De sorriso fácil, certo das suas convicções e confiante naquilo que acredita: podiam descrever Eduardo Augusto Vilar Barbosa, Presidente da União de Freguesias de Cristelos, Boim e Ordem desde 2013. Nascido na cidade Invicta há 64 anos, na freguesia de Massarelos, onde permaneceu até aos 20 anos e começou a construir um percurso recheado de experiências. Apaixonado por ter sempre “coisas para fazer”, admite gostar do stress que é “procurar soluções”.
Da cidade herdou uma forma de viver em constantes desafios, mas foi em Lousada que encontrou um lugar “sossegado” para construir uma família e atingir os seus objetivos de vida. “A escolha de sair da cidade foi minha. O meu pai é de Paço de Sousa, Penafiel, a minha mãe é de Chaves e, por força destas duas realidades, eu conhecia a realidade mais sossegada, foi essa a opção, deixar a confusão da cidade para uma coisa mais sossegada. Na altura foi aqui, podia ter sido em Penafiel, podia ter sido em Felgueiras, foi aqui, a minha esposa era de cá”, conta Eduardo Vilar.
Passou a sua infância e juventude no Porto, onde estudou até ao 4.º ano, tendo seguido estudos por diferentes Seminários. Em 1967 frequentou o Seminário da Formiga, na Sta. Rita, em Ermesinde, em 1968 transitou para o Seminário de Trancoso, em Vila Nova de Gaia e, por fim, terminou os últimos anos de estudo no Seminário do Bom Pastor, em Ermesinde, em 1972.
Em 1973, embora acreditasse ser um local de “experiências e aprendizagens”, abandonou o Seminário e seguiu estudos no Liceu António Nobre, no Porto, onde entrou no ano de inauguração e, marcando positivamente a sua passagem por lá, recebeu uma medalha de mérito pela publicação do livro “Poesia – ANTOLOGIA”, que esgotou em dois dias na cidade.
Para Eduardo Vilar, a passagem pelo Seminário foi “uma passagem normalíssima” e interessante pelas experiências e pelos convívios com pessoas de todo o distrito. “Foi um local de experiências e aprendizagens extremamente enriquecedoras em termos de formação humana, algo que me marcou para o resto da vida e que, possivelmente, moldou bastante a minha maneira de ser e de estar na vida. Não quer dizer que isto tenha alterado os princípios que recebi da família, de forma alguma, não os nego, mas vieram dar uma outra forma à minha maneira de ser e á minha maneira de estar”, exprime.
Sobre esta maneira de ser e de estar, não hesita em referir que é de disponibilidade e solidariedade para com os outros, “sempre foi assim que pautei a minha vida, mesmo quando passei por associações, quando passei pela autarquia, e hoje, aqui, estou pela mesma função, que é de contribuir para que aqueles que estão à minha volta, com quem vivo e que são a minha comunidade, possam de alguma forma sair enriquecidos e valorizados com aquilo que eu posso dar e aquilo que tenho, com virtudes e com defeitos, tal como sou sem negar nem uns, nem outros”.
Professor por acaso
Apaixonado pela arquitetura, Eduardo Vilar acabou no Ensino devido a uma “má experiência com um professor de matemática”, que condicionou o resto da vida. Uma vez que as coisas para as Belas Artes “não se propiciaram”, decidiu seguir “um amigo muito próximo” e seguir o curso de Direito, na Universidade de Coimbra.
Mas quis o destino que também não fosse esta a vocação de Eduardo Vilar. Por força das consequências da Revolução dos Cravos, a Universidade de Coimbra não iniciou, naquele ano, o curso de Direito. Assim, trabalhou em diversas áreas e aprendeu a fazer estofos, marcenaria, entre outras artes. No ano seguinte, em 1975, a hesitação que a Universidade voltasse a não abrir as portas, o futuro professor decidiu que tinha que fazer uma escolha.
“Eu tenho que fazer uma opção, gosto da carpintaria, gosto dos estofos, gosto de outras coisas, gosto das artes, porque no fundo era um pouco isso que estava ali, o manusear, o fazer. Fiz prova de admissão para o magistério e entrei. Comecei no Porto e acabei em Guimarães, no Magistério Primário do Porto e Guimarães, entre 1976 e 1978”, conta.
Entre o casamento, fazer a sua própria casa e estudar, Eduardo Vilar acrescentava, ainda, o trabalho aos fins-de-semana, no Porto. No entanto, “felizmente consegui a segunda melhor nota de curso, por isso, correu tudo bem, de tal forma que terminei o curso em junho/julho e em outubro estava colocado em Lousada. A minha primeira escola foi em Vilar do Torno e Alentém, em 1978”, relata.
Da experiência enquanto professor guarda os diálogos e descobertas feitas por cada aluno que por ele passava. “Sempre gostei muito de trabalhar com os miúdos já mais crescidos, com mais capacidade de diálogo e de descobrir coisas, ou seja, eu preferia os alunos do 4.ºano aos alunos do 1.º ano, nunca me senti muito vocacionado para os mais pequeninos. Muitas vezes troquei turmas com colegas exatamente por isso e dei-me muito bem com este tipo de abordagem”, recorda.
Entre 1979 e 1986 lecionou na Escola Básica de Bouça-Cova, em Lustosa, e, em 1987, concorreu para professor efetivo, tendo ficado colocado na Escola Básica de Porto Moniz, na Ilha da Madeira. No ano seguinte, em 1988, regressa ao continente e fica efetivo na Escola Básica de Arcos de Valdevez.
Nesse mesmo ano é votado pelo conjunto dos professores de Lousada para fazer formação de professores, onde viria a integrar, em 1989, a equipa do Programa Interministerial de Promoção do Sucesso Educativo (PIPSE).
A constituição desta equipa surge porque, segundo conta Eduardo Vilar, “Lousada era, à época, o segundo concelho do país com maior índice de analfabetismo e insucesso e abandono escolar, estava numa situação muito complicada. Na altura formei equipa com o senhor professor Luís Ângelo, com o professor Campos e com a professora Guadalupe, que já faleceu. Fomos os quatro que ficamos à frente deste projeto no concelho de Lousada, fizemos formação, promovemos ações de formação para toda a gente, promovemos formações aos alunos com mais insucesso e foi nessa fase que fui pescado para a candidatura à câmara”.
Homem de fazer coisas ao invés de político
A política nunca foi a sua grande paixão, mas foi com entusiasmo que agarrou a oportunidade e tentou dar o seu melhor durante o tempo em que esteve na autarquia de Lousada.
Movido pela força de trabalhar, não se define como um político, mas “um homem de fazer coisas”, e, em 1990, dá entrada na Câmara Municipal como vice-presidente e vereador dos pelouros da educação, cultura, desporto, relações internacionais, comunicação social, novas tecnologias, património e arqueologia, onde permaneceu durante 24 anos, “foi uma vida”, afirma.
“Ganhou-se a câmara de uma forma imprevisível e por lá me aguentei 24 anos, eu e o Dr. Jorge Magalhães. Eu sempre disse que sairia com ele e assim foi, entrei com ele e saí com ele, fomos os dois que nos mantivemos durante aqueles seis mandatos. E a vida foi-se construindo e penso que as marcas, para quem as quiser encontrar, estão aí, estão à vista de todos e procuro continuar nessa mesma orientação, nesse mesmo trilho de ajudar a construir coisas. Ponto”, recorda.
Para o ex-vice-presidente os desafios foram muitos, principalmente no primeiro mandato, esclarecendo que um deles foi “como conseguir ser político numa situação que à época era extremamente difícil, porque o PS estava em minoria e com uma oposição que era absolutamente frontal, salvo raríssimas exceções dignas de referência e que ainda hoje recordo com alguma saudade, mas de uma forma geral muito frontal, muito dura e um primeiro mandato terrivelmente demolidor para a minha maneira de ser”.
Posteriormente, no segundo mandato, “as coisas evoluíram de forma já bastante diferente, muito mais descomprimidas e começou a dar gosto o dia a dia da vida autárquica”, considera.

24 anos de desafios
Foram vários os desafios que o ex-vereador enfrentou, entre eles, e mais acentuados, nas áreas da educação, cultura, desporto e relações internacionais. Nestas vertentes, conta Eduardo Vilar, era como dizer “tens aqui um terreno e tens que começar a fazer a casa”.
“O parque escolar estava muito degradado, não havia condições. Aliás, ainda encontrei escolas a funcionar em casas ditas particulares de pedra, aquelas casas antigas de lavoura, em Lagoas e em Nevogilde, por exemplo, e houve necessidade de, a pouco e pouco, ir conquistando o espaço em sede de plano e orçamento anual da câmara para ter verbas para iniciar um programa de requalificação dos edifícios escolares”, lembra.
Ao mesmo tempo que requalificavam os edifícios, “criamos as cantinas escolares, um esforço muito grande que esta medida chegasse a todas as escolas do concelho e conseguiu-se”, refere, sem esquecer a necessidade urgente de, na altura, criar uma rede de pré-escolar que “não havia e na região Norte éramos, provavelmente, o município em piores condições nessa matéria”.
Em colaboração com as Juntas de Freguesia, “começamos, paulatinamente, a fazer outro e outro e, quando já íamos quase a meio do programa, o governo lançou uma linha de apoio para o pré-escolar e nós concluímos a rede de uma forma muito mais rápida, outros que até não tinham feito nada acabaram por beneficiar mais do que nós que já tínhamos feito metade do caminho”, refere.
Uma das grandes problemáticas que era urgente reverter era o insucesso escolar que se fazia sentir no concelho. Para isso, o ex-vereador propôs a criação das atuais Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC’S), embora não fossem denominadas assim. Estas atividades refletiam-se num “investimento avultadíssimo do município, anualmente. Começamos com a música, com as TIC, com a natação, com a educação física, todas aquelas que hoje aparecem por aí menos o inglês, o inglês entrou depois do programa da ministra Maria de Lurdes Pintassilgo. Isto resulta de uma abordagem que eu fiz junto da senhora ministra, pedindo-lhe apoio, porque estava a ser muito pesado para o município e foi nessa altura que ela entendeu, e muito bem, fazer um programa nacional baseado nisto, e em que nós entramos logo na primeira linha, como é lógico, acrescentando então nessa altura o inglês que ainda hoje faz parte das matérias das AEC’S.
Com o aparecimento da Carta Educativa, Eduardo Vilar sempre defendeu uma estratégia diferente. “A grande maioria dos concelhos investiram milhões em grandes centros escolares, fechando escolas nas freguesias, menores ou menos importantes, concentrando os grandes estabelecimentos escolares nesta ou naquela freguesia, mas sempre entendi que isso era contraproducente por duas ou até mais razões”, refere.
A falta de proximidade e a massificação do ensino levaram a que o ex-vice-presidente entendesse construir um centro escolar na maioria das freguesias. “Primeiro era a massificação do ensino, à semelhança do que já acontece nas grandes Escolas Secundárias, onde temos três mil alunos e ninguém “controla nada”, é difícil, não há proximidade, que é uma das características que os mais pequeninos precisam, o carinho, o aconchego e sempre entendi que se iria perder essa vertente que era muito importante”, exprime.
“Por outro lado, ir-se-ia perder aquela que é a primeira identidade de uma freguesia que é a escola. É a escola, a junta de freguesia e a igreja, são os três pilares de uma freguesia, e, portanto, entendi que era preciso combater esta tendência de deitar tudo por terra”, confessa.
À medida que os antigos edifícios escolares eram libertados, “ficámos com instalações disponíveis para apoiar a terceira idade, porque a tendência vai ser de termos cada vez mais necessidades e isso tem-se vindo a verificar em termos espaços de apoio para a terceira idade. Hoje verifica-se que a maior parte dos movimentos seniores estão exatamente nesses edifícios que ficaram devolutos”, garante.
“É evidente que aqui a dinâmica de cada Junta de Freguesia é determinante para que isso aconteça, isso ou outras coisas, não tem que ser só necessariamente o movimento sénior, porque o mesmo espaço pode servir para inúmeras outras atividades ligadas à vida da própria freguesia, quer seja de carácter associativo ou não, ou até mesmo desportivo. Foi sempre com base nestes pressupostos que defendemos uma carta educativa diferente, com escolas de tamanho mais reduzido. É evidente que com mais custos em termos de pessoal, mas, ou queremos qualidade ou queremos massificar as coisas e guardar o dinheiro”, esclarece.
Desporto disparou no concelho
Com o desporto a crescer a cada dia, Eduardo Vilar lembra a construção do pavilhão Municipal, o único equipamento desportivo que havia aberto à população: “lembro-me que na altura veio aqui um ministro, em visita de campanha eleitoral, e teve o desplante de dizer que aquilo era grande demais para Lousada, passado nem dois anos o pavilhão estava completamente esgotado, tivemos que partir para outras soluções e hoje penso que temos um rácio superior a um pavilhão por freguesia e estão todos ocupados, felizmente”.
O ex-vice-presidente recorda o planeamento de construir aquilo a que chama o “elefante branco”, que é o Complexo Desportivo de Lousada, que hoje é uma “estrutura de referência nacional e internacional e que é motivo de orgulho não só para os lousadenses, mas até para o próprio país”.
Teimosia permitiu construção da Biblioteca e do Auditório
Com uma teimosia que o define, Eduardo Vilar admite ter tido algumas “guerras” muito interessantes enquanto vereador da cultura. Uma das principais foi a Biblioteca Municipal. “Chegávamos a Lisboa e esbarrávamos sempre com definições que não cabiam nos parâmetros daquilo que o concelho de Lousada pretendia e queria. Penso que a minha teimosia acabou por valer, demorou anos, foi um penedo bruto, difícil, dificílimo de partir, porque sempre que lá íamos com um projeto vinha mais um defeito e era preciso mais uma correção e depois íamos com a correção e afinal era preciso mais outra e andamos nisto anos”, lamenta.
Depois de algumas insistências, a obra acabou por ser feita através de administração direta, tendo ficado pelo valor de 85 mil contos. No entanto, o município já tinha uma biblioteca a funcionar, que esteve em vários locais do concelho, ao mesmo tempo que criaram uma Biblioteca Móvel, que percorria todas as freguesias e escolas, de forma a criar público para a leitura.
“Quando se abriu a biblioteca, já havia toda uma envolvência, um trabalho desenvolvido que permitiu logo de seguida começarmos a avançar para as bibliotecas escolares, quer do Primeiro Ciclo, quer das EB 2,3 à medida que se foram criando, portanto, hoje todas as escolas têm a sua biblioteca”, explica.
Também o auditório foi uma “luta com o então diretor senhor Paulo Cunha, que foi um dos grandes homens da Banda de Lousada, porque, nessa altura, era preciso à volta de cinco mil contos por ano para pagar aos músicos que vinham de fora para preencher os lugares importantes da banda. A banda era uma referência, era e é, e eu sempre defendi que mais importante que estar a garantir 5 mil contos por ano para gente de fora, era aplicar esse dinheiro numa estrutura que criasse os nossos músicos. Portanto, era aqui que tínhamos opções diferentes, mais uma vez a minha teimosia acabou por, a pouco e pouco, ir amolecendo a pedra, foi fazendo o caminho e hoje, de facto, o nosso Conservatório tem o nome que tem, temos jovens músicos formados aí pela europa, pelo mundo, alguns deles já a dar cartas, a mostrar o seu valor de forma brilhante e foi outra vertente que também eu acho que valeu a pena”, recorda.
Relações Internacionais marcaram geminações
Na área das Relações Internacionais, Eduardo Vilar relembra o programa das geminações, que começou com a cidade Francesa, Tulle, onde permanece muita população lousadense. Essa relação deu início à participação da juventude lousadense nos Encontros Desportivos da Juventude das Cidades Geminadas, que aconteciam todos os anos em diferentes cidades.
“Nós participamos após a geminação e imediatamente nos candidatamos a fazer os seguintes, e efetivamente conseguiu-se. No ano seguinte, salvo erro era a Alemanha que deveria organizar os jogos e acabou por ceder a sua vez para que pudéssemos organizar. Nós tínhamos acabado de construir as piscinas e foi quase um ato inaugural das piscinas municipais”, indica.
Depois de Tulle, foi a vez da geminação com Renteria, no País Basco, em Espanha e uma pré-geminação com Dueville, em Itália. Mais tarde surgiu a oportunidade com Schorndorf, na Alemanha, com Bury, na Inglaterra e com Bucareste, na Roménia.
Eduardo Vilar recorda que tudo isto foi com a ajuda “de uma equipa de colaboradores excelentes. Assessores, colaboradores mais diretos, chamemos-lhes companheiros de luta, e, sobretudo, por ter a capa protetora da presidência, do Dr. Jorge Magalhães e do apoio dele para que este trabalho se pudesse fazer. Ninguém faz nada sozinho, nem ninguém ganha um jogo jogando sozinho com a bola. Mais uma vez, é aqui que eu acho que a partilha e a confiança daqueles que estão connosco a trabalhar é que produz os resultados melhores”.

Câmara da cidade de Tulle, Madame Gaspard
Da Autarquia para a Junta de Freguesia com a mesma visão
Depois de 24 anos a liderar a Autarquia de Lousada, Eduardo Vilar encontrou na União de Freguesias de Cristelos, Ordem e Boim uma forma de continuar a ser útil e servir a população. O Presidente lamenta não ter feito tudo o que gostava de fazer, mas “consegui fazer e resolver muitas coisas que havia para resolver e acho eu que com sucesso. É evidente que nunca com a pretensão de agradar a toda a gente e há imensos críticos em relação aquilo que eu possa ter feito, como havia antes”.
“É evidente que isto não implica separar, pôr de lado, todos os outros, de forma nenhuma, a nossa atitude tem de ser sempre uma atitude integradora, mas sabendo sempre que não agradamos a toda a gente, portanto, se conseguirmos ir ao encontro da maioria das pessoas é excelente, mas as vozes sempre as houve do contra, temos que estar preparados para isso. Às vezes magoa? Magoa, mas também ouvimos as vozes daqueles que nos agradam e que dizem fiz bem feito está ótimo, portanto temos que ser capazes de conviver com esta dualidade de avaliação”, explana.
Ainda antes de terminar o percurso nesta União de Freguesias, pretende, essencialmente, concluir as obras em curso. “Há uma série de coisas que eu gostava de ver em andamento ainda comigo, e espero poder ver, a ver vamos, o tempo o dirá, mas já fizemos, a minha equipa toda, muito mais do que aquilo que inicialmente nos propusemos, basta olharmos para a nossa volta e vermos o que estava por fazer, o que foi feito e tirarmos as ilações. Agora, é muito, é pouco? Acho que nunca se fez tanto”, afirma.
Vida recheada de diferentes realidades
Até 1990, a vida do professor pintava-se com outras cores e melodias. Eduardo Vilar pintava em acrílico, em tecido, e vendia muitas das peças que produzia. No que diz respeito à música, realizou um curso de Órgão e Direção de Coros e dirigia o Coro Litúrgico de Santa Eulália de Barrosas. Também a talha e marcenaria foram alguns dos passatempos nos tempos livres. A entrada na câmara veio acabar com estas paixões, porque “ou havia de ter tempo para me dedicar à causa pública ou à causa pessoal e, efetivamente, tive aí uma quebra muito grande em termos de rendimento pecuniário, como é lógico, mas foi uma opção de vida que assumi e quando se assume tem que se fazer opções”, recorda.
Ainda hoje são áreas que aprecia e que faz questão de ter no seu dia a dia. “Música anda sempre comigo todo o dia, é a minha companhia constante, e, daí, alguma da minha sensibilidade depois para certas coisas que fiz ligado à cultura na câmara, nada é por acaso também”, comenta.
E como a música é uma das grandes companhias, Eduardo Vilar teve também um papel importante no desenvolvimento do Grupo Folclórico de Santa Eulália de Barrosas, onde foi, em 1984, o sócio fundador e dirigente durante muitos anos.
E com uma vida cheia de desafios, Eduardo Vilar ainda não sabe responder sobre o dia de amanhã. Não nega um novo desafio e, se aparecer um problema, pretende estar alerta e pronto para o resolver. “Eu acho que cada novo dia é um novo desafio, eu não sei qual é propriamente o desafio que vou ter amanhã, e o desafio que eu tive hoje, foi um desafio complexo e que eu, ontem, por esta hora, não o previa. Cada dia é um dia diferente e temos é de estar preparados e com força interior, sobretudo, para enfrentar o desafio de cada dia. Há coisas que nós conseguimos prever e conseguimos programar, mas há tanta coisa que nos escapa a essa programação e que nos troca as voltas. Por isso eu digo que há coisas que não vale a pena programar, um dia de cada vez vamos construindo as coisas, passo a passo, de forma firme, tranquila, tanto quanto possível, porque para inquietações elas aparecem por elas, não é preciso ir procurá-las”, termina.












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