por | 13 Nov, 2020 | Região, Saúde, Sociedade

PSD do Tâmega e Sousa exige mais investimento em todo o CHTS
Oito concelhias do Partido Social-Democrata (PSD) do Tâmega e Sousa exigem ao Governo um forte investimento no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) face à situação de “caos e desespero que se tem vivido”.

Numa nota conjunta, as concelhias de Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel e a Distrital do Porto, exigem que “no âmbito dos Fundos Europeus que chegarão ao nosso País nos próximos meses, o senhor Primeiro-Ministro assegure que será realizado um forte investimento na ampliação e reorganização do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa” de forma a adequar a capacidade de resposta às necessidades da região.

Sendo o CHTS constituído por dois hospitais, o Hospital Padre Américo, em Penafiel, e o Hospital de São Gonçalo, em Amarante, o PSD Lousada acredita que existe “um erro de gestão política” que não permite gerir a capacidade de resposta destes hospitais.  

Em entrevista ao “O Louzadense”, Cristóvão Simão Ribeiro, presidente do PSD Lousada, explica que o CHTS tem um problema crónico que se arrasta desde 2018. “No Centro Hospitalar, desde logo no Hospital Padre Américo, que foi projetado e foi concebido para albergar e dar assistência a cerca de 300 mil utentes e, na verdade, já há vários anos, que tem em média assistido mais de 500 mil utentes e, portanto, estamos a falar claramente de um problema de subdimensão”, afirmou, alertando para as necessidades dos serviços de urgência, cardiologia e pneumologia, que se encontram com problemas mais “gritantes” e tempos de espera elevados.

Por outro lado, o social democrata acredita que o Hospital de São Gonçalo é “um hospital fantasma. Foi construído, tem umas ótimas instalações, mas está claramente não dotado, nem de equipamento necessário, nem de pessoal clínico e auxiliar. Temos aqui um problema crónico e que se arrasta há anos”.

Cristóvão Simão Ribeiro é presidente da Concelhia do PSD de Lousada

Obras de ampliação e falta de profissionais de saúde

Entre as problemáticas, o PSD assegurou que o Hospital Padre Américo precisa de obras de ampliação, nomeadamente nos serviços que sentem mais dificuldades. “Por ironia do destino, um deles já em 2018 mostrava algumas debilidades, o serviço de pneumologia, e que esta pandemia, infelizmente e ironicamente, veio pôr a nu essas debilidades para as quais já tínhamos exigido mais investimento: em equipamento, em dimensão e em pessoal”, lamentou Cristóvão Simão Ribeiro.

O presidente da concelhia lousadense garantiu que Marta Temido, Ministra da Saúde, já procedeu ao pedido ao Ministro das Finanças e que “carece apenas da autorização”, no entanto, acredita que é “mais do mesmo” e que “o CHTS precisa urgentemente desse reajuste de volumetria e de pessoal clínico e não clínico, porque, de facto, foi desenhado para assistir cerca de 300 mil pessoas e, neste momento, assiste mais de 500 mil. É humanamente impossível e reconheço aos profissionais de saúde uma excelente dedicação e um trabalho de excelência, mas não basta, porque o sistema está a arrebentar pelas costuras. Está a entrar em colapso”, avisou.

Para fazer face a esta problemática, Cristóvão Simão Ribeiro redigiu, em 2018, um Projeto de Resolução, juntamente com o Grupo Parlamentar do PSD, onde constam um conjunto de medidas concretas, mas que diz terem sido ignoradas pelo Governo.

“O que acontece é que esta pandemia só veio pôr a nu, infelizmente para os lousadenses e para os utentes da região, aquilo que na prática nós já andamos a dizer há muitos anos. Mais vergonhoso é que houve um conjunto de medidas aprovadas por unanimidade na Assembleia da República, por via de um projeto de resolução, que eu próprio apresentei, e que configuram, naturalmente depois de aprovadas, um dever do Governo em executar”, referiu Cristóvão Simão Ribeiro, acrescentando que “o Governo meteu para a gaveta e eu não ouvi, à exceção do Senhor Presidente da Câmara de Amarante e do Senhor Presidente da Câmara de Penafiel, uma única palavra de todos os responsáveis políticos da região, sejam eles autarcas ou deputados”.

Visita de António Costa e Marta Temido à região

Sobre a visita de António Costa, Primeiro-Ministro, e Marta Temido, Ministra da Saúde, à região nas últimas semanas, o PSD referiu que “é em dias de sol que se conserta o telhado” e, por isso, acreditam que esta visita “peca por falta de conteúdo”.

“Eu pergunto, neste momento em que as coisas estão visíveis aos olhos da população, o que cá veio fazer o primeiro ministro? Veio fazer um número político, a senhora ministra veio cá, mais tarde, fazer outro número político e, na prática, ainda veio criar efeitos secundários laterais danosos, porque com a transferência de alguns doentes, fruto da visita dela, ainda foram agravar e alastrar as cadeias de transmissão que não tinham doentes infetados. Tudo isto é mau demais, é bastante grave e é uma desatenção completa para uma matéria que nós há muito tempo estamos a alertar”, lamentou Cristóvão Simão Ribeiro.

Na nota enviada à comunicação social, as concelhias afirmam que “o Governo, com o silêncio conivente dos autarcas Socialistas da região, ignorou os problemas que se vinham a agravar, ano após ano, no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa. Sendo evidente que ainda não colapsou apenas pelo esforço sobre-humano e pela dedicação dos profissionais que ali trabalham”.

Questionado sobre as medidas que estes autarcas deviam tomar, Cristóvão Simão Ribeiro não hesitou em responder que “deviam insistentemente indagar o senhor Primeiro-Ministro e a senhora Ministra da Saúde até o problema estar resolvido. Nós temos deputados, nomeadamente uma senhora deputada que é de Lousada, e mais deputados do Partido Socialista da região que deviam, na Assembleia da República, questionar a senhora Ministra, quer nas audições, quer por perguntas e requerimentos formais”.

Acrescentou ainda que, se possível, “repescar o projeto de resolução que eu fiz em 2018 e, com o poder formal que um deputado tem, exigir ao governo que dê urgentemente cobrimento às necessidades deste Centro Hospitalar. E eu não vejo nem deputados, nem autarcas, nem absolutamente ninguém preocupado com esta situação”.

O social democrata referiu que o PSD Lousada, juntamente com as restantes concelhias do Tâmega e Sousa, tem discutido a matéria, articulado com o grupo de deputados do PSD do Distrito do Porto, e que em Comissão Parlamentar de Saúde “vão fazer aquilo que lhes compete, que é chamar o tema novamente, voltar a propor medidas concretas de reforço deste Centro Hospitalar, falar e confrontar a senhora Ministra da Saúde, e porque não o senhor Primeiro-Ministro, com a matéria. Portanto, vai fazer aquilo que todos os autarcas políticos, da cor política do governo, não fazem, e todos os deputados do Partido Socialista, que são da cor do partido que governa o país, não fazem”.

Situação grave e com necessidade de medidas

Cristóvão Simão Ribeiro não deixou de alertar que a situação “é grave” e não fosse o “esforço e dedicação até à exaustão do pessoal médico, enfermeiros, pessoal auxiliar e todos aqueles que trabalham no Centro Hospitalar, a situação seria bem pior”.

O presidente da concelhia Lousadense reforçou, ainda, que é urgente a tomada de medidas “no sentido de um investimento forte e claro neste Centro Hospitalar e também no seu todo, porque de facto não podem continuar umas instalações daquela dimensão praticamente fantasmas e vazias sem capacidade de resposta”, referindo-se ao Hospital de São Gonçalo.

Recentemente, o CHTS informou, em comunicado enviado à comunicação social, que depois do pico máximo de doentes internados que o Padre Américo chegou a registar, o CHTS adotou medidas de forma a minimizar as infeções por Covid-19, nomeadamente a  “colaboração regional para transferir doentes para outros hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) da região, nomeadamente para o Hospital Militar, bem como para outras instituições do sector social e cooperativo, apoio do Instituto de Emergência Médica (INEM) que, com a instalação do hospital de campanha, permitiu agilizar melhor circuitos dentro da urgência numa fase crítica que chegou a atingir 800 atendimentos diários, números superiores aos atingidos nos picos da gripe”.

“O Louzadense” contactou a autarquia de Lousada, mas não obteve resposta até ao momento.

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