anos antes das eleições. Em segundo lugar, tocou no ponto que é a imagem, é mesmo uma questão de imagem, pois a nível interno, quer nas reuniões de Câmara quer na Assembleia Municipal, o PSD tem tido uma postura atenta de fiscalização e com muitas propostas em muitas áreas. Pautamos o nosso trabalho político pela nossa atenção, com a fiscalização política que os lousadenses nos reservaram. Fazemos uma oposição séria, pois os lousadenses confiaram-nos essa missão.
Há alguma divisão no PSD?
Não creio que haja divisão do PSD. O que acho é o que é habitual existir em todos os partidos, só não acontecerá com partidos que estão há mais de trinta anos no poder, como acontece em Lousada. É uma discussão franca, normal, leal, sobre as opções estratégicas que o Partido tem seguido, quer a nível nacional, quer regional e local e acho que isso é salutar. Nos períodos eleitorais de escolhas, aí sim, é o momento de os militantes do Partido poderem e deverem manifestar as suas vontades, as suas opções. E foi isso que aconteceu. Houve espaço para isso. Eu dei a oportunidade e não quiseram candidatar-se. Num partido político com a dimensão do PSD, é sempre natural haver pessoas que pensem diferentes e ainda bem que existem.
Estamos a um ano das próximas eleições. Qual será o perfil do candidato para as próximas eleições?
A esmagadora maioria dos dirigentes do PSD em Lousada não caiem na vida política de Lousada de paraquedas. Muitos dos militantes que estão no ativo em Lousada são militantes que ao longo dos anos foram tendo a sua participação cívica e política nos diversos órgãos municipais, nas juntas de freguesia, na assembleia municipal. Na sua esmagadora maioria, pessoas que conhecem Lousada e bem preparadas para protagonizar essa alternativa de que falamos. O PSD fará dentro desse grupo alargado de pessoas, e também juntamente com os seus presidentes de junta, essa reflexão e, segundo aquilo que são as diretrizes nacionais que o PSD aponta, a apresentação de candidatos onde não somos poder. Para finais de março, princípios de abril. Até lá, o PSD Lousada fará isso mesmo, reflexão, e o que eu defendo é que o PSD chegará ao início do próximo ano com uma proposta credível, séria. O candidato será alguém que esteja com um espírito de fazer política pela sua terra, completamente descomprometido, que goste da sua terra e que ame Lousada, e que tenha capacidade e perfil para poder liderar a autarquia com elevação e sentimento político diferente daquele que tem sido a atual governação de Lousada. Sobretudo um candidato com seriedade política, que é isso que pretendemos.
Haverá de novo uma coligação com o CDS?
O facto de o CDS/PP ter um grupo municipal da Assembleia Municipal diferente, optando por estar independente, para nós não cria qualquer motivo para separação, ou de mal-estar com o CDS. É perfeitamente natural, somos partidos diferentes, e a determinado momento, entendemos, que não fazia sentido estarmos juntos. O PSD procurará fazer esse diálogo construtivo com o CDS e a seu tempo veremos qual será a configuração que melhor servirá Lousada e os Lousadenses. A última coisa que queremos é coligação na mera lógica matemática e acho que não é isso que é pretendido, mas sim procurar saber qual o projeto político que o CDS possa ter e aí sim, se houver pontos de convergência política… No passado, isso foi conseguido. Avaliaremos isso no momento certo. Julgo que, até ao final do ano, isso será avaliado pelos dois partidos. Da mesma forma, o PSD não fechará a porta a nenhum cidadão, pois, se tiver um projeto diferente e de alternativa para Lousada e que possa colaborar connosco, será bem-vindo. Acima de tudo está Lousada e os lousadenses.
Neste período de pandemia, o que é que o PSD teria feito melhor?
O PSD tem feito um conjunto de propostas sobre este estado de emergência e nomeadamente o estado de pandemia. Nós tivemos a oportunidade de dizer em público que o município até tem gozado de uma oportunidade para financeiramente se equilibrar ainda mais. Se repararmos, o município deixou de proceder à realização de todo o volume de despesa que habitualmente faria devido a esta contingência. O Município deveria olhar para este cenário e ter outro tipo de atenção às necessidades relativamente às famílias lousadenses. É sabido o quanto Lousada investe por ano na realização de eventos que, devido à pandemia, não realizou. É fácil perceber que o consumo de água das habitações das famílias dos lousadenses subiu devido ao período de maior confinamento. Traduz-se num aumento de receita e numa diminuição de despesa e, portanto, achamos que a Câmara de Lousada deveria ter outro tipo de atenção solidária para com as famílias, nomeadamente no preço da água e do saneamento básico. Essa é uma das premissas pelas quais nós nos temos debatido muito. Não há nenhuma reunião em que não tenhamos feito enfoque naquilo que se tem feito em relação a este problema. Embora a autarquia não esteja a fazer um trabalho negativo, consideramos que poderia ter ido mais além.
Recordo que, na última reunião de câmara, propusemos que fossem realizados um conjunto de testes sorológicos, quer a profissionais de saúde, quer ligados à proteção civil, quer a outras entidades públicas de Lousada, de forma a prevenir a propagação do Coronavírus e o senhor presidente da Câmara rejeitou, dizendo que não queria gastar verbas à toa e que, se fosse recomendado, assim o faria. Faríamos certamente uma gestão mais pró-ativa que aquela que tem sido feita, pois poderiam fazer mais do que estão a fazer. A nossa intervenção é no sentido de ajudar a autarquia que esta é uma bandeira que nos deve mobilizar a todos. Temos tentado contribuir para que em Lousada tenha o menor número de casos possível.
O PSD esteve muito ativo em relação ao ambiente, nomeadamente em relação à entrega de lixo internacional no aterro de Lustosa. Como está esse processo?
Esse processo não teve mais desenvolvimentos do que aqueles que foram relatados na altura, e a posição do PSD foi muito veemente. Nós, não só nos preocupamos juntamente com outros cidadãos de Lousada, em denunciar esse problema, como fomos fazendo essa fiscalização. Evidentemente que continuo a manifestar as mesmas preocupações e as mesmas lamentações que manifestava à época. Por um lado, não consigo conceber que uma câmara que faz gáudio de uma grande política ambiental, permite, por um lado, que o aterro como o da Ambisousa esteja há tantos anos em Lousada, quando há muito deveria de forma solidária passar para outro município e, por outro lado, não entendo como é possível a falta de zelo, a falta de atenção ou até a conivência, pois é difícil acreditar que o senhor vereador do ambiente Manuel Nunes, que é membro do conselho de administração da RIMA não sabia do depósito de lixo no aterro de Lousada. É uma questão de desmazelo e falta de zelo. Se sabia e nada disse, foi complacente com isso. O senhor vereador afirma que não sabia. Fazendo fé nas palavras do senhor vereador, teve uma postura negligente nesta matéria. Depois mesmo do anúncio do fim da vinda do lixo de Itália, acabaram por vir mais umas toneladas para Lousada.
Aquele local é o local perfeito para colocar um outro aterro como o da RIMA, pois temos vários relatórios, de várias entidades, no que diz respeito aos lixiviados que possam escapar do aterro da Ambisousa. Apresentam debilidades e uma série de defeitos na sua construção. Aquilo que acontecerá será sempre culpa do aterro da Ambisousa e nunca será do da RIMA, pois vão desculpar-se sempre com esses relatórios.
A Câmara deveria lutar o mais rápido possível para que estes depósitos de lixo possam passar para outros municípios e não continuem em Lousada. O aterro da Ambisousa foi criado para estar uma década em Lousada, mas na verdade acabou por se perpetuar com ampliações sucessivas, e até é gerido pelo anterior presidente da Câmara, Dr. Jorge Magalhães. Não se entende! Acho que a população de Lousada merece que estes aterros sejam encerrados e passem para outros municípios. A população já foi demasiado solidária com os cidadãos da região a esse respeito.
Quer deixar alguma mensagem aos lousadenses?
O PSD estará cá como sempre esteve, para se apresentar aos lousadenses com cabeça erguida, com um projeto credível, sério e, sobretudo, composto por gente capaz, honesta, que não deseja ribalta, protagonismo, gente que é lousadense de gema e que deseja apenas que Lousada tenha um futuro diferente do que aquele que tem tido, protagonizado por este executivo socialista. Estamos cá, pois entendemos que somos a alternativa que os lousadenses merecem.
Órgãos do PSD/Lousada eleitos a 19.09.2020
Mesa da Assembleia
Presidente: Leonel Vieira
Vice- “ : Francisco Barbosa
Secretários: Pedro Ferreira
António Bessa Pinto
Comissão Politica
Presidente: Simão Ribeiro
Vice “ : Joaquim José Bessa
Vice “ : Bruno Silva
Tesoureiro: Filipe Costa
Secretário Geral: Ricardo Bessa Marques
Vogais: Telmo Ribeiro
Pedro Ribeiro
Paula Ferreira
Alípio Campos
Agostinha Monteiro
Filinto Reis
Vítor Ribeiro
Ruben Leite
Nuno Ferreira
Miguel Ferreira
Luís Peixoto
Luís Bessa
Jorge Morais
Secretários Gerais Adjuntos: Carla Freitas
Tiago Sousa
Coordenadora das Mulheres Social Democratas: Júlia Ribeiro












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