A aspiração normal de todas as sociedades é procurar o seu desenvolvimento, embora a direção e os caminhos desse desenvolvimento possam variar muitíssimo, como se sabe. Ainda assim, todos sabemos e vemos que há sociedades que se desenvolvem bastante (e bastante bem, algumas!), enquanto outras, contrariando o que seria normal, não se desenvolvem, permanecendo estagnadas pelas mais diversas razões: sociais, políticas, económicas, religiosas, etc…
As sociedades e os territórios atuais onde se podem verificar os melhores índices de desenvolvimento são, invariavelmente, aqueles que têm vindo a sustentar o seu desenvolvimento em planos ou projetos integrais e integrados, sobretudo quando estruturados a médio e a longo prazo. Isto é, dito ao contrário, as sociedades e os territórios onde não existem projetos de desenvolvimento com essas características, onde cada ação aparece desligada de tudo o resto, onde as decisões são tomadas de forma casuística e não num quadro geral de atuação previamente definido, onde há áreas de atuação esquecidas e outras sobredimensionadas, onde só há capacidade para se projetar a curto prazo, são, por norma, as sociedades ou os territórios que apresentam maiores dificuldades de desenvolvimento, ou, pelo menos, de desenvolvimento sustentado (contínuo e consistente).
Construir um projeto ou plano de desenvolvimento integral e integrado significa, de forma muito resumida, que se pense o desenvolvimento de um determinado território em múltiplas as áreas e que se definam medidas para cada uma dessas áreas que se interliguem umas com as outras, construindo um quadro global com sentido. Ou seja, é necessário, em primeiro lugar, ter ideias para uma série de vertentes da ação humana e, em segundo lugar, saber articular convenientemente essas ideias para que funcionem como um puzzle em que todas as partes encaixam perfeitamente umas nas outras. Um projeto integral implica ter ideias/propostas para todas as vertentes que se pretende desenvolver. Um projeto integrado significa que todas as ideias/propostas devem formar um todo devidamente articulado. E isto é verdade para territórios de pequena dimensão (freguesia), de média dimensão (concelho/região) ou de grande dimensão (país).
Ora, na definição de qualquer projeto com essas características é indispensável considerar-se a educação em articulação, como já foi referido, com todas as outras áreas ou vertentes que se queira desenvolver, como a cultura, a ação social, o desporto, o ambiente, a saúde, a economia, o ordenamento do território, o turismo ou outras… Na realidade, a educação/formação pode e deve ser uma plataforma onde se cruzam todas essas vertentes. A aposta e o investimento em educação é, como já defendi por diversas vezes, provavelmente, a melhor forma de se garantir o desenvolvimento de uma sociedade de forma sustentada. Se esse investimento em educação for pensado de forma integrada, melhor ainda.
Como referi no parágrafo inicial, isto acontece em determinados territórios e noutros não. E isso nota-se. Desde as freguesias, passando pelos concelhos e pelas regiões, até aos países. Em Lousada, por exemplo, nota-se que há um projeto de desenvolvimento integral e integrado, em que a educação desempenha um papel de grande relevo. E isso nota-se. Sobretudo quando se compara o desenvolvimento deste concelho, nas mais diversas áreas, com o desenvolvimento de concelhos vizinhos, sobretudo com aqueles em que não há projeções de desenvolvimento a médio e a longo prazo integrais, nem integradas. E tudo isso se traduz, no fim de contas, em maior ou menor qualidade de vida para as populações desses concelhos.
No entanto, o trabalho de desenvolvimento dos territórios ou das sociedades, como é evidente, nunca está acabado. A responsabilidade de o pensar e projetar de forma integral e integrada é de todos, de acordo com as suas possibilidades e responsabilidades. Aqui fica um modesto contributo, sobretudo para incentivar outros e pelos impactos que poderia ter na área da educação. A ligação do Parque Urbano Dr. Mário Fonseca ao rio Sousa, nomeadamente à zona dos moinhos de Pias, através de um “corredor verde” que ainda existe entre os dois pontos, seria uma medida com enorme potencialidade, capaz de interligar ações de dimensão considerável em diversas áreas (educação, cultura, ambiente, desporto, economia, turismo, etc…), na lógica de um desenvolvimento integral e integrado que já existe e ao qual se deve dar continuidade.
A minha convicção, como expliquei, é que o desenvolvimento sustentado e sustentável, como agora é usual dizer-se e desejar-se, dos territórios/sociedades passa por projetos de desenvolvimento integrais e integrados, nos quais a educação tem de ser uma área essencial, imprescindível mesmo. Espero que em Lousada a educação possa continuar a ser, por muitos anos, uma prioridade e que possa continuar a desenvolver-se de forma integrada, cada vez com mais consistência, com outras áreas como a cultura, a ação social, o desporto, o ambiente, a saúde, a economia, o ordenamento do território, o turismo, … para bem de todos e do nosso futuro coletivo.












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