Manuela Soares: uma vida entre Portugal e a Suíça

Natural de Cernadelo, Manuela Soares foi para a Suíça em 1992, altura em que a restante família se juntou ao pai, que lá fixou residência em 1986. Manuela tinha na altura 13 anos. “Lembro-me perfeitamente da viagem. Agora são só precisas umas horinhas, mas na altura era um dia e meio. Saímos de manhã de Felgueiras num sábado para chegar no domingo à tarde”, conta.

Das primeiras imagens da Suíça, recorda um país muito diferente de Portugal, com muito verde e muitas montanhas. “Lembro-me que, quando vim, estava muito nevoeiro. Foi em setembro, estava frio. Agora mudou muito, mas na altura tínhamos muitos meses sem ver o sol. Lembro-me de apanhar nozes, pois há muitos frutos secos e muitos corvos”, recorda.
Depois de completar a escola e o curso, regressou a Portugal, com 19 anos, com a intenção de se instalar definitivamente no país natal, uma vez que tinha conhecido o marido em Portugal e trocavam correspondência apenas por carta. Entretanto, o marido conseguiu emprego na Suíça, onde o casal passou a residir. Desta vez, ficaram até 2007. “Foi um namoro quase como à moda antiga e, passados dois anos, decidimos casar. Nessa altura, nem tínhamos os telemóveis. Tenho uma caixa com as cartas ordenadas pelas datas e as minhas filhas deliciam-se ao lê-las. É mesmo muito engraçado”, diz.

A primeira filha, a Cristiana, nasceu em 2004 na Suíça e a segunda, a Marta, em Portugal, onde o casal se instalou a partir de 2007. “Os meus pais, quando tivessem a vida estabilizada, gostavam de regressar, o meu marido também, pois tinha a família dele toda aí, mas eu nunca tive essa ideia porque me adaptei sempre muito bem”, refere. Apesar disso, na altura com 27 anos, Manuela encontrou logo emprego em Portugal nas Ferragens Vale do Sousa em Lousada, onde encontrou “uns excelentes patrões e uns amigos do coração”.

O marido montou o seu próprio negócio, mas a crise que se instalou logo a seguir complicou a vida das empresas. “Na altura, estávamos à espera de mudar um bocadinho as mentalidades, trabalhar com qualidade e nunca nos conseguimos adaptar muito bem. Algumas coisas não nos correram bem, e decidimos vender a empresa, porque já não estávamos a ter qualidade de vida nem tempo para as nossas filhas”, conta.
A solução foi voltar novamente à Suíça, mas financeiramente estabilizados. E assim aconteceu, com algumas dificuldades de adaptação para a filha mais velha, a Cristiana: “Foi uma grande mudança, pois teve de aprender o alemão e a maneira de se viver aqui é diferente. Ela saiu da Suíça com três anos e quando voltou teve de começar tudo de novo. A Márcia, que veio com três anos, adaptou-se melhor”, explica.

Manuela domina seis línguas

A viver entre Portugal e a Suíça, Manuela é uma poliglota. Domina na perfeição o alemão e aprendeu o inglês e o francês, este a partir da telescola, em Portugal. Além disso, fez dois anos de espanhol e aprendeu o italiano com o cunhado, oriundo de Itália. “A escrita é o dia a dia, trabalho numa empresa de exportação para todo o mundo. O forte é para a Europa, mas exportamos para todo o lado, todos os dias estou em contacto com todas essas línguas. São seis línguas”, diz.

Marta, a filha, segue as pisadas da mãe e já fala três línguas. Adora ler e diz ter uma vida divertida na Suíça.

A Portugal, a família regressa várias vezes, especialmente no Natal e na altura da Páscoa. A ideia é regressar definitivamente, mas não há data marcada. “Tenho aqui as minhas duas irmãs. A mais velha tem uma pizzaria com um italiano, que é da zona de Nápoles, e tenho a irmã mais nova que está casada com um suíço. A minha mãe já está em Portugal”, diz.
Manuela nutre um gosto pela política e aprecia o debate de ideias para construir um país melhor. Por essa razão, foi candidata na lista à Junta de Freguesia de Cernadelo. Não ganhou por pouco, mas reconhece que foi uma experiência positiva.
Atualmente são muitos os portugueses a viverem na Suíça, onde têm espaços de convívio, imperando a solidariedade entre eles.

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